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4 de abril de 2005

Mark Lanegan e Tom Waits em: Gêmeos - Mórbida semelhança

Não! Não se trata daquele filme de David Cronenberg (que é muito bacana por sinal) e sim de dois cantores de épocas distintas, mas que possuem algo em comum.
Waits, como bem sabemos, é da década de 70 e de lá para cá construiu uma carreira sensacional de álbuns clássicos como Closing Time, Rain Dogs e os mais recentes Alice e Blood Money para ínicio de conversa.
Já Lanegan é do fim da década de 80, época em que liderava o grupo Screaming Trees (a eterna grande promessa do grunge) que durou cerca de 10 anos. Com fim da banda o cantor ingressou o grupo Queens of the Stone Age e após um período de divergências com o líder Josh Homme (com quem já havia tocado no Screaming Trees) abandonou a banda e novamente sua carreira solo (que já existia desde os tempos do finado grupo de Seatle) tornou a ser prioridade.
Primordialmente o fator que os une são suas respectivas vozes que estão completamente desgastas após anos que dedicação ao álcool e cigarros, mas que ambos os casos não chegam a ser demérito.
Como se não bastasse, outro fator que os aproximam são as estrutura musicais de ambos apresentam grande semelhança, seja no sentido lírico (na eterna poesia beat de autores como Allen Ginsberg ou Jack Kerouac) quanto as partes instrumentais.
Esta "reflexão" surgiu devido a audição ao recém - lançado em terras brasileiras Bublegum, mais novo álbum de Lanegan, disco que para ficar mais claro poderia defini - lo como um disco de blues "torto", mesclando a sonoridade folk e o rock (como só Tom Waits o faria).
Por isso, caso acontecer uma parceria futura entre estes dois ícones da música não estranhe, apenas agradeça.

27 de março de 2005

Profissão: Roterista.

Primeiramente devo confessar: nunca havia dado devida importância para esta profissão. Ao assitir um filme prestava atenção apenas nos atores envolvidos, no diretor e olhe lá.
Foi somente no ano 2000 que este "preconceito" foi perdido, graças ao filme que particulamente mudo minha vida em diversos apspectos: Quero ser John Malkovich. Após a exbição desta película (cuja a história deixou - me embasbacado) fiquei questionando que seria o autor de tal proeza. Chegado os créditos finais eis que me aparece o nome do sujeito: um tal de Charlie Kaufman.
A partir daí comecei a dar o devido crédito aos autores destas histórias mirabolantes que ganham as telas. Poderia fazer uma lista enorme de pessoas que realizam um belo trabalho, mas por agora prefiro escrever somente sobre o melhor da atualidade: sim ele, Charlie Kaufman.
Diferente de tudo que está por aí, Kaufman possui uma maneira totalmente inovadora graças a seus roteiros muito bem estruturados, inteligentes que misturam temas antagônicos como humor e tristeza, o caos e a paz, o amor e o ódio sempre acompanhados por questionamentos interessantes.
São da autoria de Charlie (hoje com 45 anos) cinco roteriros adaptadados paras as telas: o já citado Quero ser John Malkovich (que tem direção assinada por Spike Jonze, famoso diretor de vídeo clipes), Adaptação(outro grande trabalho ao lado de Jonze cuja história chega a ser auto - biográfica), A natureza quase humana (com direção de Michel Gondry que também outro grande especialista em vídeo clipes) , Confissões de uma mente perigosa (com direção de George Clooney) e talvez o melhor deles, o perfeito Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (realizado novamente em parceria com Michel Gondry).

25 de março de 2005

Eu recomendo.

Um livro: Eu ainda estou no inicio, mas até agora a leitura de 31 canções (de Nick Hornby que finalmente foi lançado no Brasil) tem sido um deleite. Mais do que um mero relato de algumas canções o livro em si é uma verdadeira aula de cultura pop assim como suas outras obras primas como Alta Fidelidade, Febre de Bola, Um Grande Garoto e Como Ser Legal.
Um Cd: O primeiro disco oficialmente lançado em 2005 à chegar aos meus ouvidos foi The Beekeeper, mais recente álbum da cantora e compositora Tori Amos. O disco em si não apresenta grandes mudanças na estrutura musical da moça e isto quando se trata de Tori Amos é muito bom. Vale a pena destacar as faixas "Sleep With Butterflies" (que possui um refrão memorável), "Witness" e "The Power of Orange Knickers" que conta com participação discreta de Damien Rice.
Um filme: Com direção de Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura, Peixe Grande) Ed Wood é uma cine biografia da vida e da obra de Ed Wood (interpretado por Johnny Depp) quando o mesmo se envolveu com um bando de atores desajustados, incluindo um Bela Lugosi em fim de carreira (interpretado por Martin Landau que faturou o Oscar de Melhor Coadjuvante) e realizou uma série de filmes de péssima qualidade, que o fizeram entrar para o hall da "fama" como o pior diretor de todos os tempos. Mais do que um retrato da via de Wood, o filme demonstra a história de um homem que considerava todas as cenas com péssimos improvisos dos atores perfeitas e que sempre acreditou que seu trabalho alcançaria o estrelato, fato que nunca aconteceu . O filme que, como não poderia deixar de ser, é todo em preto e branco conta ainda com atuações memoráveis de Sarah Jessica Parker, Patricia Arquete e Bill Murray.

20 de março de 2005

Quem tem medo de Virginia Woolf?

Medo? Não. Admiração? Sim. Escrever qualquer linha sobre esta cultuada escritora nunca foi (e nem será) tarefa das mais fáceis já que Virginia apesar de sua curta carreira (graças ao suicídio cometido em março de 1941) deixou um enorme legado ao redor do globo. Certa vez o crítico americano Joseph Warren Beach ao tentar definir a escritora disse que Woolf era "capaz de escrever romances de várias maneiras. De todas, menos da maneira tradicional". Tudo bem que seus dois primeiros trabalhos (The Voyage Out e Noite e Dia) possuam uma estrutura um tanto quanto converncional, mas foi a partir de O Quarto de Jacob, lançado em 1922, que suas obras começaram a ganhar características próprias.
Virginia possuia uma visão atemporal e a utilizava com precisão ao analisar temas recorrentes como a natureza, política, o amor, o universo feminino, a sociedade entre outros de forma totalmente inusitada. Utilizando de elementos como monólogos interiores, Woolf não só criou um novo modo se escrever como também chocou e revolucionou a sociedade na época. É difícil recomendar apenas um livro da autora, mas sua obra mais elogiada até hoje é o clássico Mrs Dolloway que demosntra um dia na vida Clarissa Dolloway. Para comprovar sua importância o mesmo já ganhou versão cinematográfica e também dá a tônica do excelente filme As Horas (adaptação do livro de mesmo nome escrito por Michael Cunningham) que conta um pouco da história da escritora e duas outras mulheres que sofreram influência do livro em épocas diferentes.

Filme - A Última Noite.

Passado quase que forma desapercebida nos cinemas brasileiros, A última noite última película dirigida pelo norte - americano Spike Lee (Faça a coisa certa, O verão de Sam) é realmente um grande trabalho. O filme conta a história de Montgomery Brogan (interpretado brilhantemente por Edward Norton) que veio de uma família da classe trabalhadora. Seus melhores amigos de Monty, Jacob Elinsky (Philip Seymour Hoffman) e Francis Xavier Slaughtery (Barry Pepper) tiveram carreiras como professor de escola secundária e corretor da bolsa, respectivamente, mas Monty preferiu um caminho "diferente" ao se tornar um traficante de drogas. Como basicamente todas as pessoas que trabalham neste meio acabam um dia sendo descobertas com Montgomery não foi diferente. A última noite demonstra o último dia de "Monty" antes de ir para a prisão. Vou parar por aqui para não tirar a graça do filme, mas desde já vale a pena assistir.

18 de março de 2005

Mais do que café e cigarros.

Apesar de dividir opiniões, Sobre Café e Cigarros é um filme muito bacana. Dirigido pelo diretor cult Jim Jarmush (dos clássicos Estranhos no Paraiso, Down by Law, Mystery Train e Dead Man), o filme é baseado em 11 curtas (todos em preto e branco) onde atores e músicos desenvolvem dialógos hilários dos mais diversos assuntos (num verdadeiro culto a banalização) regados a muitas doses de café e tragos de cigarro. Vale a pena destacar as perfomances de Iggy Pop e Tom Waits, o papel duplo interpretado brilhantemente por Cate Blanchet e Bill Murray juntos aos rappers GZA e RZA do Wu Tang Clan.

10 de março de 2005

Filme de ouro.


Passado o "boom" do Oscar, ontem fui conferir Menina de Ouro filme que faturou merecidamente quatro das sete estatuetas que concorria. Além das atuações sublimes do trio principal (leia – se Clint Eastwood, Morgan Freeman e Hillary Swank) podemos destacar também o roteiro primoroso e emocionante (coisa que quando se trata de filmes de Clint Eastwood não é novidade), uma fotografia correta e a abordagem de temas polêmicos como a religião, o preconceito entre outros. Um filme para entrar no rol de clássicos de Clint como Sobre Meninos e Lobos, As Pontes de Madison e Os Imperdoáveis. Um verdadeiro nocaute.