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28 de dezembro de 2005

I’m so bored with the real life

Pode soar estranho, mas é o que estou sentindo ultimamente. Numa hora dessas no ano passado estava eu todo eufórico com o fim de ano, cheio de planos para o futuro e tal. Entretanto, hoje ando tão chateado e cansado que minha vontade era de sumir da face da terra ou fazer como a personagem central de A Redoma de Vidro (de Silvia Plath) que buscava se isolar do “mundo real” ( e aqui as aspas são realmente cabíveis). Quer um exemplo: o meu natal fora um porre. Ou você chama de natal um bando de familiares que fingem que te amam e você acaba por fim retribuindo da mesma forma? Sem contar o tradicional amigo oculto onde ganhei uma coletânea (forma mercadológica que odeio) da Legião Urbana (que nunca gostei), mas graças a Deus consegui trocar. Em suma: tedioso. Minha vontade em momentos como este é me isolar em minha redoma de vidro (meu quarto) seguir a leitura de um bom livro (como o lindo Almoço no Restaurante da Saudade de Anne Tyler) e ouvir Bruce Springsteen, que me ajuda muito, pois consegue de forma heróica fazer com que volte a sonhar com um mundo melhor. Assim como ele “I’m waiting for a sunny day”. Não sei se ele virá, mas...

24 de dezembro de 2005

Melhores shows de 2005

2005 foi um ano que praticamente não sai de casa para assistir shows. Mas também quando sai... foram noites histórias.Além das já comentadas apresentações de Iggy Pop and Stooges, NIN e Flaming Lips, outras três apresentações adentram ao concorrido hall de melhores deste ano. Sim, três! Pois houve um empate técnico na ala nacional. Taí:
Elvis Costello / 27 de outubro: Como vocês acompanharam por aqui eu tive (e ainda estou tendo) um verdadeiro orgasmo graças a sensacional obra do mestre. E como se não bastasse a apresentação do cantor em solo mineiro fora surreal. Um repertório recheado de clássicos (melhor até que a apresentação carioca), uma banda de apoio competente e a performance empolgante deixaram o público embasbacado. Até quem mesmo não conhecia sua discografia saiu vangloriando. O único senão foram as minguadas 1500 pessoas (sendo apenas 250 pagantes) que deixaram o extenso Chevrolet Hall vazio.Deixando isto de lado e pensando no famoso manual de “como envelhecer no universo rock”, Elvis Costello parece ter lido e decorado todo o conteúdo.
Los Hermanos / 25 de outubro: Dois dias antes do show de Elvis Costello o mesmo Chevrolet Hall recebeu, mais uma vez, os cariocas dos Los Hermanos. Esta fora a quarta vez que assisti ao grupo em ação, mas esta apresentação ganhou em um quesito fundamental: emoção. Com a casa cheia, a banda comandou seus fiéis súditos (que aumentam a cada dia mais) por uma hora e meia onde todas as canções foram em uníssono. Até mesmo as do mais recente 4 não foram “perdoadas”. O melhor de tudo foi olhar a cara de cada um dos presentes, pois todos tinham algo em comum, um belo sorriso estampado do rosto.
Nação Zumbi / 12 de dezembro: Em plena segunda – feira (chuvosa), após mais um dia fatigante de trabalho recebo a notícia de uma apresentação gratuita da Nação na Praça da Estação. O que fazer? Ir ou não ir. Se você está lendo isto aqui pode ter certeza: eu persisti e estive lá. Estava completamente esgotado, mas o show foi tão enérgico que as duas horas de apresentação passaram como segundos de tão bom que foi.Além de privilegiar o ótimo novo álbum, Futura, o repertório do grupo apresentou canções como “Macô”, “Risoflora” entre outras que geralmente não fazem parte do set list. Isto sem contar a presença, mais do que especial, de B. Negão (ex – Planet Hemp) que abrilhantou ainda mais a noite dividindo os vocais com Jorge Du Peixe em “Quando a Maré Encher” e “Da Lama ao Caos” que fechou a apresentação em alto nível de energia. Pulsante ao extremo.

18 de dezembro de 2005

Retrospectiva 2005

Terminada a narrativa de minha “aventura” carioca, inicio hoje a tradicional retrospectiva anual. À Rob Fleming (ou Gordon?) segue abaixo a primeira parte (sem seguir um certa ordem de preferência):

Top 5 - Melhores canções de 2005

“Everyday I Love You Less and Less” – Kaiser Chiefs: Cartão de visita do bom disco de estréia dos ingleses. Um elo perfeito entre a sonoridade enérgica do The Clash com pitadas de Blur.
“Dakota” – Stereophonics: Com cara de 80’s, Kelly Jones e cia. comovem com uma belíssima canção versando sobre um amor de verão.
“Gospel Song” – Black Rebel Motorcycle Club: Canção presente no surpreendente Howl e de beleza indescritível.
“Red Red Red” – Fiona Apple: Com o auxílio de uma orquestra e certa cadência trip – hop, Fiona compôs, talvez, a mais bela canção soturna de sua carreira. De arrepiar.
“Keep the Dream Alive” – Oasis: Esta entrou aos 45 minutos do segundo tempo (no lugar da também ótima “Soul Meets Body” do Death Cab) e mudou tudo. Sempre admirei Noel como compositor, mas quem fez a diferença no álbum Don’t Believe the Truth foi Andy Bell. São dele as ótimas “Turn up the Sun” e a esperançosa “Keep the Dream Alive” que somente agora, às vésperas do ano novo, fez sentido para mim. Veja só porque:
Keep The Dream Alive
'Four Seasons' seconds flicker and flash I'm alone
A lonely scream provides the scene, It's no home
Every night I hear you scream,
But you don't say what you mean
This was my dream, but now my dream has flown
I'm at the crossroads, waiting for a sign
My life is standing still, but I'm still alive
Every night I think I know
In the morning where did it go?
The answers disappear when I open my eyes
I'm no stranger to this place
Where real life and dreams collide
And even though I fall from grace
I will keep the dream alive
I will keep the dream alive

15 de dezembro de 2005

Capítulo 4 – “The Boy Are Back in Town”

Segunda, 28 de novembro, 05:00

Totalmente cansado a viagem de retorno teve seu inicio às 05:00.
Gostaria muito de me despedir da Cidade Maravilhosa (olhar, pelo menos mais uma vez o mar...), mas o desgaste fora tanto que dormi praticamente todo o trajeto de retorno.
Cheguei, são e salvo, em BH às 12:30, mas meu coração ficou por lá.
Fico pensando até hoje o que seria de mim hoje caso não tivesse realizado esta “surreal aventura”.
Mas como nada é para sempre, volto – me a minha “vida real” porém com um diferencial: recheado de boas lembranças que ficaram marcadas por um bom tempo. E que seja eterno enquanto dure.

12 de dezembro de 2005

Capítulo 3 – “As próximas horas serão muito boas”

Domingo, 27 de novembro, 15:00
Chegamos por das 15:00 horas na Cidade do Rock.
Encontramos uma certa dificuldade para estacionar, mas no final das contas conseguimos um lugar muito conveniente: a própria Cidade do Rock.
Já estabelecidos no local do show adentramos pelo portão errado e fomos, literalmente, expulsos pela organização. Resultado: dar uma enorme volta para entrar pelo local certo.Dada volta e passados todos os problemas e burocracias ainda faltava por volta de uma hora para o “inicio” do festival.
O que fazer neste momento? Descansar. Na chamada área lounge existiam algumas enormes almofadas (pufs?) que vieram a ajudar neste celebre momento.
Bom e finalmente chegou o momento que todos esperavam: 17:00 horas, mas... um dos palcos apresentou problemas técnicos. Com isso o evento atrasou seu inicio em praticamente três horas e quem pagou o pato, além do público, foi o pessoal da Nação Zumbi que cancelou sua apresentação.
Problemas resolvidos foi dado o começo da “maratona” com os gaúchos da Cachorro Grande que fizeram um grande show misturando hits (“Dia Perfeito”, “Hey Amigo”) com a sensacional cover de Helter Skelter (de você sabe quem). Saíram aplaudidos com justiça.
Já o Good Charlote... bom este eu vi de forma bem distante, pois optei por assistir ao pessoal do Flaming Lips organizar o palco. Uma frase que resumiria a pífia sonoridade do grupo seria: “punk pop para adolescentes ‘rebeldes’, ‘darks’ de quinta categoria”.
Logo após foi a vez do insano Mike Patton e seu não menos louco Fantômas se “apresentar”. As aspas são válidas porque o que o público carioca presenciou foi algo como um ensaio onde ritmos dispares como death metal, rock, pop, bossa (e tudo mais o que fosse possível) se misturavam de forma cadenciada. A maioria chiou, mas os fãs (eu sou um deles) ovacionaram o tempo todo. Até rolaria o bis, mas a apresentação foi encurtada pelo fato do comentado Flaming Lips já estar pronto no outro palco
A apresentação do grupo de Oklahoma foi algo que nunca vou esquecer de tão emocionante que foi. A começar pelo roupas hilárias utilizadas pelos integrantes (até o papai noel estava lá). Dos lados esquerdo e direito do palco estavam várias pessoas vestidas com roupas de “bichinhos da parmalat” que não paravam de dançar. Atrás do palco havia um telão onde eram projetadas várias imagens que condiziam com as músicas apresentadas. O vocalista Wayne Coyne é um show man em termos de interação: o cara atira serpentina no público, joga confeti e enormes bolas de plástico que transitaram durante o tempo todo de lado para o outro. Infelizmente a famosa bolha que Wayne utiliza para literalmente “passar” por cima do público foi utilizada somente em cima do palco já que a apresentação do grupo fora encurtada. O repertório foi calcado em canções do grupo como “Race for Prize”, “She Don’t Use Jelly” e a linda “Do You Realize” junto a covers inusitadas de Queen (“Bohemian Rhapisody”) e Black Sabbath (“War Pigs”, esta em homenagem a George W. Bush). No final até quem não conhecia saudou a banda que deixou o palco com um gostinho de quero mais. Sensacional.
Finalmente chegou a hora de que a grande parte do público esperava: o show de Iggy Pop junto aos comparsas do Stooges. E que apresentação foi presenciada pelo público presente: Iggy realmente “toca o puteiro”, pois não para um minuto. Além disso o “cara” interage com público o tempo inteiro, simula fazer sexo com a caixa de som (hã?), deixa suas partes intimas aparecerem, chama o público para cima do palco, tocam duas vezes o hino “I Wanna be Your Dog”.... Em suma: surreal. Não tocaram “Search and Destroy”, porém isto foi um pequeno equívoco da apresentação perfeita dos papas do punk rock.
A noite para mim já estava ganha, mas ainda tinha Sonic Youth e NIN pela frente.
O Sonic Youth tinha tudo para fazer uma apresentação de gala, mas não a fizeram. Optaram por privilegiar seu curto set list de 5 músicas (ou foram 6) em Sonic Nurse (disco deveras mediano). Com se não bastasse o som estava muito baixo, quase inaudível. As tradicionais microfonias, a performance elétrica de Thruston Moore e cia. estavam lá, mas ainda sim saíram devendo. Uma pena.
Quem passou longe disso foi Trent Reznor e o seu NIN que fecharam a noite de forma ensurdecedora. Tudo estava perfeito (quer dizer quase tudo, pois fazia um frio de rachar) já que set list foi sensacional (só faltou “Perfect Drug”), o jogo de iluminação do palco brilhante e a performance de todo grupo. Abriram com “Wish” e fecharam com “Head Like a Hole”. Castigo, castigo, castigo.
Olho para o celular, totalmente esgotado de energias, e me assusto: 04:30 da madrugada de segunda – feira. Hora de voltar para casa.

8 de dezembro de 2005

Capítulo 2 – “Aquele abraço”

Domingo, 27 de novembro, 09:15

Após alguns cochilos eventuais precisamente às 09:15 chegamos a cidade maravilhosa.
Agora realmente eu acredito nas sábias palavras do ministro Gilberto Gil cantadas em “Aquele Abraço”, pois o Rio de Janeiro “continua lindo”. Bom, pelo menos a parte que conheci (Copacabana) é sensacional.
Um belo projeto arquitetônico e as mais belas praias se destacam de todo o resto.
Ficamos por volta de 40 minutos tentando encontrar um lugar próximo a praia até que finalmente chegamos.
Foi estipulado o retorno para às 13:00, mas minha vontade era ficar ali para todo e sempre.
Não existe sensação melhor do que caminhar junto a imensidão do mar, tomando Coca – Cola, fumando cigarro somado ao agradável sol que predominava. Estas talvez foram às três horas mais deliciosas da minha vida. Entretanto, tudo o que é bom dura pouco (ou passa rapidamente) e aqui não foi diferente.
De volta ao ônibus partimos, quase de imediato, para nosso real destino: o festival.

4 de dezembro de 2005

Há exatamente uma semana atrás estava eu no Rio de Janeiro contando às horas para o Claro que é Rock.
Apesar do tempo passado, tudo continua fresco em minha mente.
Pretendo contar tudo (ou o que a memória permitir) divido em quatro capítulos. Eis o primeiro:
Capítulo 1 – “A ida”
Sábado, 26 de novembro, 23:30
Como disse no post anterior (o que eu chamo de “prólogo”) estava com dúvidas em relação ao fato de ir ou não para o evento.
Já havia chegado ao local de partida e tudo envolvendo a viagem estava certo: pagamento, ingresso, mochila pronta, bons CDs e livros para acompanhar e ainda não havia decidido.
Adentrei ao ônibus às 01:00 do Domingo um pouco mais otimista (em razão ainda obscura). Meia hora depois foi dado o inicio da minha solitária viagem.
Grande parte dos meus acompanhantes já se conheciam e praticamente “zuaram” o tempo todo, fator este que me impediu de ler, dormir ou qualquer coisa desse tipo.
Tanto barulho comandado pelo grupo de junkies fanfarrões foi compensado pela exibição de bons DVD’s como uma compilação de vídeos clipes do Nine Inch Nails e do obrigatório Goo do Sonic Youth, que esquentaram as turbinas para o que viria mais tarde.