Páginas

23 de fevereiro de 2006

Allen é um gênio. Mesmo não aceitando tal alcunha.

Que filme. Quem ainda questiona a genialidade de Woody Allen precisa, urgentemente, assitir a Match Point, nova obra - prima do diretor.
Ficar retratando o roteiro (primoroso) seria uma tarefa um tanto quanto díficil, tamanha a variedade de gêneros desenvolvidos.
Inicialmente, tudo começa em forma de drama. Ai o que era drama se transforma - se em algo com cavalares de sensualidade (graças a estonteante e extremamente sensual personagem de Scarlett Johansson). Depois a trama ganha ares de suspense policial. E por ai vai.
Apesar de alguns elementos característicos do diretor estarem presentes (como as referências literárias), o filme aponta novos caminhos para filmografia de Allen já que a trilha sonora agora prima pela música clássica, deixando de lado a tradicional sonoridade jazz. Além disso, Ponto Final possui mais de duas horas de duração, fato até então inédito tratando - se de Woody. Como se não bastasse a velha Manhattan, cidade berço de vários filmes, agora deu lugar a maravilhosa Londres, acrescentado beleza ainda maior a película.
Daqui a duas semanas teremos a festa do Oscar. Se o filme de Allen, que concorre em 5 categorias, vai faturar algum prêmio fica a dúvida, mas o fato é que mais uma vez, assim como no subestimado Melinda e Melinda, o diretor acerta em cheio neste filme que é o melhor do ano até agora.

20 de fevereiro de 2006

Garimpar é preciso.

Numa sociedade consumista o que geralmente se faz quando tudo está errado e basicamente todos os seus planos vão por água abaixo (leia – se Stones + U2)? Você vai para um shopping da vida e gasta horrores em prol de sua “felicidade temporária”. Não é verdade? Bom basicamente foi isto o que aconteceu comigo. Porém troquei os chatíssimos shoppings por alguns lugares muito mais agradáveis: os sebos. Pois é lá que a minha felicidade geralmente se encontra. Quando vejo preciosidades como as que são citadas abaixo, em preços maravilhosos e formato idem eu quase chego lá. Viva la vinil!

Bob Dylan – Planet Waves: Ouvindo mais um clássico do mestre, gravado junto aos comparsas (e não menos geniais) do The Band fica a pergunta: será que algum dia Dylan fez algo ruim?

Bruce Springsteen – The River: Muito se comenta, mas poucas pessoas ouviram este álbum duplo do chefão, que geralmente figura de forma pífia em coletâneas como a The Essencial. O álbum não chega a ser clássico, mas possue momentos soberbos. Só ouvindo para descrever.

Tom Petty and the Heartbreakers – Damn the Torpedoes: Discaço do cantor predileto de Cameron Crowe e agora um dos favoritos da casa. E olha que este é só a ponta do iceberg quando se trata do pai de toda galera alt - country.
The Traveling Wildburys - The Traveling Wildburys: A banda dos sonhos de qualquer fã de boa música composta por: Roy Orbison, Bob Dylan, George Harrisson, Tom Petty e Jeff Lynne. Um disco onde prima um ótimo trabalho quanto as alternâncias vocais e um belo coaglomerado de melodias de alta qualidade. E cá para nós, com um time como este não tinha como dar errado.

16 de fevereiro de 2006

Eu vou!

Realmente a esperança é a última que morre.
Já estava totalemnte desesperançado em relação ao show dos Stones em terras cariocas, mas eis que surge uma proposta indecorosa por parte de um amigo e tudo mudou de figura.
Se tudo der certo sexta às 23 horas estarei partindo, novamente, a cidade maravilhosa para fazer parte da histórica (e talvez a última) passagem dos mestres por aqui. Só de lembrar meu coração dispara.
P.S.: Será que um raio cai duas vezes no mesmo lugar? Pois estou torcendo que sim. O show do U2 não sai da minha cabeça e suas respectivas músicas do meu cd - player. Continua a torcida.

14 de fevereiro de 2006

Os brutos também amam. Não importa como.

Ah... o amor. Sentimento indescritível não é verdade? Não acredita? Então veja o dicionário afirma:
Amor - s.m. Afeição profunda de uma pessoa por outra, afeto a pessoas ou coisas, sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser ou coisa... E por ai vai.
Concorda? Discorda? Complicado não é? Nem tanto se nos basearmos em dois ótimos filmes em cartaz atualmente: Johnny e June e O Segredo de Brokeback Mountain.
O primeiro trata – se da cine biografia do grande mestre Johnny Cash, cantor mor do country norte americano.
O filme foca, inicialmente, a infância de Cash onde pode – se notar os motivos de tanta voracidade: um pai extremamente autoritário e a perda de seu irmão que faleceu muito jovem. Isto somada a passagem truncada pela força área ajudaram na construção de sua personalidade controversa.
Logo depois a história salta alguns anos tomando agora como base o primeiro casamento de Cash e sua carreira que se desenvolveu de forma curiosa: inicialmente o cantor fora rejeitado pela gravadora de Sam Philips (guru de artistas como Elvis Presley, Roy Orbison e Jerry Lewis que também foram interpretados fielmente no filme) por considerar a música do cantor “gospel demais”.
Mas o desafio fora vencido e o sucesso bateu a porta e, como sabemos, o cantor a recebeu de portas abertas.
Sua carreira profissional seguia bem, mas seu casamento ia por água abaixo.
Tudo devido, inicialmente, pela sua ausência no lar e sua dependência de drogas.
Consequentemente, tudo começou a ruir, mas o amor salvou Cash da ruína e o fez superar inúmeras adversidades rumo a redenção. E este amor era ela: a renegada pela sociedade (graças a dois divórcios, um absurdo para época) June Carter.
Com atuações dignas de Oscar de Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon (que surpreendentemente cantam, de verdade, todas do casal protagonista), o filme mais do que um retrato de Johnny e June ou do que é, para muitos, a “era de ouro do rock” (1956 à 1969). É a verdadeira demonstração de que quando se une amor e paixão tudo é possível.
Outro grande exemplo deste nobre sentimento é o “polêmico” O Segredo de Brokeback Mountain de Ang Lee (diretor do ótimo Razão e Sensibilidade).
Polêmico pelo fato da história ser baseada no romance de dois cowboys que se apaixonam após um período de trabalho isolado do mundo (na montanha Brokeback, daí o nome do filme).
A película em si não possui cenas fortes do relacionamento de ambos. E também não precisava já que a intenção do filme (atingida em sua plenitude) é demonstrar que não existem barreiras quando se ama realmente, ignorando rótulos, preconceitos e outras tantas adversidades.
Considero um certo exagero o filme concorrer em 8 categorias do Oscar, mas este é sem sombra de dúvida uma das mais belas histórias produzidas para o cinema nos últimos tempos. Isto sem contar a fotografia, calcada em paisagens de rara beleza bucólica, estupenda.
Dois filmes, duas grandes lições sobre o que o amor é capaz de produzir quando é real.
É bem piegas, mas quando assisto a filmes assim até mesmo eu que não acredito no amor começou acreditar um pouco nesta questão complexa.
Afinal de contas como canta Amarante “alguma coisa a gente tem que amar, mas o que eu não sei mais”. Vou procurar “por ai” e já volto.

12 de fevereiro de 2006

U2 e Franz Ferdinand – O sonho continua vivo

Bom, os Stones, como já disse antes, foi literalmente por água abaixo. Entretanto, outro show que, inicialmente, não estava nos planos pode acontecer.
Sim! A disputada apresentação do U2 junto ao Franz Ferdinand que será realizada em duas datas (20 e 21 de fevereiro) em São Paulo.
Como? Eu explico: sabe quando você está com aquela ponta de esperança que seu nome será sorteado (dentre milhares) para ser agraciado de alguma forma? Basicamente estou à espera de um milagre (ou dependendo do jornal Super Notícia) que está sorteando seis pares de ingressos para a apresentação do 21.
Para reforçar, não estou só nesta briga, pois minha amiga Gesa, companheira de trabalho e também fanática por U2, também está participando da promoção.
Caso alguém ganhe o outro já se garante automaticamente. O resultado sai no dia 17. Então, por favor cruzem os dedos por nós. Desde já agradecemos.

Parênteses: Bono Vox e cia. não são nada bobos. Para abrilhantar ainda mais outra passagem histórica em solo brasileiro convocaram nada mais, nada menos que a melhor banda da safra atual: o Franz Ferdinand.
Ok, ok eu confesso: o primeiro disco possui apesar bons hits singles como “Take Me Out” e “This Fire” não me convenceu. Não sei bem porque, mas não me interessei.
Mas eis quem 2005 a banda lança seu segundo e aguardado álbum cujo resultado é surpreendente. Intitulado You Could Have It So Much Better, o disco é um sensacional por várias razões. Primeiro pela sonoridade própria, deixando de lado certos “vícios” do primeiro álbum, criando assim canções hermeticamente muito bem construídas. As letras também não ficam para trás, pois o líder do grupo, Alex Kapranos, demonstra seu lado “pegajoso” ao compor refrães que teimam em não sair de sua cabeça como acontece em canções como “Do You Want To” e “Walk Away”. Não à toa, o disco figurou em listas de melhores álbuns em diversas publicações internacionais.
No Brasil também não foi diferente já que no prêmio Bizz (premiação da melhor revista do país no campo musical) a banda faturou nas três mais importantes categorias: melhor disco, álbum e música. Precisa mais?

5 de fevereiro de 2006

Top 5 – Melhores álbuns da ala nacional de 2005

Antes de mais nada devo confessar: a cena nacional não impressiona muito.
Não porque deixe de existir artistas cuja obra seja relevante, mas se comparamos com a cena internacional é deveras menor o número de bons álbuns no mercado “viciado” brasileiro. Isto se deve justamente pelo grande número de bandas cuja sonoridade similar que, infelizmente, dominam o dial das Fms em todo país. É uma triste realidade.
Entretanto, a cena independente continua de vento em popa. Porém, o acesso à discos de certos artistas se torna difícil graças a distribuição, às vezes, pífia. Se não fosse a Tratore (selo focado na mercado independente) e revistas como a Outracoisa tudo seria pior. Mudanças já!
Enquanto isso, segue abaixo a lista contendo os 5 melhores álbuns de 2005 e suas respectivas melhores faixas:

Nação Zumbi – Futura: o fantasma de Chico (Science) não assusta mais e com isso a Nação segue em frente com mais um bom disco. Melhor faixa: “A Ilha”.

Pato Fu – Toda Cura Para Todo Mal: após um hiato de vários anos os mineiros do Pato Fu retornaram demonstrando que a fábrica de hits continua funcionando maravilhosamente bem. E isto sem perder o experimentalismo, marca registrada da banda. Melhor faixa: “Amendoim”.

Lobão – Canções Dentro da Noite Escura: o velho lobo continua surpreendendo. Se em A Vida é Doce o cantor mergulhava no universo trip – hop, agora a bola da vez são as guitarras ensurdecedoras que somadas a já tradicionais letras bem construídas fazem do disco um grande achado. Melhor faixa: “Seda”.

Pitty – Anacrônico: preconceitos à parte, a baiana mais uma vez realizou um senhor uma disco. Calcado na sonoridade de QOTSA e Mars Volta, a cantora acerta em cheio num álbum recheado de boas canções que agradam os admiradores do primeiro álbum, as Fms e quem gosta de um bom barulho. Melhor faixa: “Memórias”.

Los Hermanos - 4: Os cariocas, mais uma vez, não decepcionam. Em tom mais lúgubre e voltado para a sonoridade tradicional da MPB, em 4 banda lançou o que podemos considerar de um disco adulto e calcado na realidade. Melhor faixa: “Condicional”.

2 de fevereiro de 2006

War on War.

Estão em cartaz nos cinemas nacionais dois filmes onde o tema guerra está em “debate”. As aspas, neste caso, são perfeitamente cabíveis pois inicialmente a discussão é proposta. Porém em ambos os casos não é alcançado em sua plenitude o objetivo.
O primeiro a ser comentado é o bom Soldado Anônimo, que conta com a direção de Sam Mendes (Beleza Americana). O filme retrata a experiência do soldado Swofford (interpretado por Jake Gyllenhaal) no exército norte-americano, de seu treinamento como atirador de elite aos longos meses que passou na Arábia Saudita à espera do início de uma guerra que, quando veio, durou míseros 4 dias para os soldados da infantaria, já que foi decidida por ataques aéreos e mísseis disparados de bases militares. Assim, em substituição aos confrontos lamacentos do Vietnã, Swofford (vivido por Jake Gyllenhaal) enfrenta o calor do deserto do Golfo enquanto lida com o tédio sem fim. Porém, a falta de 'ação' não poupa os jovens soldados das seqüelas psicológicas – e a própria antecipação do início das batalhas é responsável por criar, naqueles rapazes, uma perigosa instabilidade emocional. E o resultado final fora desastroso.
De forma bem humorada Mendes consegue retratar os males deste período negro da história norte – americana onde civis foram mortos em prol do “ouro negro” (petróleo).
Até ai tudo bem, mas todo o contexto histórico é demonstrado de forma sutil. De tão sutil, se você não está ligado acaba interpretando o filme com uma campanha em prol ao exército. Faltou um pouco mais de ousadia para o diretor que criticou de forma notável a sociedade americana no já citado Beleza Americana.
Já o polêmico Munique, de Steven Spilberg, tem como pano de fundo a Guerra Fria e o famoso atentado a vila olímpica na cidade de Munique (Alemanha) em 1972.
Roteirizado por Eric Roth e pelo dramaturgo Tony Kushner a partir do livro de George Jonas, o filme tem início na madrugada de 5 de setembro, quando oito integrantes do grupo palestino Setembro Negro invadiram a concentração olímpica e tomaram nove atletas judeus como reféns (sendo que dois morreram durante o ataque). Confuso e sem saber como agir, o governo alemão tentou preparar uma armadilha para os terroristas e fracassou terrivelmente, resultando na morte de todos os atletas e de cinco dos palestinos. Sentindo necessidade de revidar o golpe a fim de não demonstrar uma fraqueza perigosa, a então Primeira-Ministra de Israel, Golda Meir, autorizou a organização de vários grupos clandestinos (mas apoiados pelo Mossad, o serviço secreto israelense) que passaram a eliminar alvos supostamente ligados ao massacre. E são justamente as ações de um destes grupos que são acompanhadas no filme.
Alguns críticos escreveram que Spilberg humanizou os terroristas (o que é bem verdade) e isto foi um grande erro, pois ao optar por este caminho o diretor acaba deixando de lado a ideologia marcante do período, que deveria predominar, em prol do de um filme às vezes bobo que eu chamaria de “os terroristas também amam”. Com isso, você não sabe de que lado ficar já que ambos os lados (o bem e o mau) se parecem demais. De que é a culpa? Ninguém assume.
E quase três horas de duração? Para que isto meu caro! Bom pelo menos é melhor do que o fraco Guerra dos Mundos. Porém Spilberg continua descendo a ladeira...