Páginas

27 de abril de 2005

Filme - A intérprete

Geralmente filmes que envolvem organizações internacionais de investigação, como o FBI por exemplo, do que são constituídos? Inúmeros tiroteios (com balas infindáveis), um romance aqui outro acolá... Bom, é verdade que existem exceções e A Intérprete é um belo exemplo.
Protagonizado por Nicole Kidman e Sean Penn, a película retrata a história de Silvia Broome (Kidman) intérprete das Nações Unidas que, por acaso, ouve uma ameaça de morte a um chefe de estado africano, planejada para ocorrer em plena Assembléia das Nações Unidas. Como a conversa ocorreu em um raro dialeto africano (o Khu), poucas pessoas seriam capazes de compreendê-lo. A ameaça fez com que a vida de Silvia virasse de ponta cabeça, passando a receber ameaças de morte e por isso a proteção do agente federal Tobin Keller (Penn). Keller por sua vez inicia uma busca detalhada sobre o passado de Silvia, encontrando cada vez mais motivos para desconfiar dela. Surge então a dúvida. Keller deveria realmente protegê-la ou será que Silvia estaria envolvida em uma conspiração internacional?
Dotado de um roteiro primoroso que aborda questões políticas atuais, uma trama que não lhe deixa piscar os olhos e a direção correta de Sydney Pollack (A Firma) são os atrativos deste excelente filme.

22 de abril de 2005

Viva la revolución.

Não é por que é dia de Tiradentes, mas hoje assisti à dois ótimos filmes de grandes revolucionários. O primeiro foi a cine biografia do poeta Reynaldo Arenas (interpretado brilhantemente por Javier Bardem), Antes do anoitecer retrata a vida deste ícone desde sua infância pobre, passando pela sua participação na Revolução Cubana, pelo horror e preconceito sofrido em seu país (na época da ditadura) somada ao fato de ser homossexual indo até seu exílio em Nova York (cidade onde viera a falecer em 1990). A película se baseia no livro de mémorias de mesmo nome lançado em 1993.
O outro (que também é uma cine biografia) é Diários de Motocicleta (que tem direção primorosa do brasileiro Walter Sales) que relata a viagem realizada pelo então jovem Che Guevara (Gael Garcia Bernal) estudante de Medicana que, em 1952, decide viajar pela América do Sul com seu amigo Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). A viagem é realizada em uma moto (chamada de "Poderosa"), que acaba quebrando após 8 meses. Eles então passam a seguir viagem através de caronas e caminhadas, sempre conhecendo novos lugares. Porém, quando chegam a Machu Pichu, a dupla conhece uma colônia de leprosos e passam a questionar a validade do progresso econômico da região, que privilegia apenas uma pequena parte da população. Este questionamento futaremente iria transformar em Che num dos maiores ativistas da Revolução Cubana.
Trilha Sonora: Para não perder o espírito latino, a trilha de hoje é a coletânea Tiempo Transcurrido... dos mexicanos do Café Tacuba. Apesar de não gostar deste formato, esta coletânea dá uma bela geral no trabalho deste influente grupo e como é praticamente impossível conseguir discos anteriores de carreira...

13 de abril de 2005

DVD - R.E.M. : In view - 1988 / 2003

Pare e pense. Qual banda na longa história do rock possui a maior regularidade musical, oscilando entre bons e excelentes discos de estúdio? Os Beatles? Os Stones? Neil Young? Não, não e não. Esta banda (sim ela existe) é sem sombra de dúvida o R.E.M.. Duvida? Então assita ao DVD - In view - 1988 / 2003, coletânea de vídeos promocionais do grupo desde sua entrada para o cast da gravadora Warner (via o álbum Green).
Mais do que uma mera seleção de vídeos, este DVD demonstra a força de um grupo que superou todas as viradas mercadológicas e conseguiu manter sua integridade tanto no sentido musical quanto ao visual.
Neste seleção, vídeos que até hoje possuem grande veiculação em mtv's da vida como "Losing My Religion", "Everybody Hurts" e "What's the Frequency, Kenneth?" convivem em plena harmonia com clipes "menores" como "Electrolite" (com direção de Spike Jonze) , "Stand", "All the Way to Reno" (com direção de Michael Moore) e o inédito "Bad Day".
Além disso, o DVD traz também discografia completa do grupo, 3 faixas ao vivo de uma apresentação comovente realizada na África do Sul além cométarios da banda em todas as faixas.
O único porém fica pela ausência de alguns clipes que surpreendentemente não entraram na seleção final como "Drive", "Star 69" (outra exímia colaboração de Spike Jonze), "Radio Song" entre outros. Entretanto o que está presente em In view - 1988 / 2003 representa muito bem o potencial desta magistral banda.

10 de abril de 2005

Filme - Felicidade.

Chega a ser estranho, mas este sentimento me perseguiu durante toda semana. No trabalho, em casa e até mesmo nas aulas de filosofia da faculdade essa tal felicidade tornou - se tema em inúmeras discussões. Entretanto álguem sabe responder onde ela realmente está? Esta é tônica do filme Felicidade escrito e dirigido por Todd Solondz (Histórias Proibidas). Ambientado em Nova Jersey, o núcleo central do filme é formado por três irmãs: a mais velha é casada com um psicoterapeuta homossexual e pedófilo, a do meio é ninfomaníaca, e a mais jovem tenta vencer a timidez com a ajuda das canções depressivas que compõe. As três se unem a vários outros personagens, aparentemente desconexos, mas todos tem em comum a busca pela da felicidade pura e simples. Mais do que uma crítica feroz a sociedade americana atual (e por que não mundial), Felicidade é um retrato muito bem acabado do homem pós moderno (que ano após ano se torna muito mais exigente e menos tolerante) e sua busca interminável de algo que nunca será alcançado em sua plenitude: a felicidade.

6 de abril de 2005

Filme da semana - Eterno Amor


Mais um grande filme da dupla Audrey Tautou e Jean-Pierre Jeunet (respectivamente atriz e diretor do sublime O fabuloso destino de Amèlie Poulan), Eterno Amor é realmente emocionante.
Ambientando na primeira guerra mundial, o filme retrata a história da francesa Mathilde (Audrey) que desde a infância vive com os tios (pois perdeu os pais em um acidente trágico) e sofre de uma doença incurável para a época, a poliomelite que a prejudica a andar de forma normal.
Sua vida seguia de forma tristonha até o dia em que conhece e se apaixona pelo jovem e também francês Manech (Gaspard Ulliel) que faz com que seu coração bata novamente.
Mas o destino quis que ambos fossem separados já que Manech fora convocado a lutar pelo seu país.
Passaram-se anos de angústia até que finalmente a guerra chegou a seu fim. Entretanto, durante todo este período Mathilde não obteve notícias de seu noivo e a partir daí inicia uma busca incansável de informações, pois acreditava que ele ainda poderia estar vivo.
Com uma excelente fotografia, cenas de guerra muito bem trabalhadas e um belo elenco (incluindo uma perfomance coadjuvante de Jodie Foster), o filme mostra uma história de amor surreal que consegue de forma heróica nos fazer acreditar que ainda existam pessoas assim, mas claro que para isso devemos esquecer um pouco (ou em alguns casos totalmente) da realidade, pois o tempo e valores da atualidade são outros completamente diferentes.

4 de abril de 2005

Mark Lanegan e Tom Waits em: Gêmeos - Mórbida semelhança

Não! Não se trata daquele filme de David Cronenberg (que é muito bacana por sinal) e sim de dois cantores de épocas distintas, mas que possuem algo em comum.
Waits, como bem sabemos, é da década de 70 e de lá para cá construiu uma carreira sensacional de álbuns clássicos como Closing Time, Rain Dogs e os mais recentes Alice e Blood Money para ínicio de conversa.
Já Lanegan é do fim da década de 80, época em que liderava o grupo Screaming Trees (a eterna grande promessa do grunge) que durou cerca de 10 anos. Com fim da banda o cantor ingressou o grupo Queens of the Stone Age e após um período de divergências com o líder Josh Homme (com quem já havia tocado no Screaming Trees) abandonou a banda e novamente sua carreira solo (que já existia desde os tempos do finado grupo de Seatle) tornou a ser prioridade.
Primordialmente o fator que os une são suas respectivas vozes que estão completamente desgastas após anos que dedicação ao álcool e cigarros, mas que ambos os casos não chegam a ser demérito.
Como se não bastasse, outro fator que os aproximam são as estrutura musicais de ambos apresentam grande semelhança, seja no sentido lírico (na eterna poesia beat de autores como Allen Ginsberg ou Jack Kerouac) quanto as partes instrumentais.
Esta "reflexão" surgiu devido a audição ao recém - lançado em terras brasileiras Bublegum, mais novo álbum de Lanegan, disco que para ficar mais claro poderia defini - lo como um disco de blues "torto", mesclando a sonoridade folk e o rock (como só Tom Waits o faria).
Por isso, caso acontecer uma parceria futura entre estes dois ícones da música não estranhe, apenas agradeça.

27 de março de 2005

Profissão: Roterista.

Primeiramente devo confessar: nunca havia dado devida importância para esta profissão. Ao assitir um filme prestava atenção apenas nos atores envolvidos, no diretor e olhe lá.
Foi somente no ano 2000 que este "preconceito" foi perdido, graças ao filme que particulamente mudo minha vida em diversos apspectos: Quero ser John Malkovich. Após a exbição desta película (cuja a história deixou - me embasbacado) fiquei questionando que seria o autor de tal proeza. Chegado os créditos finais eis que me aparece o nome do sujeito: um tal de Charlie Kaufman.
A partir daí comecei a dar o devido crédito aos autores destas histórias mirabolantes que ganham as telas. Poderia fazer uma lista enorme de pessoas que realizam um belo trabalho, mas por agora prefiro escrever somente sobre o melhor da atualidade: sim ele, Charlie Kaufman.
Diferente de tudo que está por aí, Kaufman possui uma maneira totalmente inovadora graças a seus roteiros muito bem estruturados, inteligentes que misturam temas antagônicos como humor e tristeza, o caos e a paz, o amor e o ódio sempre acompanhados por questionamentos interessantes.
São da autoria de Charlie (hoje com 45 anos) cinco roteriros adaptadados paras as telas: o já citado Quero ser John Malkovich (que tem direção assinada por Spike Jonze, famoso diretor de vídeo clipes), Adaptação(outro grande trabalho ao lado de Jonze cuja história chega a ser auto - biográfica), A natureza quase humana (com direção de Michel Gondry que também outro grande especialista em vídeo clipes) , Confissões de uma mente perigosa (com direção de George Clooney) e talvez o melhor deles, o perfeito Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (realizado novamente em parceria com Michel Gondry).