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13 de abril de 2005

DVD - R.E.M. : In view - 1988 / 2003

Pare e pense. Qual banda na longa história do rock possui a maior regularidade musical, oscilando entre bons e excelentes discos de estúdio? Os Beatles? Os Stones? Neil Young? Não, não e não. Esta banda (sim ela existe) é sem sombra de dúvida o R.E.M.. Duvida? Então assita ao DVD - In view - 1988 / 2003, coletânea de vídeos promocionais do grupo desde sua entrada para o cast da gravadora Warner (via o álbum Green).
Mais do que uma mera seleção de vídeos, este DVD demonstra a força de um grupo que superou todas as viradas mercadológicas e conseguiu manter sua integridade tanto no sentido musical quanto ao visual.
Neste seleção, vídeos que até hoje possuem grande veiculação em mtv's da vida como "Losing My Religion", "Everybody Hurts" e "What's the Frequency, Kenneth?" convivem em plena harmonia com clipes "menores" como "Electrolite" (com direção de Spike Jonze) , "Stand", "All the Way to Reno" (com direção de Michael Moore) e o inédito "Bad Day".
Além disso, o DVD traz também discografia completa do grupo, 3 faixas ao vivo de uma apresentação comovente realizada na África do Sul além cométarios da banda em todas as faixas.
O único porém fica pela ausência de alguns clipes que surpreendentemente não entraram na seleção final como "Drive", "Star 69" (outra exímia colaboração de Spike Jonze), "Radio Song" entre outros. Entretanto o que está presente em In view - 1988 / 2003 representa muito bem o potencial desta magistral banda.

10 de abril de 2005

Filme - Felicidade.

Chega a ser estranho, mas este sentimento me perseguiu durante toda semana. No trabalho, em casa e até mesmo nas aulas de filosofia da faculdade essa tal felicidade tornou - se tema em inúmeras discussões. Entretanto álguem sabe responder onde ela realmente está? Esta é tônica do filme Felicidade escrito e dirigido por Todd Solondz (Histórias Proibidas). Ambientado em Nova Jersey, o núcleo central do filme é formado por três irmãs: a mais velha é casada com um psicoterapeuta homossexual e pedófilo, a do meio é ninfomaníaca, e a mais jovem tenta vencer a timidez com a ajuda das canções depressivas que compõe. As três se unem a vários outros personagens, aparentemente desconexos, mas todos tem em comum a busca pela da felicidade pura e simples. Mais do que uma crítica feroz a sociedade americana atual (e por que não mundial), Felicidade é um retrato muito bem acabado do homem pós moderno (que ano após ano se torna muito mais exigente e menos tolerante) e sua busca interminável de algo que nunca será alcançado em sua plenitude: a felicidade.

6 de abril de 2005

Filme da semana - Eterno Amor


Mais um grande filme da dupla Audrey Tautou e Jean-Pierre Jeunet (respectivamente atriz e diretor do sublime O fabuloso destino de Amèlie Poulan), Eterno Amor é realmente emocionante.
Ambientando na primeira guerra mundial, o filme retrata a história da francesa Mathilde (Audrey) que desde a infância vive com os tios (pois perdeu os pais em um acidente trágico) e sofre de uma doença incurável para a época, a poliomelite que a prejudica a andar de forma normal.
Sua vida seguia de forma tristonha até o dia em que conhece e se apaixona pelo jovem e também francês Manech (Gaspard Ulliel) que faz com que seu coração bata novamente.
Mas o destino quis que ambos fossem separados já que Manech fora convocado a lutar pelo seu país.
Passaram-se anos de angústia até que finalmente a guerra chegou a seu fim. Entretanto, durante todo este período Mathilde não obteve notícias de seu noivo e a partir daí inicia uma busca incansável de informações, pois acreditava que ele ainda poderia estar vivo.
Com uma excelente fotografia, cenas de guerra muito bem trabalhadas e um belo elenco (incluindo uma perfomance coadjuvante de Jodie Foster), o filme mostra uma história de amor surreal que consegue de forma heróica nos fazer acreditar que ainda existam pessoas assim, mas claro que para isso devemos esquecer um pouco (ou em alguns casos totalmente) da realidade, pois o tempo e valores da atualidade são outros completamente diferentes.

4 de abril de 2005

Mark Lanegan e Tom Waits em: Gêmeos - Mórbida semelhança

Não! Não se trata daquele filme de David Cronenberg (que é muito bacana por sinal) e sim de dois cantores de épocas distintas, mas que possuem algo em comum.
Waits, como bem sabemos, é da década de 70 e de lá para cá construiu uma carreira sensacional de álbuns clássicos como Closing Time, Rain Dogs e os mais recentes Alice e Blood Money para ínicio de conversa.
Já Lanegan é do fim da década de 80, época em que liderava o grupo Screaming Trees (a eterna grande promessa do grunge) que durou cerca de 10 anos. Com fim da banda o cantor ingressou o grupo Queens of the Stone Age e após um período de divergências com o líder Josh Homme (com quem já havia tocado no Screaming Trees) abandonou a banda e novamente sua carreira solo (que já existia desde os tempos do finado grupo de Seatle) tornou a ser prioridade.
Primordialmente o fator que os une são suas respectivas vozes que estão completamente desgastas após anos que dedicação ao álcool e cigarros, mas que ambos os casos não chegam a ser demérito.
Como se não bastasse, outro fator que os aproximam são as estrutura musicais de ambos apresentam grande semelhança, seja no sentido lírico (na eterna poesia beat de autores como Allen Ginsberg ou Jack Kerouac) quanto as partes instrumentais.
Esta "reflexão" surgiu devido a audição ao recém - lançado em terras brasileiras Bublegum, mais novo álbum de Lanegan, disco que para ficar mais claro poderia defini - lo como um disco de blues "torto", mesclando a sonoridade folk e o rock (como só Tom Waits o faria).
Por isso, caso acontecer uma parceria futura entre estes dois ícones da música não estranhe, apenas agradeça.

27 de março de 2005

Profissão: Roterista.

Primeiramente devo confessar: nunca havia dado devida importância para esta profissão. Ao assitir um filme prestava atenção apenas nos atores envolvidos, no diretor e olhe lá.
Foi somente no ano 2000 que este "preconceito" foi perdido, graças ao filme que particulamente mudo minha vida em diversos apspectos: Quero ser John Malkovich. Após a exbição desta película (cuja a história deixou - me embasbacado) fiquei questionando que seria o autor de tal proeza. Chegado os créditos finais eis que me aparece o nome do sujeito: um tal de Charlie Kaufman.
A partir daí comecei a dar o devido crédito aos autores destas histórias mirabolantes que ganham as telas. Poderia fazer uma lista enorme de pessoas que realizam um belo trabalho, mas por agora prefiro escrever somente sobre o melhor da atualidade: sim ele, Charlie Kaufman.
Diferente de tudo que está por aí, Kaufman possui uma maneira totalmente inovadora graças a seus roteiros muito bem estruturados, inteligentes que misturam temas antagônicos como humor e tristeza, o caos e a paz, o amor e o ódio sempre acompanhados por questionamentos interessantes.
São da autoria de Charlie (hoje com 45 anos) cinco roteriros adaptadados paras as telas: o já citado Quero ser John Malkovich (que tem direção assinada por Spike Jonze, famoso diretor de vídeo clipes), Adaptação(outro grande trabalho ao lado de Jonze cuja história chega a ser auto - biográfica), A natureza quase humana (com direção de Michel Gondry que também outro grande especialista em vídeo clipes) , Confissões de uma mente perigosa (com direção de George Clooney) e talvez o melhor deles, o perfeito Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (realizado novamente em parceria com Michel Gondry).

25 de março de 2005

Eu recomendo.

Um livro: Eu ainda estou no inicio, mas até agora a leitura de 31 canções (de Nick Hornby que finalmente foi lançado no Brasil) tem sido um deleite. Mais do que um mero relato de algumas canções o livro em si é uma verdadeira aula de cultura pop assim como suas outras obras primas como Alta Fidelidade, Febre de Bola, Um Grande Garoto e Como Ser Legal.
Um Cd: O primeiro disco oficialmente lançado em 2005 à chegar aos meus ouvidos foi The Beekeeper, mais recente álbum da cantora e compositora Tori Amos. O disco em si não apresenta grandes mudanças na estrutura musical da moça e isto quando se trata de Tori Amos é muito bom. Vale a pena destacar as faixas "Sleep With Butterflies" (que possui um refrão memorável), "Witness" e "The Power of Orange Knickers" que conta com participação discreta de Damien Rice.
Um filme: Com direção de Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura, Peixe Grande) Ed Wood é uma cine biografia da vida e da obra de Ed Wood (interpretado por Johnny Depp) quando o mesmo se envolveu com um bando de atores desajustados, incluindo um Bela Lugosi em fim de carreira (interpretado por Martin Landau que faturou o Oscar de Melhor Coadjuvante) e realizou uma série de filmes de péssima qualidade, que o fizeram entrar para o hall da "fama" como o pior diretor de todos os tempos. Mais do que um retrato da via de Wood, o filme demonstra a história de um homem que considerava todas as cenas com péssimos improvisos dos atores perfeitas e que sempre acreditou que seu trabalho alcançaria o estrelato, fato que nunca aconteceu . O filme que, como não poderia deixar de ser, é todo em preto e branco conta ainda com atuações memoráveis de Sarah Jessica Parker, Patricia Arquete e Bill Murray.

20 de março de 2005

Quem tem medo de Virginia Woolf?

Medo? Não. Admiração? Sim. Escrever qualquer linha sobre esta cultuada escritora nunca foi (e nem será) tarefa das mais fáceis já que Virginia apesar de sua curta carreira (graças ao suicídio cometido em março de 1941) deixou um enorme legado ao redor do globo. Certa vez o crítico americano Joseph Warren Beach ao tentar definir a escritora disse que Woolf era "capaz de escrever romances de várias maneiras. De todas, menos da maneira tradicional". Tudo bem que seus dois primeiros trabalhos (The Voyage Out e Noite e Dia) possuam uma estrutura um tanto quanto converncional, mas foi a partir de O Quarto de Jacob, lançado em 1922, que suas obras começaram a ganhar características próprias.
Virginia possuia uma visão atemporal e a utilizava com precisão ao analisar temas recorrentes como a natureza, política, o amor, o universo feminino, a sociedade entre outros de forma totalmente inusitada. Utilizando de elementos como monólogos interiores, Woolf não só criou um novo modo se escrever como também chocou e revolucionou a sociedade na época. É difícil recomendar apenas um livro da autora, mas sua obra mais elogiada até hoje é o clássico Mrs Dolloway que demosntra um dia na vida Clarissa Dolloway. Para comprovar sua importância o mesmo já ganhou versão cinematográfica e também dá a tônica do excelente filme As Horas (adaptação do livro de mesmo nome escrito por Michael Cunningham) que conta um pouco da história da escritora e duas outras mulheres que sofreram influência do livro em épocas diferentes.