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16 de abril de 2006

The Eternal Life of “Grace” ou um disco que pode salvar vidas

O que Bruce Springsteen, Jeff Tweedy, Patti Smith, Tori Amos e Jeff Buckley têm em comum? Musicalmente falando? Quase nada. Entretanto, todos possuem em especial um fator fundamental: colocar a sua vida em risco em prol da música.
Não que estejam em constante ameaça, mas estes são exemplos clássicos de cantores que, literalmente, se jogam e se expõem totalmente durante a criação de uma canção. Colocam o coração à ponto de, praticamente, “sair pela boca”, tamanha a sinceridade presente em cada acorde, em letra, em cada segundo.
Hoje em dia são poucos os novos exemplos desta seleta categoria já que, basicamente, o que predomina é a indústria do “cool” na qual o ato de ser confessional em uma canção é crime hediondo.
Introdução feita, é chega a vez de falar de Grace, primeira e única obra de Jeff Buckley que infelizmente faleceu cedo e de forma um tanto quanto estranha (afogado).
Deixando este fator de lado, o disco é uma prova de amor à vida como poucos cantores alcançaram na década de 90. Um álbum de profusão temática no qual religião, amor, morte são demonstrados de forma “So Real” (nome de um das canções presentes no disco) que comove a cada audição.
Somada à voz divina de Buckley, o disco é um grande achado e, sem sombra de dúvida, um clássico de tamanha pungência e a leveza (quando ela se necessária) cuja sonoridades dispares (R&B, rock, folk, gospel, soul...) constróem uma das mais importantes obras do século passado.
Para as pessoas que, assim como eu, conheceram de forma tardia o disco (lançado há 12 anos) vai a dica: nunca é tarde para ouvir e, por que não, se apaixonar pelo grande Jeff Buckley.

14 de abril de 2006

Hollywood, finalmente, demonstra não temer a América

Chega a ser estranho, mas dentre as mais variadas formas de arte o cinema é que menos se engajou (à meu ver) em relação aos males causados pelos EUA.
No campo musical, por exemplo, temos um número infindável de artistas (Springsteen, Jeff Tweedy, Michael Stipe e Trent Reznor são bons exemplos) que calcam suas canções em tom de protesto em prol de um mundo melhor.
Já na literatura temos magistrais de escritores(as) como Susan Sontag, John Steinbeck e Michael Moore que também não deixam por menos, pois revelaram em suas obras toda a sua amargura contra a política, o passado e o presente norte – americano. Entretanto, a sétima arte permaneceu por anos a fio imparcial.
Até mesmo produções recentes como Terra dos Sonhos, que no papel funcionaria como uma crítica ao fato de que imigrantes sofrem preconceitos das mais variadas formas ao chegar à “terra prometida”, soa sutil demais. Mas agora, ao que parece, surgirá uma onda maior engajamento por parte da indústria cinematográfica.
Tanto que no último Oscar, grande parte dos filmes que concorreram nesta edição, tinham em seu roteiro algo de contraposição a algum aspecto do contexto americano.
Boa Noite, Boa Sorte, por exemplo, traça um paralelo entre a era do McCarthismo (a ditadura deles) e o jornalismo desafiador da época, que colocava em questão certas atitudes governamentais.
Siryania relata de forma confusa, mas real, como é o funcionamento da indústria do “ouro negro”, na qual grandes lideres não demonstram nenhum pudor em prol da busca incansável de maiores fontes petrolíferas ao redor do globo.
Crash pega pesado ao apresentar várias histórias, inicialmente dispares, mas que possuem em comum um dos maiores problemas deles: o desenfreado racismo e, novamente, o preconceito à estrangeiros.
Outro exemplo recente é o soberbo V de Vingança, baseado na graphic novel de Alan Moore, que mesmo sendo ambientado em Londres tem como pano de fundo os EUA. A questão polêmica aqui é o teor pró – terrorismo que a obra possui já o idealismo adotado é que “um povo não deveria temer seu governo e sim o governo é que deveria temer seu povo.” E esta não seria uma solução possível? Fica a questão.
Spike Lee (diretor de A Última Noite e o Verão de Sam) também alfineta em seu último e sensacional filme, O Plano Perfeito, pois demonstra o estado de calamidade que se encontra seu país pós 11 de Setembro.
Se este quadro vai mudar eu não sei, mas continuo idealizando que talvez o mundo possa mudar. Conscientização é algo que tornou – se fundamental para os dias atuais se almejamos um futuro melhor para nossos eventuais filhos.
Canção representativa:

Ben Harper – With My Own Two Hands

I can change the world
With my own two hands
Make a better place
With my own two hands

Make a kinder place
With my own two hands
With my own
With my own two hands

I can make peace on earth
With my own two hands
I can clean up the earth
With my own two hands

I can reach out to you
With my own two hands
With my own
With my own two hands

I’m gonna make it a brighter place
I’m gonna make it a safer place
I’m gonna help the human race
With my own
With my own two hands
I can hold you
With my own two hands
I can comfort you
With my own two hands
But you got to use
Use your own two hands
Use your own
Use your own two hands
With our own
With our own two hands
With my own
With my own two hands

8 de abril de 2006

Emoções à vista

Infelizmente, o meu sonho de ver o Echo and The Bunnymen ao vivo fora para o espaço já que a apresentação de Belo Horizonte realmente não irá ocorrer. Somente os paulistanos terão a honra. It’s a shame!
Mas quem não tem Echo vai de Los Hermanos. Por isso, pela quinta vez vou assistir aos cariocas.
Não pretendia ir, mas quando penso nos outros antológicos shows que presenciei, o fator vontade subiu assustadoramente.
A primeira vez fora em 2002 quando a banda divulgava o soberbo Bloco do Eu Sozinho, disco que figura tranqüilamente na minha lista de 5 melhores álbuns nacionais de todos os tempos.
E hoje será, mais uma vez, um dia especial com absoluta certeza de casa cheia. Não vejo a hora!
Trilha Sonora: A morbidez pop arcadista de Antony and the Johnsons no álbum I am a Bird Now. Sublime é pouco.

26 de março de 2006

Feel flows

Sou um completo idiota! E o pior é que é verdade. O por quê? Simplesmente pelo motivo de não conseguir ser homem. Ops! Calma lá! Não estou indo para o lado de Elton John, mas... é que não ajo como tal.
Por mais que eu tente, não consigo vestir a estirpe de galanteador (leia - se: "matador") que os homens adotam. Ser daqueles tipos que no primeiro encontro casual conquista a garota e sai contando para os outros tudo o que aconteceu (e exagerando na maioria das vezes). Na verdade vou pelo caminho contrário.
Deixo as coisas fluirem de forma processual. Deixo o tempo dizer se esta ou aquela é pessoa certa (se ela realmente existe). Nem sempre este é o caminho certo, pois às vezes se faz necessário um certo despojamento, quebrar a cara, se arriscar. Porém, se fizeste isto com certeza não estaria sendo eu. Perco muito com isso, mas sair aventurando parece não ser para mim. O pior disto é que minha "moleza" não acompanham minhas paixões, surgem de forma avassaladora dia após dia.
Poxa! Analisando tudo que acabo de dizer, talvez não seja um idiota, e sim um romântico. É que faz tanto tempo que não ouço esta palavra, que já entrou até em desuso, mas não me lembrava de sua existência. Fazer o quê!
P.S.: "Feel Flows" é na verdade uma canção dos Beach Boys presente na trilha sonora de Quase Famosos, dotada de rara beleza (só perdendo, claro, para "God Only Knows") e inspiração mor deste post.
Feel Flows

Unfolding enveloping missiles of soul
Recall senses sadly
Mirage like soft blue like lanterns below
To light the way gladly
Whether whistling heaven's clouds disappear
Where the wind withers memory
Whether whiteness whisks soft shadows away
Feel flows (White hot glistening shadowy flows)
Feel goes (Black hot glistening shadowy flows)
Unbending never ending tablets of time
Record all the yearning
Unfearing all appearing message divine
Eases the burning
Whether willing witness waits at my mind
Whether hope dampens memory
Whether wondrous will stands tall at my side
Feel flows (White hot glistening shadowy flows)
Feel goes (Black hot glistening shadowy flows)
Encasing all embracing wreath of repose
Engulfs all the senses
Imposing, unclosing thoughts that compose
Retire the fences
Whether wholly heartened life fades away
Whether harps heal the memory
Whether wholly heartened life fades away
Whether wondrous will stands tall at my side
Whether whiteness whisks soft shadows away
Feel goes (White hot glistening shadowy flows)
Feel flows (Black hot glistening shadowy flows)
Feel goes (White hot glistening shadowy flows)
Feelings to grow (White hot glistening shadowy flows)
White hot glistening shadowy flows
White hot glistening shadowy flows
White hot glistening shadowy flows

20 de março de 2006

"Ouvir Led Zeppelin é como um bom baseado. É uma experiência que deve ser passada entre amigos."

Grande parte da minha vida musical fui avesso a velharias. De tão avesso, se soubesse que em certa festa iria rolar um Pink Floyd, corria como diabo da cruz. Mas de uns tempos para cá este quadro tem sofrido graves alterações.
Tanto que hoje bandas Franz Ferdinand e Arctic Monkeys convivem em perfeita harmonia com The Doors e Led Zeppelin.
E falando no Zeppelin (que é minha "nova" paixão) é engraçado perceber como as estas coisas acontecem.
No já comentado Domingo de Carnaval estava eu na casa de Mariana, numa maior "leseira" quando encontrou em sua vasta discografia a pérola Led Zeppelin III. Não se foi pelo fato de eu estar "stoned", mas não me lembro de ter ouvido ultimamente um disco tão viajante e versátil quanto a este. Um disco vai do rock aos blues, passa pelo folk e a música oriental, versa sobre o universo viking e amores impossíveis.
Depois da chapação com este disco foi ouvir no mesmo dia Phisycal Graffiti que, para minha total surpresa, não deve em nada aos outros discos que foi adqurindo posteriormente como os também clássicos I, II e IV. Daí para o DVD How the West Was Won foi um pulo.
Em suma, agora minha vida se resume antes de conhecer a trupe de Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bohan, e depois de tal fato.
Para não perder o costume segue abaixo um top 5 com as melhores músicas do grupo na atualidade:
"Since I've been loving you"
"Heartbreaker" (predileta de Hornby que já escreveu maravilhas sobre a mesma no livro 31 canções)
"That's the Way"
"Kashmir"
"Rock n' Roll"
P.S. Esta frase título deste post foi proferida por Cameron Crowe para definir o Led Zeppelin. Eu, particularmente, concordo em gênero, número e grau.

14 de março de 2006

Let the bad times roll.

Ando meio azarado ultimamente. Digo isto no campo de shows internacionais de 2006.
Como vocês acompanharam mês passado apresentações de U2 e Stones, que eram dados como certas, foram por água abaixo (para minha pessoa no caso).
Agora o show do Echo and The Bunnymen, programado para sábado, foi cancelado.
Até aí tudo bem, mas o motivo do adiamento é que dos mais estranhos. Veja só:
A Malab e o Chevrolet Hall informam que a Turnê “SIBERIA” da atração internacional Echo & The Bunnymen foi cancelada em toda a América Latina.
De acordo com as informações da produção da banda os músicos não conseguiram a liberação dos vistos temporários para a entrada no continente, tendo sido forçados a cancelar as apresentações dos dias 18 de março em Belo Horizonte, dia 19 de março em São Paulo e dia 21 de março em Buenos Aires.
Fonte: Chevrolet Hall.
Dá para acreditar?
Pelo menos fontes afirmam que o show deverá ser remarcado para abril. Só quero ver...

13 de março de 2006

07 motivos para você não perder o show do Echo and The Bunnymen

01. A importância da banda que é um dos maiores ícones da história do rock.
02. O figuraça Ian Mcculloch é sem sombra de dúvida um dos maiores compositores de todos os tempos.
03. Will Sergeant é um guitarrista fiel as tradições Lou Reedianas.
04. O caminhão de hits que banda possue ("The Killing Moon", "Lips Like Sugar", "Rescue", "All that Jazz" são alguns bons exemplos).
05. O clássico álbum Heaven Up Here (1987)que influenciou bandas como o Interpol para composição de sua sonoridade. A belíssima "Show of Strengh" ainda faz parte do repertório.
06. O fato de que mesmo com o passar dos anos a banda continua produzindo bons discos, como o último Siberia.
07. O preço módico de R$ 25,00 (preço de banda nacional)
08. O dia do show: sábado às 22:00 horas no Chevrolet Hall.
E aí! Vai perder?