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9 de março de 2006

Jornalismo verdade dói

Certa vez em conversa com meu amigo (e guru musical) Marcos falávamos dos males da profissão jornalista (profissão esta que ele iria seguir, mas desistiu no meio do caminho). Depois de muito dialogar, chegamos a conclusão de que uma das mais tortuosas atividades deste fatídico ofício são meios de se obter a verdade, tarefa que na maioria dos casos, não é deveras satisfatória e os resultados podem ser irreversíveis.Basicamente esta é base de Capote, filme do diretor estreante Bennet Miller.
Ao contrário do que muitos dizem, a película não é uma biografia e sim o retrato fiel do desgastante processo de criação da obra À Sangue Frio escrita por Thuman Capote onde o mesmo manipula de todas as formas possíveis e imagináveis (usando às vezes do artifício de mentir) em prol da descoberta dos reais motivos do brutal assassinato de uma família norte – americana no final da década de 50, idealizado por dois jovens. Terminado o ardoroso processo, que perdurou por anos à fio, o livro tornou – se uma sucesso de vendas colossal nos EUA.
Entretanto, nem tudo são flores já que as sequelas deixadas foram impactantes e resultaram num processo de falta de criatvidade e culminou em sua morte, causada por alcoolismo, na década de 80.
Além do roteiro intrigante, as atuações de Phillip Seymor Hoffman (o eterno Lester Bangs de Quase Famosos) no papel de Capote e Catherine Keener (interpretando a escritora e fiel escudeira do autor, Nelle Harper Lee), são realmente de tirar o fôlego. Merecidamente Hoffman faturou a estatueta de melhor ator no último Oscar.

5 de março de 2006

I' ve seen all good people.

É realmente muito bom rever os amigos de longa data.
Ainda mais nos dias atuais onde a vida moderna nos deixa à deriva quanto a encontros eventuais.
Por isso, a noite de Sábado fora maravilhosa já que grande parte dos companheiros de longa data estavam lá reunidos em prol de uma boa causa: o aniversário do meu amigo Bruno.
É triste pensar que, infelizmente, reuniões deste tipo somente rolem em ocasiões assim. Mas isto passa desapercebido quando se está conversando pois é visível que apesar da distância, tudo continua mágico quando estamos juntos.
Ainda espero que este fátidico quadro distancial mude.
Enquanto isto não acontece, sigo esperando o próximo aniversário para mais uma grande reunião desta "família" que nunca irá se separar.

1 de março de 2006

All The Right Friends.

Bom, o carnaval se foi.
E ao contrário do que eu imaginava tudo transcorreu de forma maravilhosa.
Inicialmente a intenção era realizar uma bela viagem ao interior, com o intuito de descanso, mas por falta de recursos financeiros e obrigações escolares este idealismo ficará para às férias de julho.
Entretanto, o que poderia parecer tedioso acabou tornando - se algo de bom grado.
No Sábado após deixar o trabalho rumei para a casa de minha amiga Mariana. E como em outras ocasiões, fora muito divertido passar dois preciosos dias em sua companhia. Somadas as presenças ilustres de Ana (a aniversariante do dia) e Meire (mãe de Mariana) tudo transcorreu de forma agradável graças também a histórias hilárias, ótimos diálogos, comida e música de altíssima qualidade.
Na Segunda a parte da manhã fora reservada para a resolução de “problemas familiares”. Já a tarde o destino foi a casa de Ana para a realização do dificultoso trabalho de Português. Não tinha muita noção ao que deveria ser realizado, mas Sandra e a anfitriã deram um direcionamento muito bacana e resultado fora bastante satisfatório. Só precisamos acertar alguns detalhes.
A Terça fora reservada para leituras e mais leituras. A Hora da Vingança (livro de George Jones que inspirou Spilberg para a realização de Munique) foi finalmente terminada e a conclusão é a mesma: o diretor estragou tudo ao adaptar de forma errônea vários fatores, muito bem retratados no livro, que passam desapercebidos no filme. Uma pena.
Quem não decepciona é Neil Gaiman no soberbo Fumaça e Espelhos, compilação de contos de sua autoria onde o que prevalece é a sua marca: transformar fatos corriqueiros em histórias surreais. É realmente algo de se admirar a criatividade esplendorosa do autor.
Mais a noite com a intenção de dar uma volta pela vizinhança, meu paradeiro foi a casa de uma amiga próxima onde aconteceu algo engraçado. É realmente de se estranhar como às vezes se conquista a confiança das pessoas por “nada”. Meu intuito ao visita – lá era basicamente uma conversa banal sobre música. Porém, a conversa atravessou por caminhos nunca antes imaginados e o que era banal tornou – se em algo extremamente confessional, sobre um passado aterrador que ainda insiste em assombrar.
Confesso que assustei – me com o fato, mas por fim agradeci pelo fato dela ter me contando algo tão pessoal. Espero ter ajudado e desejo toda sorte do mundo em sua jornada.
Volto para casa com a certeza de que a vida seria melhor para todos se cada um tivesse os amigos certos para cada momento da vida. E no decorrer destes anos, que passam na velocidade da luz, tenho encontrado muitos deles e confesso: sem vocês meus caros não sou nada.

23 de fevereiro de 2006

Allen é um gênio. Mesmo não aceitando tal alcunha.

Que filme. Quem ainda questiona a genialidade de Woody Allen precisa, urgentemente, assitir a Match Point, nova obra - prima do diretor.
Ficar retratando o roteiro (primoroso) seria uma tarefa um tanto quanto díficil, tamanha a variedade de gêneros desenvolvidos.
Inicialmente, tudo começa em forma de drama. Ai o que era drama se transforma - se em algo com cavalares de sensualidade (graças a estonteante e extremamente sensual personagem de Scarlett Johansson). Depois a trama ganha ares de suspense policial. E por ai vai.
Apesar de alguns elementos característicos do diretor estarem presentes (como as referências literárias), o filme aponta novos caminhos para filmografia de Allen já que a trilha sonora agora prima pela música clássica, deixando de lado a tradicional sonoridade jazz. Além disso, Ponto Final possui mais de duas horas de duração, fato até então inédito tratando - se de Woody. Como se não bastasse a velha Manhattan, cidade berço de vários filmes, agora deu lugar a maravilhosa Londres, acrescentado beleza ainda maior a película.
Daqui a duas semanas teremos a festa do Oscar. Se o filme de Allen, que concorre em 5 categorias, vai faturar algum prêmio fica a dúvida, mas o fato é que mais uma vez, assim como no subestimado Melinda e Melinda, o diretor acerta em cheio neste filme que é o melhor do ano até agora.

20 de fevereiro de 2006

Garimpar é preciso.

Numa sociedade consumista o que geralmente se faz quando tudo está errado e basicamente todos os seus planos vão por água abaixo (leia – se Stones + U2)? Você vai para um shopping da vida e gasta horrores em prol de sua “felicidade temporária”. Não é verdade? Bom basicamente foi isto o que aconteceu comigo. Porém troquei os chatíssimos shoppings por alguns lugares muito mais agradáveis: os sebos. Pois é lá que a minha felicidade geralmente se encontra. Quando vejo preciosidades como as que são citadas abaixo, em preços maravilhosos e formato idem eu quase chego lá. Viva la vinil!

Bob Dylan – Planet Waves: Ouvindo mais um clássico do mestre, gravado junto aos comparsas (e não menos geniais) do The Band fica a pergunta: será que algum dia Dylan fez algo ruim?

Bruce Springsteen – The River: Muito se comenta, mas poucas pessoas ouviram este álbum duplo do chefão, que geralmente figura de forma pífia em coletâneas como a The Essencial. O álbum não chega a ser clássico, mas possue momentos soberbos. Só ouvindo para descrever.

Tom Petty and the Heartbreakers – Damn the Torpedoes: Discaço do cantor predileto de Cameron Crowe e agora um dos favoritos da casa. E olha que este é só a ponta do iceberg quando se trata do pai de toda galera alt - country.
The Traveling Wildburys - The Traveling Wildburys: A banda dos sonhos de qualquer fã de boa música composta por: Roy Orbison, Bob Dylan, George Harrisson, Tom Petty e Jeff Lynne. Um disco onde prima um ótimo trabalho quanto as alternâncias vocais e um belo coaglomerado de melodias de alta qualidade. E cá para nós, com um time como este não tinha como dar errado.

16 de fevereiro de 2006

Eu vou!

Realmente a esperança é a última que morre.
Já estava totalemnte desesperançado em relação ao show dos Stones em terras cariocas, mas eis que surge uma proposta indecorosa por parte de um amigo e tudo mudou de figura.
Se tudo der certo sexta às 23 horas estarei partindo, novamente, a cidade maravilhosa para fazer parte da histórica (e talvez a última) passagem dos mestres por aqui. Só de lembrar meu coração dispara.
P.S.: Será que um raio cai duas vezes no mesmo lugar? Pois estou torcendo que sim. O show do U2 não sai da minha cabeça e suas respectivas músicas do meu cd - player. Continua a torcida.

14 de fevereiro de 2006

Os brutos também amam. Não importa como.

Ah... o amor. Sentimento indescritível não é verdade? Não acredita? Então veja o dicionário afirma:
Amor - s.m. Afeição profunda de uma pessoa por outra, afeto a pessoas ou coisas, sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser ou coisa... E por ai vai.
Concorda? Discorda? Complicado não é? Nem tanto se nos basearmos em dois ótimos filmes em cartaz atualmente: Johnny e June e O Segredo de Brokeback Mountain.
O primeiro trata – se da cine biografia do grande mestre Johnny Cash, cantor mor do country norte americano.
O filme foca, inicialmente, a infância de Cash onde pode – se notar os motivos de tanta voracidade: um pai extremamente autoritário e a perda de seu irmão que faleceu muito jovem. Isto somada a passagem truncada pela força área ajudaram na construção de sua personalidade controversa.
Logo depois a história salta alguns anos tomando agora como base o primeiro casamento de Cash e sua carreira que se desenvolveu de forma curiosa: inicialmente o cantor fora rejeitado pela gravadora de Sam Philips (guru de artistas como Elvis Presley, Roy Orbison e Jerry Lewis que também foram interpretados fielmente no filme) por considerar a música do cantor “gospel demais”.
Mas o desafio fora vencido e o sucesso bateu a porta e, como sabemos, o cantor a recebeu de portas abertas.
Sua carreira profissional seguia bem, mas seu casamento ia por água abaixo.
Tudo devido, inicialmente, pela sua ausência no lar e sua dependência de drogas.
Consequentemente, tudo começou a ruir, mas o amor salvou Cash da ruína e o fez superar inúmeras adversidades rumo a redenção. E este amor era ela: a renegada pela sociedade (graças a dois divórcios, um absurdo para época) June Carter.
Com atuações dignas de Oscar de Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon (que surpreendentemente cantam, de verdade, todas do casal protagonista), o filme mais do que um retrato de Johnny e June ou do que é, para muitos, a “era de ouro do rock” (1956 à 1969). É a verdadeira demonstração de que quando se une amor e paixão tudo é possível.
Outro grande exemplo deste nobre sentimento é o “polêmico” O Segredo de Brokeback Mountain de Ang Lee (diretor do ótimo Razão e Sensibilidade).
Polêmico pelo fato da história ser baseada no romance de dois cowboys que se apaixonam após um período de trabalho isolado do mundo (na montanha Brokeback, daí o nome do filme).
A película em si não possui cenas fortes do relacionamento de ambos. E também não precisava já que a intenção do filme (atingida em sua plenitude) é demonstrar que não existem barreiras quando se ama realmente, ignorando rótulos, preconceitos e outras tantas adversidades.
Considero um certo exagero o filme concorrer em 8 categorias do Oscar, mas este é sem sombra de dúvida uma das mais belas histórias produzidas para o cinema nos últimos tempos. Isto sem contar a fotografia, calcada em paisagens de rara beleza bucólica, estupenda.
Dois filmes, duas grandes lições sobre o que o amor é capaz de produzir quando é real.
É bem piegas, mas quando assisto a filmes assim até mesmo eu que não acredito no amor começou acreditar um pouco nesta questão complexa.
Afinal de contas como canta Amarante “alguma coisa a gente tem que amar, mas o que eu não sei mais”. Vou procurar “por ai” e já volto.