Páginas

29 de julho de 2006

Caviar é bom. Mas frango com farofa também

O que é preferível: assistir um filme do Steven Soderberg ou do Quentin Tarantino? Woody Allen ou Gore Verbinski? Goddard ou Almodóvar? Ou seja: você prefere o filme cult ou o de massa. Difícil não é? Bom eu, particularmente, prefiro ambos.
Claro que é um tanto quanto satisfatório sair do cinema com a “cabeça cheia” graças a um belo filme que lhe deixa perplexo. Não no sentido de chocar, mas que leve a reflexão sobre o aspecto abordado na película. Porém assistir alguns blockbusters de vez em quando não faz mal a ninguém.
Está certo de que a probabilidade de assistir um filme cult ruim geralmente é bem menor do que a de um “arrasa quarteirão”. Um bom exemplo de que um filme de mercado pode ser, ainda sim, digno de nota é Piratas do Caribe: O baú da morte. E por muitos motivos. A começar pelo óbvio: como é dirigido para o público pré – adolescente o roteiro é bastante simples e direto (cortezia de Ted Elliott e Terry Rossio), sem inúmeros personagens ou poucos de personalidade diversificada.
Além disso a atuação de Johnny Depp, mais uma vez, surpreende. Aliás já virou clichê falar isso afinal comentar qualquer coisa sobre as atuações de Depp é chover no molhado. Satisfação garantida.
Ainda no campo das atuações até mesmo Orlando Bloom, com sua insensatez e frieza, passa batido. Já Keira Knightley (esta sim, uma promissora atriz) mais uma vez não decepciona.
A direção de Gore Verbinski que poderia ser algo prejudicial (sim, prejudicial pois alguém se lembra que ele dirigiu porcarias como A Mexicana? Não né!) não atrapalha e sim acrescenta já que visualmente é espetacular. As cenas de guerra “mar adentro” e a tripulação de Davy Jones são impressionantes.
Aliás a incursão do personagem Davy Jones é extremamente louvável: criado digitalmente Jones é um pirata com uma pinça de caranguejo no lugar de um dos braços e uma longa barba formada por tentáculos de um polvo. Maléfico e engraçado este personagem é dos pontos alto do filme.
Por fim, nesta onda enorme de filmes de grande orçamento que estão por aí (o mediano Superman, por exemplo) é gratificante sair do cinema após uma sessão deste Piratas do Caribe: O baú da morte que, assim como o primeiro, é diversão garantida.

22 de julho de 2006

Considerações breves sobre a indústria fonográfica em 2006 – Parte 1

Um ano, até agora, sem grandes surpresas. 2006 no campo musical não apresentou trabalhos que poderiam ser tachados de “clássicos atemporais”, mas isto não impede que bons álbuns tenham chegado ao mercado fonográfico. Segue abaixo um breve retrospecto do que até agora chegou aos meus calejados ouvidos:
Snow Patrol – Eyes Open: Não tão bom quanto o disco anterior, o divisor de águas Final Straw, mas com bons momentos. “It’s Beginning To Get To Me” é a “Dakota” (maravilhosa canção do Sterephonics do ano passado) de 2006.
Twilight Singers – Powder Burns: O mais “roqueiro” dos discos deste projeto paralelo de Greg Dulli. Um prato cheio para quem, assim como eu, está com saudades de seus tempos de Afghan Whigs.
We are Scientists – With Love and Squalor: Debut promissor destes americanos que só foram conquistar sucesso na Europa. Letras engraçadas, canções pungentes e refrões chicletes são os destaques aqui. “Nobody Move, Nobody Get Hurt” e “It’s a Hit” são canções que você não deve ouvir! Sim, pois depois que você ouve não consegue deixar mais.
Morrisey – Ringleader of the Tormentors: A redenção de quem soltou os cachorros em You Are the Quarry, disco sensacional de 2004. Aqui o maior compositor inglês do século passado versa sobre o fato de ter encontrado o amor em Roma (cidade onde o disco fora produzido) e pode o perdão de Deus na sublime “Dear God, Please Help Me”. Para quem até perdoou Jesus este é um senhor disco. Um dos melhores até agora.
Sonic Youth – Rather Ripped: No disco de despedida da gravadora Geffen, o grupo de Nova York optou por sair do jeito quem entrou: entregando um disco redodinho e pop. Nada de microfonias e esquizofrenia da comentada, e pouco ouvida, trilogia de sua cidade natal. Thurston Moore e Lee Ranaldo, uma das melhores duplas de guitarristas de todos os tempos, capricham para que Kim Gordon solte o berro em canções como “What A Waste”. Muito bom.
Wolfmother – Wolfmother: Outro debut de qualidade elevada. O power trio australiano capricha ao emular a sonoridade do Led Zeppellin, Deep Purple e Black Sabbath. Porém, com um diferencial: sem parecer pastiche de ninguém.
Clap Your Hands Say Yeah! - Clap Your Hands Say Yeah!: Lançado lá fora no ano passado, mas só chegou agora por aqui. Talking Heads + Arcade Fire: a sonoridade vai neste caminho. Interessante.
Josh Rouse – Subtítulo: Ah o amor... Depois conhecer a espanhola que modificou sua vida (Paz com quem divide os vocais na belíssima “The Who Doesn’t Know How To Smile”) Rouse mudou tudo (ou quase tudo) relativo ao seu trabalho. O Alt. Country agora, por exemplo, dá lugar a bossa nova como na contagiante “Summertime”. Mas as pérolas soul ainda estão lá. “Givin It Up” que o diga.
Pearl Jam - Pearl Jam: Sábios afirmam que para estar vivo basta morrer. Bom, o Pearl Jam então pode-se dizer que morreu pela segunda vez (a primeira foi em Yield) para que Pearl Jam, o álbum, ganhasse espaço. A morte aqui ganha contorno de sonoridade. Sem em Yield fora a maturidade que surgiu aqui é a vez de jovialidade dos tempos inicias de carreira, mas com caráter político. Porém em alguns momentos o disco não engrena, chegando a ser até chato. Porém em outros... Em suma: meia boca.
Arctic Monkeys – Whatever People Say I Am, Thats I Am Not: Será que os ingleses da vez duram mais um disco? Tanto hype em cima de uma banda é realmente bom? Deixando este questionamento de lado o álbum é deveras bom. “I Bet You Look Good On the Dancefloor” é a canção que muita gente venderia a alma para ter composto. Um hino da azaração na balada indie.
Editors – Back Room: Na cola do Interpol, os “Editores” assumem as influências darks de um Joy Division, mas um pouco mais de luz.
Wolf Parade – Apologies to the Queen Mary: Banda canadense cujo disco de estréia tem a proeza de soar como os conterrâneos do Arcade Fire, mas com a cara do David Bowie. Sacou?


Não fica só nisso. Muito mais no próximo post.

15 de julho de 2006

“I want to live with common people like you”

Parêntesis: O movimento da pop art, iniciado nos anos 50, (que teve como figura mor Andy Warhol) tinha em seu fundamento a ideologia de retratar a realidade, seja ela qual for, em tom de crítica ao vazio substancial que figura na sociedade.
Gilles Lipovetsky, em O tempos hipermodernos, afirma que a sociedade nos tempos atuais vive um estado de presente contínuo, pois, basicamente, não realiza projeções do futuro.

Não sei muito bem se este era espírito que estava imbuindo Jarvis Cocker (ex -líder do Pulp), mas a cadência de Different Class (disco de 1995) gira em torno destes aspectos.
Agindo como um cronista / crítico da classe média inglesa, Cocker retrata, de forma sincera, fidedigna, a vida do cidadão inglês que na verdade é um reflexo da própria Inglaterra, e por que não do homem nos tempos atuais que se preocupa somente com o presente, ignorando basicamente o passado e se lixando com o futuro. Para demonstrar toda a sua indignação, o Pulp fez uso das mais variadas sonoridades que vão desde sintetizadores “carinhosos” a guitarras furiosas.
O disco começa com a enérgica “Mis-Shapes” que funciona como um hino já que conclama toda a nação a fazer algo, pois “There won't be fighting in the street”.
“Pencil Skirt” tem como tema um relacionamento de recheados de mentiras. Reflexo total da era em que dizer a verdade é algo incomensurável.
Já “Common People” relata a história de uma garota da classe média / alta que leva uma vida totalmente entediante e artificial, sonhando um dia levar uma vida comum.
Voyeurismo e a liberdade vigiada é retratada na quase épica “I Spy”. No fim da canção, Cocker justifica o seu ato de expiar: expiar a chance de um mundo melhor.
A sensacional “Disco 2000” (outro hino que ganhou versão fiel de Nick Cave) conta a história de como uma simples brincadeira pode ter conseqüências amorosas catastróficas. Derorah e o narrador da canção nasceram com uma hora de diferença entre si. Seus pais durante uma conversa informal traçaram o destino de ambos, que “poderiam ser irmãos”, mas iriam se casar. Durante toda a infância e adolescência o rapaz sustentou este pseudo romance que, logicamente, não viria a se concluir, deixando assim seqüelas “incuráveis” no narrador.
Mais a frente a Lou Reediana “F.E.E.L.I.N.G. C.A.L.L.E.D. L.O.V.E” (escrita assim mesmo) questiona o que seria o amor? Seria algo frio? Algo como um shopping center? Vai saber...
“Monday Morning” começa afirmando que “não existe nada para se fazer, então, por que viver no mundo se você pode viver em sua cabeça?”. Não saia de casa, pois todos os dias são iguais e solitários afirma mais a frente. Em suma, uma perfeita analise dos dias atuais que, cada vez, mais voam em velocidade astronômica e sem deter sentido.
Por fim, a última faixa “Bar Italia” conclama a “garota” a, mais uma vez, se mover pois chegou a hora. E questiona por que ela olha tão confusa? O que ela perdeu? Apenas a sua cabeça, explica.
Como se pode perceber, e recomendo ouvir, este é um dos melhores tratados da música pop do século passado e que de forma gratificante elevou o Pulp ao estatos de grande ícone.
O sucessor de Different Class só viria 3 anos mais tarde com This is Hardcore, que, ironicamente, começa com os 3 segundos finais de “Bar Italia”. Este fato se explica pela razão de que a temática desenvolvida no primeiro ganhou continuidade (algo como um filme) nesta outra grande obra. Mas isto é assunto para outra ocasião.

9 de julho de 2006

Something there is about you & me

Dias atrás ao encarar uma sessão de Separados pelo casamento (drama interpretado por Jennifer Aniston e Vince Vaughn) deparei me com a seguinte situação: não sou o único a "inundar" a pessoa amada dentro de um relacionamento.
Sim! Inundar! Este é realmente o termo (retirado de "Sou dela", mais novo hit de Nando Reis) que neste caso significa não deixar que a outra pessoa apresente o seu universo. No filme, Gary (Vaughn) vive com Brooke (Aniston). Após morarem juntos por 2 anos, o casal termina o relacionamento. Porém nenhum dos dois aceita deixar o apartamento em que vivem, o que faz com que ambos continuem a viver sob o mesmo teto no filme. Porém, quase no fim do filme é que tudo se revela: Gary durante todo tempo coordenava o seria feito e o que não seria, não dando espaço para os anseios de Brooke. E o resultado não poderia ser outro: The Break-Up (título origonal do filme).
Aprendi lendo Sem Logo, de Naomi Klein, que filmes como este são exemplos clássicos de como a industria do Marketing invadiu de sola nos roteiros cinematográficos, pois na mesma situação em que me encontro (a de identificação) milhares de outros homens encontram - se na mesma.
E basicamente, o que tenho feito nos ultimos tempos foi apresentar a minhas perspectivas (errôneas ou não), o meu mundo, não deixando espaço algum para que a outra apareça. E, bom, talvez este seja um dos motivos dos quais tudo tenha desandado. Tenho que aprender (como aconteceu a Rob Fleming) que o universo não gira em torno somente de coisas que gosto. Preciso aprender a não "obrigar" a outra que faça o mesmo ou aceite tudo sob a minha ótica. Preciso ser e espero um dia ser dela. Seja ela quem for.
Sou dela
Nando Reis

Esperei por tanto tempo
Esse tempo agora acabou
Demorou mas fez sentido
Fez sentido que chegou
Eu pensei que não fosse nunca
Mas agora já se foi
Nunca mais parece triste
Triste eu era agora passou
Por que eu estou com ela
Sou dela
Sem ela
Não sou
Por que eu preciso dela
Só dela
Com ela
Eu vou
Sempre olhei à mim nos outros
Estava em toda a multidão
Sendo muito e tendo pouco
Dando muita explicação
Quero olhar para esse mundo
Ver o mundo em seu olhar
Quero ser, te quero muito
Ficar junto e respirar
Por que eu estou com ela
Sou dela
Sem ela
Não sou
Por que eu preciso dela
Só dela
Com ela
Eu vou
Estava tão longe
Num outro lugar
Trancado e distante
Na esfera lunar
Na superfície ou no deserto
No asfalto ou no avião
Na pratileira de um depósito
Na cordilheira, num vulcão
Não vou te inundar
Não vou te inundar
Não vou te inundar
Não vou te inundar
A alegria é um presépio
A tristeza é tentação
Três Marias de um mistério
A surpresa em procissão
Trocaria a eternidade
Pela noite que chegou
Luz do dia realidade
De mãos dadas eu estou
Por que eu estou com ela
Sou dela
Sem ela
Não sou
Por que eu preciso dela
Só dela
Com ela
Eu vou

5 de julho de 2006

Dois pesos. Duas medidas. Ambos clássicos

Woody Guthrie e Pete Seeger. Você sabe quem são? Não? Então não tem meu respeito! Calm down, calm down it’s a silly joke. Eu explico para você.
Ambos são ícones mor da música folk do século passado. Não alcançaram o sucesso devido, mas influenciaram Deus (leia – se Bob Dylan) e o mundo.
O reconhecimento de suas respectivas obras ganharam nos últimos anos uma projeção maior graças a justas homenagens prestadas por artistas do primeiro escalão da boa música: Wilco junto ao bardo Billy Bragg e o chefão Bruce Springsteen.
No caso do Wilco a história foi mais ou menos assim: a filha de Guthrie encontrou em sua casa vários poemas não musicados pelo pai (escritos entre 1939 e 1955) e saiu a procura de artistas que adotassem a causa de musicar os mesmos. Porém, não com fins mercadológicos (como muitos pensaram na época) e sim no intuito de homenagear o cantor. Acertada a escolha de Billy Bragg e o convite aceito pela trupe de Jeff Tweedy, como banda apoio, iniciaram as gravações em 1997. O resultado destas gravações foram divididas em dois álbuns: Mermaid Avenue Vol. I e Mermaid Avenue Vol. II.
Sobre o primeiro (que é trilha neste exato momento) pode – se dizer que se trata de um disco que se Woody estive vivo iria, com certeza, fazê – lo soltar um largo sorriso de gratificação, pois Bragg e o Wilco trataram com respeito a obra do cantor. E difícil citar quais são os melhores momentos do álbum (já que são muitos) mas a balada “At My Window Sad and Lonely”, “One by One” e a country “California Stars” são alguns exemplos das grandes canções presentes aqui. Se Dylan aprovou que sou eu para discordar. Isto falando somente do Vol. I. Karina, por favor, o Vol. II desta preciosidade já!
Com Springsteen aconteceu assim: desde 1997 (coincidência não?) o cantor idealizou o projeto de homenagear o homem que mais o influenciou no campo musical: Pete Seeger.
Com sessões realizadas no mesmo ano, em 2005 e neste ano, o disco somente veio dar o ar de sua graça a poucos meses. Graça? E que graça! Tributos de qualidade como este são contados, desde de sempre, nos dedos e We Shall Overcome: The Pete Seeger Sessions é um belo exemplar de como se deve proceder (um verdadeiro manual de boa conduta) ao se prestar a homenagear alguém. Para as gravações Bruce contou que um time excepcional de jovens músicos, que somada a tradicional ajuda de alguns comparsas da E Street Band (sua banda de apoio a anos) ora reproduziram, ora recriaram as arranjos das canções de Pete.
No intuito de fidelidade, foram utilizados instrumentos tradicionais de canções folk que vão desde violões antiquados, banjos, violinos, tuba, percussão, acordeão, piano, trombone, saxophone e por aí vai.
O resultado de tanto trabalho não poderia ser outro: maravilhoso. Springsteen e cia realmente se dedicam ao máximo, emocionalmente falando, nas canções e chega a ser comovente / arrepiante algumas interpretações como as de “O Mary Don’t You Weep” e “Erie Canal”.
Abrilhantando ainda mais, o disco vem acompanhado por um DVD que demonstra um pouco como foram realizadas as gravações, no qual percebe – se um Springsteen de bem com a vida e satisfeito com o resultado alcançado.
E pode ter certeza Bruce, não é somente você que está feliz da vida com o tributo, pois eu, Hornby, Cameron Crowe e muita gente ao redor do globo não deixa de ouvir o disco por inúmeras vezes ao dia. De longe o melhor disco deste ano.

2 de julho de 2006

O Neil Young brasileiro

Pode procurar por aí e, com certeza, você não irá encontrar alguém em nosso país que tenha tantas semelhanças musicais com o mestre canadense.
Nando Reis (sim é ele), primeiramente, fundamentou a sua elogiada carreira solo calcando sua tradicional sonoridade pop / rock / mpb dos tempos de Titãs ao amor pelo folk que é marca registrada de Young presente em discos maravilhosos como Harvest (e logicamente a sua seqüência Harvest Moon) e Comes a Time.
Outro fator que os une é romantismo “barato” presente em todas em grande parte das canções. A visão de ambos são de homens que não temem demonstrar seus sentimentos quanto a mulher amada, amigos de longa data, filhos e até cachorros.
Como se não bastasse, até mesmo o visual de ambos são semelhantes: utilizam aquela tradicional calça jeans surrada, camiseta desbotada e chapéu de cowboy.
Banda de apoio? Se Young tem os fiéis escudeiros do Crazy Horse, Reis tem os Infernais que não devem em nada que aos companheiros do canadense já que também são exímios músicos pois reproduzem, com fidelidade, os arranjos produzidos em estúdio.
E no próximo Sábado teremos mais uma grande oportunidade de assistir o cantor em ação no Chevrolet Hall valendo pela turnê do elogiado Sim e Não, mais nova obra - prima de Nando. Para quem gosta de canções extremamente emocionantes e confessionais este show é imperdível.

25 de junho de 2006

Uma ode a amizade

Se podesse resumir em uma única frase qual seria o conteúdo de Uma Longa Queda, última obra de Nick Hornby, acredito que esta frase título é a melhor. Porém, antes que qualquer resalva é preciso de um pouco de explanação.
O livro relata a história de quatro desconhecidos que se encontram no topo de um prédio com o mesmo intuito: o suícidio. Cada um com suas devidas razões: Martin, um apresentador de televisão que viu a carreira desabar depois de se envolver em um escândalo; Maureen, uma senhora solitária cuja vida se resume a cuidar do filho que há quase duas décadas se encontra em estado vegetativo; JJ, um músico americano fracassado que sobrevive entregando pizzas; e Jess, uma desequilibrada e passional filha de um ministro. Mas, ao contrário do que se imagina, ninguém conclui tal ação. Ao invés disso, optaram reunir forças (e logicamente suas diferenças) numa tentativa, às vezes surreal, de solucionar os problemas.
Mesmo com atmosfera pesada, Hornby permeia a obra com elementos clássicos de outros de seus livros como inúmeras referências a músicas, filmes, livros.. (em suma: cultura pop). Tudo isso, mas com um diferencial: humor negro, que por vezes lhe faz rir até mesmo em situações angustiantes.
Como se dá tudo isso? Somente lendo para saber!
A lição? Esta eu conto: os problemas (que não são poucos nos dias atuais) nunca irão ter fim. Mas resolução fica sempre mais fácil quando se tem grandes amigos ao lado. E eu tenho.
Canção representativa - Nada de canções em prol da amizade, pois Julian Casablancas, o cabeça dos Strokes, mandou avisar:
The End Has No End
The Strokes

One by one, ticking time bombs won
It's not the secrets of the government
That's keeping you dumb
Oh, it's the other way around - wait...
What's that sound?
One by one, baby, here they come.
He wants it easy; he want it relaxed
Said I can do a lot of things, but I can't do that
Two steps foward, then three steps back...
Alright.
"Won't you take a walk outside?"
- Oh no.
"Can't you find some other guy?"
- Oh no.
"1 9 6 9 what's that sound?"
- Oh no.
Keeping down the underground
Oh no...
The end has no end
the end has no end
The end has no end
the end has no end
He want it easy; he wanted it relaxed
Said I can do a lot of things, but I can't do that
Two steps forward, then three steps back
It won't be easy
"Won't you take a walk outside?"
- Oh no.
"Can't you find some other guy?"
- Oh no."1 9 6 3 what's that sound?"
- Oh no.
Keeping down the underground
Oh no...
The end has no end
the end has no end
The end has no end
the end has no end...