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15 de maio de 2005

Semana corrida.

Sem tempo para dedicar - me a outras atividades (leia - se cinema e literatura) esta foi minha trilha sonora desta semana que passou:
Queens of the Stone Age - Lullabyes To Paralyse: Não tem jeito. Apesar de dividir opinões, Lullabyes To Paralyse é um discão, que de forma incrível, consegue manter o nível dos três excelentes álbuns anteriores. Recheado de ótimas canções, guitarras ensurdecedoras e os ótimos refrões, o álbum comprova o por que de muitas milhares pessoas ao redor do globo endeusam Josh Homme.
Doves - Lost Souls: Pelo jeito a fase Doves veio e se estabeleuceu. Semana passada foi a vez do ótimo Some Cities. Para esta, o meu guru (leia - se Marcos "Seu Muniz") me presentou com uma cópia do aclamado disco de estréia. De uma forma geral , Lost Souls se difere um pouco dos discos subsequentes do grupo (talvez por sua densidade), mas isto não retira a beleza deste comovente álbum.
Bob Dylan - Highway 61 Revisited: Em comemoração ao lançamento de Crônicas - Vol.1 (livro auto biográfico do mestre) em terras brasileiras, regastei um maiores (se não o maior) clássico do cantor. Em Highway 61 Revisited, Dylan comete a audácia de escrever algumas das canções mais influentes / perfeitas da história da música. "The Ballad of Thin Man", "Like Rolling Stone", "Desolation Row" são alguns exemplos das pérolas encontradas neste álbum.

8 de maio de 2005

Top 3 - Discos que não sairam do meu cd - player nesta semana.

Beck - Guero: Após produzir seu Blood On the Tracks (clássico melancolico do cantor Bob Dylan), Beck resolveu lançar uma "coletânea". Mas calma lá! Não se trata de uma compilação de hits e sim de sonoridades. Em Guero, Beck conseguiu o que parecia impossível: sintetizar toda sua versatilidade produzida em discos anteriores num único álbum. O resultado, como não poderia deixar de ser, é maravilhoso. O melhor disco da safra 2005 na minha modesta opinião.
Doves - Some Cities: O aguardado sucessor do belíssimo The Last Broadcast também não decepciona. Em Some Cities, o grupo demonstra que andou ouvindo muito U2 e Manic Street Preachers, pois concilia de forma sublime letras com "algo a dizer" junto a melodias cativantes. Ouça a faixa "Black and White Town" e comprove.
Ryan Adams - Rock n' Roll: Enquanto o disco novo do cantor (junto ao grupo The Cardinals) não vem à tona o jeito é ouvir seu último e subestimado álbum. Subestimado pelo razão de ser execrado por uma boa parte da impressa. Tudo bem, é verdade que dentre os álbuns anteriores Rock n' Roll é o mais "fraco", mas não considerar o potencial de canções como "This is it", "So Alive" e a belíssima faixa título, por exemplo, é burrice. E 2005 promete, pois Adams prometeu para ainda neste ano o lançamento de mais 2 álbuns. Vamos aguardar.

27 de abril de 2005

Filme - A intérprete

Geralmente filmes que envolvem organizações internacionais de investigação, como o FBI por exemplo, do que são constituídos? Inúmeros tiroteios (com balas infindáveis), um romance aqui outro acolá... Bom, é verdade que existem exceções e A Intérprete é um belo exemplo.
Protagonizado por Nicole Kidman e Sean Penn, a película retrata a história de Silvia Broome (Kidman) intérprete das Nações Unidas que, por acaso, ouve uma ameaça de morte a um chefe de estado africano, planejada para ocorrer em plena Assembléia das Nações Unidas. Como a conversa ocorreu em um raro dialeto africano (o Khu), poucas pessoas seriam capazes de compreendê-lo. A ameaça fez com que a vida de Silvia virasse de ponta cabeça, passando a receber ameaças de morte e por isso a proteção do agente federal Tobin Keller (Penn). Keller por sua vez inicia uma busca detalhada sobre o passado de Silvia, encontrando cada vez mais motivos para desconfiar dela. Surge então a dúvida. Keller deveria realmente protegê-la ou será que Silvia estaria envolvida em uma conspiração internacional?
Dotado de um roteiro primoroso que aborda questões políticas atuais, uma trama que não lhe deixa piscar os olhos e a direção correta de Sydney Pollack (A Firma) são os atrativos deste excelente filme.

22 de abril de 2005

Viva la revolución.

Não é por que é dia de Tiradentes, mas hoje assisti à dois ótimos filmes de grandes revolucionários. O primeiro foi a cine biografia do poeta Reynaldo Arenas (interpretado brilhantemente por Javier Bardem), Antes do anoitecer retrata a vida deste ícone desde sua infância pobre, passando pela sua participação na Revolução Cubana, pelo horror e preconceito sofrido em seu país (na época da ditadura) somada ao fato de ser homossexual indo até seu exílio em Nova York (cidade onde viera a falecer em 1990). A película se baseia no livro de mémorias de mesmo nome lançado em 1993.
O outro (que também é uma cine biografia) é Diários de Motocicleta (que tem direção primorosa do brasileiro Walter Sales) que relata a viagem realizada pelo então jovem Che Guevara (Gael Garcia Bernal) estudante de Medicana que, em 1952, decide viajar pela América do Sul com seu amigo Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). A viagem é realizada em uma moto (chamada de "Poderosa"), que acaba quebrando após 8 meses. Eles então passam a seguir viagem através de caronas e caminhadas, sempre conhecendo novos lugares. Porém, quando chegam a Machu Pichu, a dupla conhece uma colônia de leprosos e passam a questionar a validade do progresso econômico da região, que privilegia apenas uma pequena parte da população. Este questionamento futaremente iria transformar em Che num dos maiores ativistas da Revolução Cubana.
Trilha Sonora: Para não perder o espírito latino, a trilha de hoje é a coletânea Tiempo Transcurrido... dos mexicanos do Café Tacuba. Apesar de não gostar deste formato, esta coletânea dá uma bela geral no trabalho deste influente grupo e como é praticamente impossível conseguir discos anteriores de carreira...

13 de abril de 2005

DVD - R.E.M. : In view - 1988 / 2003

Pare e pense. Qual banda na longa história do rock possui a maior regularidade musical, oscilando entre bons e excelentes discos de estúdio? Os Beatles? Os Stones? Neil Young? Não, não e não. Esta banda (sim ela existe) é sem sombra de dúvida o R.E.M.. Duvida? Então assita ao DVD - In view - 1988 / 2003, coletânea de vídeos promocionais do grupo desde sua entrada para o cast da gravadora Warner (via o álbum Green).
Mais do que uma mera seleção de vídeos, este DVD demonstra a força de um grupo que superou todas as viradas mercadológicas e conseguiu manter sua integridade tanto no sentido musical quanto ao visual.
Neste seleção, vídeos que até hoje possuem grande veiculação em mtv's da vida como "Losing My Religion", "Everybody Hurts" e "What's the Frequency, Kenneth?" convivem em plena harmonia com clipes "menores" como "Electrolite" (com direção de Spike Jonze) , "Stand", "All the Way to Reno" (com direção de Michael Moore) e o inédito "Bad Day".
Além disso, o DVD traz também discografia completa do grupo, 3 faixas ao vivo de uma apresentação comovente realizada na África do Sul além cométarios da banda em todas as faixas.
O único porém fica pela ausência de alguns clipes que surpreendentemente não entraram na seleção final como "Drive", "Star 69" (outra exímia colaboração de Spike Jonze), "Radio Song" entre outros. Entretanto o que está presente em In view - 1988 / 2003 representa muito bem o potencial desta magistral banda.

10 de abril de 2005

Filme - Felicidade.

Chega a ser estranho, mas este sentimento me perseguiu durante toda semana. No trabalho, em casa e até mesmo nas aulas de filosofia da faculdade essa tal felicidade tornou - se tema em inúmeras discussões. Entretanto álguem sabe responder onde ela realmente está? Esta é tônica do filme Felicidade escrito e dirigido por Todd Solondz (Histórias Proibidas). Ambientado em Nova Jersey, o núcleo central do filme é formado por três irmãs: a mais velha é casada com um psicoterapeuta homossexual e pedófilo, a do meio é ninfomaníaca, e a mais jovem tenta vencer a timidez com a ajuda das canções depressivas que compõe. As três se unem a vários outros personagens, aparentemente desconexos, mas todos tem em comum a busca pela da felicidade pura e simples. Mais do que uma crítica feroz a sociedade americana atual (e por que não mundial), Felicidade é um retrato muito bem acabado do homem pós moderno (que ano após ano se torna muito mais exigente e menos tolerante) e sua busca interminável de algo que nunca será alcançado em sua plenitude: a felicidade.

6 de abril de 2005

Filme da semana - Eterno Amor


Mais um grande filme da dupla Audrey Tautou e Jean-Pierre Jeunet (respectivamente atriz e diretor do sublime O fabuloso destino de Amèlie Poulan), Eterno Amor é realmente emocionante.
Ambientando na primeira guerra mundial, o filme retrata a história da francesa Mathilde (Audrey) que desde a infância vive com os tios (pois perdeu os pais em um acidente trágico) e sofre de uma doença incurável para a época, a poliomelite que a prejudica a andar de forma normal.
Sua vida seguia de forma tristonha até o dia em que conhece e se apaixona pelo jovem e também francês Manech (Gaspard Ulliel) que faz com que seu coração bata novamente.
Mas o destino quis que ambos fossem separados já que Manech fora convocado a lutar pelo seu país.
Passaram-se anos de angústia até que finalmente a guerra chegou a seu fim. Entretanto, durante todo este período Mathilde não obteve notícias de seu noivo e a partir daí inicia uma busca incansável de informações, pois acreditava que ele ainda poderia estar vivo.
Com uma excelente fotografia, cenas de guerra muito bem trabalhadas e um belo elenco (incluindo uma perfomance coadjuvante de Jodie Foster), o filme mostra uma história de amor surreal que consegue de forma heróica nos fazer acreditar que ainda existam pessoas assim, mas claro que para isso devemos esquecer um pouco (ou em alguns casos totalmente) da realidade, pois o tempo e valores da atualidade são outros completamente diferentes.