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6 de agosto de 2006

I have forgiven live albums*

Sempre fui contrário a discos ao vivos. Primeiro porque se trata, geralmente, de um registro da qual não pude estar lá. Além disso, álbuns assim também funcionam como coletânea (outro gênero que odeio). Salvo raras bandas (o Pearl Jam e o Echo and The Bunnymen, por exemplo) são poucos discos que me levam ao revés.
Então eis que hoje mais um novo membro adentra ao prestigiado hall de "registros antológicos": Live At Earls Court de quem... de quem... do Morrissey é claro.
Lançado no ano passado, o disco passa a limpo quase duas décadas de boa música. Dos Smiths estão presentes nada mais, nada menos que cinco clássicos destacando as versões de "How Soon is Now?" e a minha predileta: "There is a Light That Never Goes Out".
Pérolas de sua elogiada carreira solo parecem ter sido escolhidas a dedo. Quem esperava os aclamados hits (como "Suedehead") ouviu b - sides de qualidade elevada como "Friday Morning". Sucessos mesmo somente as obrigatórias "The More You Ignore Me The Closer I Get" e "November Spawned a Monster".
Como o show era divulgação do soberbo You Are The Quarry estão lá outras cinco canções que ao vivo mantém a qualidade graças a competente banda de apoio do cantor.
Outras surpresas são a cover de "Redondo Beach" (de Patti Smith), executada com respeito ao arranjo original, e a atualização de algumas letras como acontece na segunda estrofe de "Bigmouth Strikes Again" (outra dos Smiths) onde Moz canta: "Agora eu sei como Joana D'arc se sentiu / Enquanto as chamas subiam até seu perfil romano / E seu walkman começava a derreter" que na versão 2005 transforma - se em: "Agora eu sei como Joana D'arc se sentiu / Enquanto as chamas subiam até seu perfil romano / E seu iPod começava a derreter". Genialmente hilário.
A cereja do bolo é "Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me" (outro clássico dos Smiths) que fecha com chave de ouro a apresentação realizada em 18 de dezembro de 2004 em Londres.
Por fim, vale dizer que este registro não é somente histórico por marcar o retorno do cantor aos palcos como também serve para provar que existem artistas cuja perfomance em disco convence até quem não é muito fã do formato.
Se bem que para um cara como Morrissey deve ser fácil afinal são tantas canções ótimas que qualquer set list é válido.
*Paródia de "I Have Forgiven Jesus" também presente no disco em versão matadora.

Love like a bomb

"Declarações amorosas são como granadas de mão: não devem ser guardados dentro do coração e sim lançados ao vento". Não sei a origem desta frase, mas começo a acreditar fielmente nela.
Para tanto, nesta temática "urgente" cada dia será mais um na luta em prol de um novo amor. Será que sairei vitorioso nesta guerra? É díficil dizer, porém estou pronto. E que o mestre Greg Dulli (e seu Twilight Singers) me abençoem.
I'm Ready - Twilight Singers

the sun don't shine 'round here no more
and i know it won't be long
I hope I see you out tonight
and I hope we get it on

'cuz i'm ready, I'm ready
to love somebody
'cuz i'm ready, I'm ready
let's go

whatever you heard about me before
believe me, theings ain't what they were
whenever you look at me or talk to me
you sound just like her

and I'm ready, I'm ready
to love somebody
'cuz I'm ready, I'm ready
to love somebody

seldom seen and in between
and I know it won't be long
bittersweet is evergreen
until we get it on

now I'm ready...

2 de agosto de 2006

Dêem as boas vindas! O homem de neandertal está de volta!

É realmente impressionante como o homem (no caso do gênero masculino) ainda me surpreende negativamente. Diariamente uma colega de classe dava carona para mim e algumas colegas até um ponto próximo à minha casa para que pudesse chegar cedo em casa e com segurança. Até antes das férias tudo transcorria de forma plena, mas quando retornam às aulas chega aos meus ouvidos a notícia de que ela não poderia me ajudar mais de tal forma porque o seu "namorado" não gostou da idéia de ter um homem (que não ele ou outro familiar) no mesmo carro.
Em pleno século XXI ver que algumas pessoas tenham ideologia errônea de tempos remotos é algo deprimente. Pensar no fato de que ainda existem pessoas agindo de forma instintiva, vendo o próximo como ameaça a seu "território" é complicado. Mas como posso ser uma se ele nem mesmo conhece o "inimigo"?
Porém, o que de veras me chateia não é isto. O que me preocupa realmente é o fato de que homens assim é que destroem carreiras promissoras. A Talita (a tal amiga) é uma pessoa MARAVILHOSA em vários aspectos: beleza, inteligência, dedicação, simplicidade... e ver que, talvez, tudo isso vá por água abaixo em prol do imaginário de um cara que mais parece idealizar uma vida de "Amélia" para ela do que crescimento mútuo é revoltante. Pensava que histórias assim só aconteciam em filmes como O Sorriso de Monalisa (ambientado na década de 50 veja só), mas vejo que certos valores insistem em perdurar por anos à fio.
Torço, e muito, para que tudo o que escrevi seja um erro, um exagero ou que ambos consigam superar esta dificuldade e possam crescer juntos em prol de uma vida melhor.
Trilha Sonora: Falando em algo melhor quem também anda desejando isto é Thom Yorke em The Eraser, seu primeiro álbum solo. Assustador que na primeira audição o disco soa indigesto, mas vai crescendo e sendo sorvido aos poucos. Utilizando de raros recursos (guitarra, baixo e uma bateria eletrônica) Yorke comprova que para a realização de um grande disco se faz necessário não uma mega produção e sim uma grande idéia. E isto fora alcançado com louvor aqui. Sério candidato a disco do ano.

31 de julho de 2006

Cenas de um casamento

Certa vez fui questionado pela bela Carol sobre o fato de se eu iria ou não ao casamento de meu amigo e guru Marcos então respondi: “Claro! Não é todo dia que se assiste ao enforcamento humano.” E era esta a ideologia mesmo. O casamento hoje em dia eu via como algo tão vago, desnecessário e inimaginável que somente passam pela minha cabeça piadas sem graça sobre o assunto.
Mas era chegada a hora da cerimônia e algo realmente impressionante aconteceu comigo: tudo mudou drasticamente. Não sei muito bem todas as razões, mas o cenário era de rara beleza, pois tudo estava muito bem ornamentado se assemelhando a filmes com uma bela fotografia. O fato de ver meu amigo aos prantos, quase não conseguindo falar, extremamente emocionado e as pessoas ao meu redor também estáticas e comovidas com tudo o que acontecia contribuíram para que meu ideal fosse pelo ralo.
Até mesmo o Padre que celebrou o casamento conduziu de maneira tão bela, versando sobre o amor e como o casamento é um exemplo mor deste sentimento que era visível que todos estavam “conectados” ao que fora presenciado.
E como a felicidade está nas pequenas coisas, no fim da cerimônia Marcos passa ao meu lado e me cumprimenta efusivamente, com um sorriso largo estampado ao rosto e eu quase choro.
Tudo que se seguiu depois também fora maravilhoso: a festa regada a muito champanhe e cerveja, conversas sobre casar ou não casar, sobre o presente e o futuro. Além disso, nasceram novas amizades e antigas foram reativadas. É como disse uma dessas amizades que estavam distantes (a Luciene) que encontro logo na entrada: “somente em ocasiões assim para nos encontrarmos”. Se a música ambiente era ruim passou desapercebido tamanha a minha euforia.
No fim, agradeci efusivamente ao Marcos e, a sua agora esposa, Tatiane por tudo desejando felicidades.
Abandonei o recinto cedo (creio que a meia noite), mas com uma vontade enorme de realizar algo incrível: me casar. Será que a garota Carol (aquela lá do início do texto) aceita? Vou sondar.

30 de julho de 2006

Preparando o bolso

Parece um sonho, mas Belo Horizonte irá sediar quatro shows de peso até o final do ano. Se tudo der certo, dois serão em Setembro e um em Novembro. Veja só:
03/09 - Slayer (Chevrolet Hall)
09/09 - Cardigans e Gang of Four (Chevrolet Hall)
11/11 - New Order (Estádio Mineirão)
Bom, eu preciso assistir o Slayer porque é um caso antigo da minha porção metaleira (como o AC/DC) que não me abandonam. E ainda, de que quebra, assisto o maior baterista de todos os tempos: Mr. Dave Lombardo.
O Cardigans é uma banda que vim a gostar há pouco tempo, mas já tem um lugar especial no meu coração sendento de músicas fofinhas. E a Nina Person é uma das mulheres mais lindas do mundo.
Já o Gang of Four é a velha escola pós - punk de volta e ainda com a formação clássica.
Para o New Order eu digo que apesar de não ser um grande fã de sua fase oitentista, a banda tem em seu currículo várias canções bacanas e um álbum que adoro (o do retorno Get Ready).
Se vou ter grana para isso tudo e muito mais (já que planejo ir ao Rio assistir a Patti Smith no Tim Festival) não sei. Vontade é que não falta.

29 de julho de 2006

Caviar é bom. Mas frango com farofa também

O que é preferível: assistir um filme do Steven Soderberg ou do Quentin Tarantino? Woody Allen ou Gore Verbinski? Goddard ou Almodóvar? Ou seja: você prefere o filme cult ou o de massa. Difícil não é? Bom eu, particularmente, prefiro ambos.
Claro que é um tanto quanto satisfatório sair do cinema com a “cabeça cheia” graças a um belo filme que lhe deixa perplexo. Não no sentido de chocar, mas que leve a reflexão sobre o aspecto abordado na película. Porém assistir alguns blockbusters de vez em quando não faz mal a ninguém.
Está certo de que a probabilidade de assistir um filme cult ruim geralmente é bem menor do que a de um “arrasa quarteirão”. Um bom exemplo de que um filme de mercado pode ser, ainda sim, digno de nota é Piratas do Caribe: O baú da morte. E por muitos motivos. A começar pelo óbvio: como é dirigido para o público pré – adolescente o roteiro é bastante simples e direto (cortezia de Ted Elliott e Terry Rossio), sem inúmeros personagens ou poucos de personalidade diversificada.
Além disso a atuação de Johnny Depp, mais uma vez, surpreende. Aliás já virou clichê falar isso afinal comentar qualquer coisa sobre as atuações de Depp é chover no molhado. Satisfação garantida.
Ainda no campo das atuações até mesmo Orlando Bloom, com sua insensatez e frieza, passa batido. Já Keira Knightley (esta sim, uma promissora atriz) mais uma vez não decepciona.
A direção de Gore Verbinski que poderia ser algo prejudicial (sim, prejudicial pois alguém se lembra que ele dirigiu porcarias como A Mexicana? Não né!) não atrapalha e sim acrescenta já que visualmente é espetacular. As cenas de guerra “mar adentro” e a tripulação de Davy Jones são impressionantes.
Aliás a incursão do personagem Davy Jones é extremamente louvável: criado digitalmente Jones é um pirata com uma pinça de caranguejo no lugar de um dos braços e uma longa barba formada por tentáculos de um polvo. Maléfico e engraçado este personagem é dos pontos alto do filme.
Por fim, nesta onda enorme de filmes de grande orçamento que estão por aí (o mediano Superman, por exemplo) é gratificante sair do cinema após uma sessão deste Piratas do Caribe: O baú da morte que, assim como o primeiro, é diversão garantida.

22 de julho de 2006

Considerações breves sobre a indústria fonográfica em 2006 – Parte 1

Um ano, até agora, sem grandes surpresas. 2006 no campo musical não apresentou trabalhos que poderiam ser tachados de “clássicos atemporais”, mas isto não impede que bons álbuns tenham chegado ao mercado fonográfico. Segue abaixo um breve retrospecto do que até agora chegou aos meus calejados ouvidos:
Snow Patrol – Eyes Open: Não tão bom quanto o disco anterior, o divisor de águas Final Straw, mas com bons momentos. “It’s Beginning To Get To Me” é a “Dakota” (maravilhosa canção do Sterephonics do ano passado) de 2006.
Twilight Singers – Powder Burns: O mais “roqueiro” dos discos deste projeto paralelo de Greg Dulli. Um prato cheio para quem, assim como eu, está com saudades de seus tempos de Afghan Whigs.
We are Scientists – With Love and Squalor: Debut promissor destes americanos que só foram conquistar sucesso na Europa. Letras engraçadas, canções pungentes e refrões chicletes são os destaques aqui. “Nobody Move, Nobody Get Hurt” e “It’s a Hit” são canções que você não deve ouvir! Sim, pois depois que você ouve não consegue deixar mais.
Morrisey – Ringleader of the Tormentors: A redenção de quem soltou os cachorros em You Are the Quarry, disco sensacional de 2004. Aqui o maior compositor inglês do século passado versa sobre o fato de ter encontrado o amor em Roma (cidade onde o disco fora produzido) e pode o perdão de Deus na sublime “Dear God, Please Help Me”. Para quem até perdoou Jesus este é um senhor disco. Um dos melhores até agora.
Sonic Youth – Rather Ripped: No disco de despedida da gravadora Geffen, o grupo de Nova York optou por sair do jeito quem entrou: entregando um disco redodinho e pop. Nada de microfonias e esquizofrenia da comentada, e pouco ouvida, trilogia de sua cidade natal. Thurston Moore e Lee Ranaldo, uma das melhores duplas de guitarristas de todos os tempos, capricham para que Kim Gordon solte o berro em canções como “What A Waste”. Muito bom.
Wolfmother – Wolfmother: Outro debut de qualidade elevada. O power trio australiano capricha ao emular a sonoridade do Led Zeppellin, Deep Purple e Black Sabbath. Porém, com um diferencial: sem parecer pastiche de ninguém.
Clap Your Hands Say Yeah! - Clap Your Hands Say Yeah!: Lançado lá fora no ano passado, mas só chegou agora por aqui. Talking Heads + Arcade Fire: a sonoridade vai neste caminho. Interessante.
Josh Rouse – Subtítulo: Ah o amor... Depois conhecer a espanhola que modificou sua vida (Paz com quem divide os vocais na belíssima “The Who Doesn’t Know How To Smile”) Rouse mudou tudo (ou quase tudo) relativo ao seu trabalho. O Alt. Country agora, por exemplo, dá lugar a bossa nova como na contagiante “Summertime”. Mas as pérolas soul ainda estão lá. “Givin It Up” que o diga.
Pearl Jam - Pearl Jam: Sábios afirmam que para estar vivo basta morrer. Bom, o Pearl Jam então pode-se dizer que morreu pela segunda vez (a primeira foi em Yield) para que Pearl Jam, o álbum, ganhasse espaço. A morte aqui ganha contorno de sonoridade. Sem em Yield fora a maturidade que surgiu aqui é a vez de jovialidade dos tempos inicias de carreira, mas com caráter político. Porém em alguns momentos o disco não engrena, chegando a ser até chato. Porém em outros... Em suma: meia boca.
Arctic Monkeys – Whatever People Say I Am, Thats I Am Not: Será que os ingleses da vez duram mais um disco? Tanto hype em cima de uma banda é realmente bom? Deixando este questionamento de lado o álbum é deveras bom. “I Bet You Look Good On the Dancefloor” é a canção que muita gente venderia a alma para ter composto. Um hino da azaração na balada indie.
Editors – Back Room: Na cola do Interpol, os “Editores” assumem as influências darks de um Joy Division, mas um pouco mais de luz.
Wolf Parade – Apologies to the Queen Mary: Banda canadense cujo disco de estréia tem a proeza de soar como os conterrâneos do Arcade Fire, mas com a cara do David Bowie. Sacou?


Não fica só nisso. Muito mais no próximo post.