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25 de junho de 2005

Filme – Batman Begins


Antes de mais de qualquer coisa, devo confessar: sou fã incondicional do homem morcego. Tão admirador que desde a minha velha infância tudo o que envolvia este enigmático ser (seja revistas em quadrinhos, seriados televisivos, desenhos animados, etc.) me fascinava.
Mas este quadro começou a apresentar mudanças a partir de meados dos anos 90 quando a industria hollywoodiana aproveitou – se da popularidade do personagem para realizar adaptações pífias que renderam alguns milhões para seu respectivo caixa e uma enorme falta de prestígio com os fãs.
Quando soube de mais adaptação estava a caminho meu coração quase parou, pois não iria suportar mais um baque como ocorreram nos quatro filmes anteriores a este Batman Begins. Mesmo sabendo que a direção ficaria a cargo de Christopher Nolan (do perfeito Amnésia) e que contaria com um elenco de estrelas formado por atores do quilate de Morgan Freeman, Liam Neeson, Michael Caine, Katie Holmes, Gary Oldman, Christian Bale e Rutger Hauer fiquei com bastante receio, mas preferi me arriscar e não me arrependi.
Diferente dos anteriores, Batman Begins vai nas profundezas de Bruce Wayne, demonstrando de forma precisa a origem do milionário como também seus temores (como o assassinato dos pais), seu treinamento até a decisão de salvar a cidade de Gothan City com suas próprias mãos do crime organizado. E é justamente esta seqüência de fatos (que passaram desapercebidas nas outras adaptações) que são os verdadeiros trunfos desta nova versão que de tão nova deixa no filme margem para um novo começo já que novamente o vilão Coringa dará as caras. Um filme realmente antológico.

22 de junho de 2005

I’m back.

Após um hiato de três semanas (que foram bastante conturbadas vide problemas com trabalho, relacionamento e faculdade) estou de volta, relatando o que foi trilha por estes dias. Surpreendentemente as mesmas ilustram, e bem, o que foi este período:
Nine Inch Nails - With Teeth: Trent Reznor está de volta e pop. Sim, pop! Basta uma pequena audição With Teeth , quarto álbum do grupo, para comprovar as mudanças sonoras que vieram em boa hora, pois o disco desde seu lançamento figura na primeiras posições na parada da Billboard, fato este que não ocorria desde o álbum The Fragile (1999). Já nas letras Reznor comprova que ainda sabe demonstrar as agruras do mundo seja no âmbito político ( "The Hands that Feeds") seja quesito existencialista ("Do You Know What You Are?") onde apresentada sua veia Noan Chomsky (escritor, filosofo e sociólogo norte americano). A cereja do bolo fica por conta da participação, mais do que especial, de Dave Ghrohl que literalmente esmurra a bateria em grande parte das 14 canções presentes no álbum.
Wilco – Summerteeth: Lembro – me certa vez de ler no site Yer Blues (www.yerblues.com.br) uma resenha sobre este disco, escrita por Jonas Lopes, que falava das maravilhas cometidas por Jeff Tweedy e cia. limitada neste álbum. Na época não dei a devida atenção por que minha fase Wilco já havia passado, via Being There, e se me engano, Yankee Hotel Foxtrot ainda não havia sido lançado. Mas, por coincidência do destino, ou não, o disco aparece em minhas mão em momento bastante oportuno: o fim (ou interlúdio) de meu relacionamento. Coincidência esta porque a temática de Summerteeth é, quase em sua totalidade, baseada neste período complicado na vida dor ser humano. Entretanto, Jeff trata este momento de forma totalmente diferente, pois o álbum possui um frescor pop nunca encontrado nos álbuns anteriores do grupo. Ecos de Beach Boys, Beatles e até Built to Spill não percebidos durante a audição desta obra – prima que teima em não deixar meu cd – player.
Oasis – Don’t Belive the Truth: a volta por cima dos ingleses. Após o lançamento de três álbuns regulares, o Oasis reencontrou o seu caminho. Em Don’t Belive the Truth, o grupo retorna a sonoridade que o consagrou (um rock n’ roll simples, cru e como dizem por aí "burro"), fato que não acontecia a um bom tempo. Para comprovar esta nova fase, as composições não estão mais centradas nas mãos de Noel (que está cada vez melhor), pois Liam, Andy e Gem também comparecem com composições próprias. A entrada do baterista Zak Starkey (filho de Ringo Star) também é destaque já que é incrível a semelhança no modo preciso de tocar o instrumento. Tal o pai, tal o filho.

27 de maio de 2005

De volta e em forma.

Após uma sequência errônea de filmes (leia se: O Escorpião de Jade, Dirigindo no Escuro e Igual a Tudo na Vida) , Woody Allen está de volta a velha forma graças a seu mais "novo filme" (quer dizer, nem tão novo assim já que a exibição no resto do globo fora realizada no ano passado e só agora será exibido no Brasil), o perfeito Melinda e Melinda.
A película retrata a história de quatro nova-iorquinos que se encontram incilamente para jantar em uma noite chuvosa. Uma história contada durante o jantar dá início a uma discusão entre Max (Larry Pine) e Sy (Wallace Shaw), dois escritores, que passam a discutir a dualidade do drama humano através das máscaras da tragédia e da comédia. Os dois escritores passam então a desenvolver duas histórias, uma cômica e outra trágica, protagonizadas por uma mulher chamada Melinda (interpretada de forma magistral por Radha Mitchell).
Um roteiro primoroso, com personagens sensacionais (como só Allen poderia idealizar) e um elenco de primeira contando com performances de Amanda Peet, Chloë Sevigny e Will Farrel (em papel hilário) são os destaques desta obra - prima de Allen que vem a tona para nos demonstrar que às vezes a vida pode ser tanto trágica quanto hilária já que estes elementos, inicialmente dispares, tem muito em comum e podem, e devem, caminhar lado a lado. Portanto, aproveite a vida ao máximo.

15 de maio de 2005

Semana corrida.

Sem tempo para dedicar - me a outras atividades (leia - se cinema e literatura) esta foi minha trilha sonora desta semana que passou:
Queens of the Stone Age - Lullabyes To Paralyse: Não tem jeito. Apesar de dividir opinões, Lullabyes To Paralyse é um discão, que de forma incrível, consegue manter o nível dos três excelentes álbuns anteriores. Recheado de ótimas canções, guitarras ensurdecedoras e os ótimos refrões, o álbum comprova o por que de muitas milhares pessoas ao redor do globo endeusam Josh Homme.
Doves - Lost Souls: Pelo jeito a fase Doves veio e se estabeleuceu. Semana passada foi a vez do ótimo Some Cities. Para esta, o meu guru (leia - se Marcos "Seu Muniz") me presentou com uma cópia do aclamado disco de estréia. De uma forma geral , Lost Souls se difere um pouco dos discos subsequentes do grupo (talvez por sua densidade), mas isto não retira a beleza deste comovente álbum.
Bob Dylan - Highway 61 Revisited: Em comemoração ao lançamento de Crônicas - Vol.1 (livro auto biográfico do mestre) em terras brasileiras, regastei um maiores (se não o maior) clássico do cantor. Em Highway 61 Revisited, Dylan comete a audácia de escrever algumas das canções mais influentes / perfeitas da história da música. "The Ballad of Thin Man", "Like Rolling Stone", "Desolation Row" são alguns exemplos das pérolas encontradas neste álbum.

8 de maio de 2005

Top 3 - Discos que não sairam do meu cd - player nesta semana.

Beck - Guero: Após produzir seu Blood On the Tracks (clássico melancolico do cantor Bob Dylan), Beck resolveu lançar uma "coletânea". Mas calma lá! Não se trata de uma compilação de hits e sim de sonoridades. Em Guero, Beck conseguiu o que parecia impossível: sintetizar toda sua versatilidade produzida em discos anteriores num único álbum. O resultado, como não poderia deixar de ser, é maravilhoso. O melhor disco da safra 2005 na minha modesta opinião.
Doves - Some Cities: O aguardado sucessor do belíssimo The Last Broadcast também não decepciona. Em Some Cities, o grupo demonstra que andou ouvindo muito U2 e Manic Street Preachers, pois concilia de forma sublime letras com "algo a dizer" junto a melodias cativantes. Ouça a faixa "Black and White Town" e comprove.
Ryan Adams - Rock n' Roll: Enquanto o disco novo do cantor (junto ao grupo The Cardinals) não vem à tona o jeito é ouvir seu último e subestimado álbum. Subestimado pelo razão de ser execrado por uma boa parte da impressa. Tudo bem, é verdade que dentre os álbuns anteriores Rock n' Roll é o mais "fraco", mas não considerar o potencial de canções como "This is it", "So Alive" e a belíssima faixa título, por exemplo, é burrice. E 2005 promete, pois Adams prometeu para ainda neste ano o lançamento de mais 2 álbuns. Vamos aguardar.

27 de abril de 2005

Filme - A intérprete

Geralmente filmes que envolvem organizações internacionais de investigação, como o FBI por exemplo, do que são constituídos? Inúmeros tiroteios (com balas infindáveis), um romance aqui outro acolá... Bom, é verdade que existem exceções e A Intérprete é um belo exemplo.
Protagonizado por Nicole Kidman e Sean Penn, a película retrata a história de Silvia Broome (Kidman) intérprete das Nações Unidas que, por acaso, ouve uma ameaça de morte a um chefe de estado africano, planejada para ocorrer em plena Assembléia das Nações Unidas. Como a conversa ocorreu em um raro dialeto africano (o Khu), poucas pessoas seriam capazes de compreendê-lo. A ameaça fez com que a vida de Silvia virasse de ponta cabeça, passando a receber ameaças de morte e por isso a proteção do agente federal Tobin Keller (Penn). Keller por sua vez inicia uma busca detalhada sobre o passado de Silvia, encontrando cada vez mais motivos para desconfiar dela. Surge então a dúvida. Keller deveria realmente protegê-la ou será que Silvia estaria envolvida em uma conspiração internacional?
Dotado de um roteiro primoroso que aborda questões políticas atuais, uma trama que não lhe deixa piscar os olhos e a direção correta de Sydney Pollack (A Firma) são os atrativos deste excelente filme.

22 de abril de 2005

Viva la revolución.

Não é por que é dia de Tiradentes, mas hoje assisti à dois ótimos filmes de grandes revolucionários. O primeiro foi a cine biografia do poeta Reynaldo Arenas (interpretado brilhantemente por Javier Bardem), Antes do anoitecer retrata a vida deste ícone desde sua infância pobre, passando pela sua participação na Revolução Cubana, pelo horror e preconceito sofrido em seu país (na época da ditadura) somada ao fato de ser homossexual indo até seu exílio em Nova York (cidade onde viera a falecer em 1990). A película se baseia no livro de mémorias de mesmo nome lançado em 1993.
O outro (que também é uma cine biografia) é Diários de Motocicleta (que tem direção primorosa do brasileiro Walter Sales) que relata a viagem realizada pelo então jovem Che Guevara (Gael Garcia Bernal) estudante de Medicana que, em 1952, decide viajar pela América do Sul com seu amigo Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). A viagem é realizada em uma moto (chamada de "Poderosa"), que acaba quebrando após 8 meses. Eles então passam a seguir viagem através de caronas e caminhadas, sempre conhecendo novos lugares. Porém, quando chegam a Machu Pichu, a dupla conhece uma colônia de leprosos e passam a questionar a validade do progresso econômico da região, que privilegia apenas uma pequena parte da população. Este questionamento futaremente iria transformar em Che num dos maiores ativistas da Revolução Cubana.
Trilha Sonora: Para não perder o espírito latino, a trilha de hoje é a coletânea Tiempo Transcurrido... dos mexicanos do Café Tacuba. Apesar de não gostar deste formato, esta coletânea dá uma bela geral no trabalho deste influente grupo e como é praticamente impossível conseguir discos anteriores de carreira...