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27 de agosto de 2006

Eu e a felicidade*

Bom, neste centésimo post estou esbanjando felicidade.
Ao que parace minha fase de trevas vai chegando ao fim. Tudo graças aos amigos.
Não há nada melhor na vida que no dia de seu aniversário receber ligações, abraços, felicitações e presentes de pessoas que significam bastante em sua vida.
Agradeço de coração a todos os amigos que fizeram de ontem um dos melhores aniversários de minha vida que agora chega a um quarto de século. OBRIGADO!
Parêntesis: "Eu e a felicidade" é o título do cartão de visitas de Carrossel mais novo petardo Britpop/Folk dos mineiros do Skank. A canção é mais uma parceira clássica de Samuel Rosa e Nando Reis.

26 de agosto de 2006

Considerações breves sobre a indústria fonográfica em 2006 – Parte 2

Dando continuidade sigo comentando o que de bacana fora lançado em 2006.
Se na lista anterior faltou o álbum clássico de 2006, eis que nesta segunda parte surge o grande candidato: Mr. Thom Yorke.
Thom Yorke - The Eraser: Já havia comentado sobre o mesmo, mas o disco ainda me fascina pela simplicidade quanto a sonoridade e aspereza quanto às letras. Um álbum comovente de um homem que ainda acredita na possibilidade de um mundo melhor. E a gente vai junto.
Strokes - First Impressions of Earth: Este já saiu a muito tempo e realmente é decepcionate. Quem achava que o disco anterior ruim (o mediano Room On Fire) descobriu que a criatividade dos nova - iorquinos começou a declinar agora. As cinco primeiras músicas são deveras boas (que coincidentemente são os singles do álbum), mas o restante de tão insoso lhe faz passar mal. Muito barulho por quase nada.
Walkmen - Hundred Miles Off: Que o documentário No Direction Home, de Martin Scorcese, mudou o mundo isto não é novidade. Mas os "filhos" deste trabalho começam a aparecer. O Walkmen agora junta - se ao seleto grupo de bandas cuja sonoridade (que neste caso era digamos "alternativa") é alterada em prol do folk rock Dylanesco. Ouça "Lousiana" e veja por que.
Primal Scream - Riot City Blues: Mais outra banda influenciada pelo documentário de Scorcese. Famosa por guinadas sonoras, agora a banda de Bobby Gillispie vai fundo nas raízes da música americana. Leia - se: folk, rock, blues e country. Deliciosamente bom.
Elvis Costello & Allen Toussaint - The River in Reverse : Dedicado as vítimas do furacão Katrina na cidade de New Orlens, Costello pegou os seus velhos comparsas (os Imposters) e uniu forças com o compositor Toussaint, tradicional músico da cidade, para a composição deste trabalho focado na sonoridade local: o R&B. E o resultado é lindo.
Raconteurs - Broken Boy Soldier: projeto dos sonhos que une Jack White e Brendan Benson, dois compositores de mão cheia. Um elo entre o Led Zeppelin e os Beatles jamais alcançado antes. Ouça "Intimate Secretary" e "Hands", dois belos exemplos.
Johnny Cash - American V: A Hundred Highways: Antes de partir desta para uma melhor Cash havia finalizado estas que são as últimas canções registradas em estúdio antes de sua morte. O tom tristonho do disco revela atmosfera carregada de um homem que não suportou viver mais separado de seu grande amor: June Carter que falecera seis meses antes. Lúgubre até mesmo na capa (que contém uma foto de Cash em P&B olhando fxamente para baixo) o álbum comove até mesmo as pessoas de coração "duro" graças ao lirismo apaixonado contido aqui.
Muse - Black Holes and Revelations: A imprensa ,em sua maioria, não gostou, mas eu adorei. Não ouviu os discos anteriores do grupo porém que o fantasma do Radiohead parece não assombrar mais. Quer dizer menos, pois a voz de Matthew Bellamy é inegavelmente similar a de Thom Yorke. Contudo este álbum é um discos mais versáteis de 2006, emulando sonoridades das mais variadas. De Depeche Mode ao Queen para se ter uma noção. Se este é o disco mediano deles imagino como será o bom. Confesso: estou com medo do Muse.
Bruce Springsteen - We Shall Over Come: The Seeger Sessions: Já havia escrito sobre as maravilhas cometidas pelo cantor aqui. E as mesmas ainda valem. Discaço!
Flaming Lips - At War With The Mystics: Também já comentado aqui, mas agora com uma ressalva: Wayne Cone é um semi - Deus dos dos indies. E tenho dito!
Ben Harper - Both Sides of The Gun: Disco duplo conceitual (que cá para nós: somados os tempos de cada um caberia em um único cd) do mais versátil cantor dos últimos tempos. De uma lado as mais belas e serenas canções compostas por ele. De outro funks e rockões enfezados para alegria da massa. Um disco que agrada a gregos e troianos com folga.
E não para por aí! Na próxima discos nacionais que você não pode deixar de ouvir.

22 de agosto de 2006

Canção dos próximos meses

Madonna definitivamente não estava errada por cantar em "Material Girl" que vivemos num mundo materialista, pois também sou vítima. É duro reconhecer, mas estou morrendo de saudade de meu velho discman que pifou de vez. A sensação que tenho é a de que perdi um grande amigo. Inferno astral é isso aí. E como a grana está curta para suprir esta ausência...
Bom, enquanto isso, sigo me preparando para o show do Cardigans ouvindo Super Extra Gravity mais novo petardo de Nina Person e cia. que, ironicamente, começa com a chorosa "Losing a Friend" canção cujos versos seguem abaixo:
The Cardigans - Losing a Friend

You got it all wrong
It's not about revenge
You're losing a friend
I didn't see it coming
With my head stuck in the sand
But now I'm losing a friend
And it's keeping me up
It's the ribbons I tie
I would rather just die
Go to heaven, crawl back
Than let you go
You're losing a friend
You jeopardize me
Bad, bad blood on your hands
I see you're losing a friend
I'm flicke and I'm vain
And you trick me over and over again
And now I'm losing you
And it's killing me
It's the strings that I tie
I would rather just die
Go to heaven, crawl back
Than let it all go
My mistake
To lose you
Oh no, oh no
So this is the end now
I'm losing you
Oh, look at you!
Look what you wasted
You're losing a friend
Oh no, oh no
I'm losing a friend
Oh, oh oh no

20 de agosto de 2006

Toda loja de discos tem um pouco de manicômio

Em tempos nos quais se pode baixar o conteúdo completo de álbum (incluindo música, b - sides e encarte) compradores de discos são considerados doentes mentais. E é bem verdade.
Compradores de discos são aqueles que podemos considerar os verdadeiros apaixonados pela música, pois sabem aguardar, pacientemente, que , por exemplo, os novos discos de Bob Dylan e Skank cheguem as prateleiras na terça, mesmo sabendo que os discos já estão circulando por aí a meses.
Uma loja de discos é o ponto de encontro de pessoas que conversam horas a fio sobre o universo da música pop, mas sem planfletarismo a favor de uma banda ou outra.
São pessoas que se sentem comovidas ao ouvir uma canção de Johnny Cash sabendo que o mestre não está mais entre nós.
Que amam Morrissey, Lou Reed, Rufus Wainwright entre tantos outros (e outras), ignorando sua opção sexual.
Que assistem ao show de uma banda desconhecida e ao primeiro acorde da canção sentem conectados ao que é presenciado.
Que chora num show de Elvis Costello, se arrepia todo ao ver e ouvir ao vivo, em casa, uma versão “Man On The Moon” do R.E.M e balança freneticamente ao som de “Damaged Goods” do Gang of Four sem nem mesmo saber dançar (que é o meu caso).
Consideram que a história de Bob Dylan e Richard Nixon tem a mesma importância para a humanidade.
Que ficam felizes da vida por encontrar em vinil o segundo álbum de Elton John que contém a sublime "My Father's Gun" utilizada por Cameron Crowe no filme Elizabethtown.
Por fim, pessoas dementes que pensam que sem a música não seriam absolutamente nada já que afinal ela é tudo. Graças a Deus.

16 de agosto de 2006

Reader Meet Author

Eu tive um sonho. Sonhava que sabia escrever (bem) sobre música. Mas meu sonho acabou. O por quê? A Ultima Transmissão, compilação do que de melhor Greil Marcus escreveu para diversas publicações.
Formado em Ciência Política e Estudos Americanos, Marcus aplicou toda sua bagagem de conhecimento em prol da música criando assim textos antológicos sobre Elvis Presley, Joy Division e Gang of Four.
Para se ter uma idéia, sobre um show antológico de Bruce Springsteen o autor relaciona de forma coerente Lênin e Beethoven a performance de quem segundo ele “cantava a beira do abismo”. E vai além, pois “isso não é uma metáfora”.
Marcus foi editor chefe do período áureo da Rolling Stone (no final da década de 60) época em que Lester Bangs e Cameron Crowe faziam parte do cast de ouro da revista.
Seu discurso é tão convincente que até mesmo a canção mediana “Pills and Soup” de Elvis Costello (do álbum Punch the Clock) vira a casaca e se torna um clássico atemporal graças ao teor político carregado da mesma que versa sobre fascismo e a donzela de ferro (leia – se Margaret Thatcher).
Falando ainda em Lester, se seu modo de escrita era simplista (e isto não é demérito algum) Greil Marcus dá um novo patamar a análise musical, justificando assim o seu status de “inigualável. Não só como escritor de rock, mas como historiador cultural” (Nick Hornby).
O idealismo punk/pós punk (tido por muitos como uma brincadeira adolescente) ganha aqui interpretações soberbas de um homem que não só esteve lá como também compreendeu, como poucos, que aquilo era algo a ser levado à serio.
Enquanto escrevo este texto estou ouvindo, de forma incansável, A Brief History of The Twentieth Century coletânea do Gang of Four (cujo texto de apresentação é de autoria de Greil Marcus) contando às horas para a apresentação do celebrado grupo inglês que acontece no dia nove de setembro. Este título é também perfeito para se relacionar com a obra de Greil Marcus que soube analisar perfeitamente a cultura de massa, o que fora o século passado e o que ainda estar por vir.

Parêntesis: Realizando a leitura deste livro encontrei o meu caminho. Se Marcus fora pelo caminho da política eu vou optar pela literatura. Afinal de contas quantos são os álbuns que tem como a influência a literatura? Milhares! Coincidentemente dias atrás estava eu pensando numa coluna para o jornal da faculdade que girava em torno desta temática. Trabalho árduo e, espero, gratificante pela frente.

13 de agosto de 2006

Canção da semana - Do Your Best and Don't Worry

Teria Morrissey escrito canções para todos os momentos de nossas vidas? Não sei, mas parece.
Tempos atrás estava eu apaixonado e Ringleader of Tormentors (disco redentor) foi trilha graças ao romantismo carregado da obra como em "To Me You Are A Work of Art".
Quando o amor acabou estava no meu cd player You are the Quarry, raivoso álbum (nas letras e não no som) cujo ápice é "I Have Forgiven Jesus" (citada aqui por zilhões de vezes), canção na qual Moz perdoa o filho de Deus Pai Todo Poderoso por ter lhe concedido o dom de amar, pois o amor despositado por Ele não traz felicidade e sim uma enorme suscessão de sofrimentos.
Agora quando minha veia criativa parece estar minguada quando à um projeto acerca da cultura pop, eis que surge Southpaw Grammar, disco curto (8 faixas) mas pungente e surpreendente que tem como principal faixa "Do Your Best and Don't Worry". E aí eu me pergunto: será que as coisas são assim mesmo? Fazer o melhor e não me preocupar...
Hoje estou vivendo o que Glenda descreveu para mim recentemente como meu "inferno astral pré - aniversário" que segundo a ela deve passar logo, logo.
Então, inspirado, mais uma vez, na ideologia do cantor vou tentar realizar "o melhor" lendo um bocado de livros para ver se avanço no complicado projeto em que estou imerso. Try, try and try.

6 de agosto de 2006

I have forgiven live albums*

Sempre fui contrário a discos ao vivos. Primeiro porque se trata, geralmente, de um registro da qual não pude estar lá. Além disso, álbuns assim também funcionam como coletânea (outro gênero que odeio). Salvo raras bandas (o Pearl Jam e o Echo and The Bunnymen, por exemplo) são poucos discos que me levam ao revés.
Então eis que hoje mais um novo membro adentra ao prestigiado hall de "registros antológicos": Live At Earls Court de quem... de quem... do Morrissey é claro.
Lançado no ano passado, o disco passa a limpo quase duas décadas de boa música. Dos Smiths estão presentes nada mais, nada menos que cinco clássicos destacando as versões de "How Soon is Now?" e a minha predileta: "There is a Light That Never Goes Out".
Pérolas de sua elogiada carreira solo parecem ter sido escolhidas a dedo. Quem esperava os aclamados hits (como "Suedehead") ouviu b - sides de qualidade elevada como "Friday Morning". Sucessos mesmo somente as obrigatórias "The More You Ignore Me The Closer I Get" e "November Spawned a Monster".
Como o show era divulgação do soberbo You Are The Quarry estão lá outras cinco canções que ao vivo mantém a qualidade graças a competente banda de apoio do cantor.
Outras surpresas são a cover de "Redondo Beach" (de Patti Smith), executada com respeito ao arranjo original, e a atualização de algumas letras como acontece na segunda estrofe de "Bigmouth Strikes Again" (outra dos Smiths) onde Moz canta: "Agora eu sei como Joana D'arc se sentiu / Enquanto as chamas subiam até seu perfil romano / E seu walkman começava a derreter" que na versão 2005 transforma - se em: "Agora eu sei como Joana D'arc se sentiu / Enquanto as chamas subiam até seu perfil romano / E seu iPod começava a derreter". Genialmente hilário.
A cereja do bolo é "Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me" (outro clássico dos Smiths) que fecha com chave de ouro a apresentação realizada em 18 de dezembro de 2004 em Londres.
Por fim, vale dizer que este registro não é somente histórico por marcar o retorno do cantor aos palcos como também serve para provar que existem artistas cuja perfomance em disco convence até quem não é muito fã do formato.
Se bem que para um cara como Morrissey deve ser fácil afinal são tantas canções ótimas que qualquer set list é válido.
*Paródia de "I Have Forgiven Jesus" também presente no disco em versão matadora.