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17 de novembro de 2006

Last Night I Dreamt That I Was In Paris With Charlotte Gainsbourg


Sonhos. Projeções. Ilusões. Do que seriam compostas nossas miseráveis vidas sem os sonhos? Um completo disastre.
Noites atrás minha mente tramou algo realmente inacreditavel: idealizei que estava na Paris de Bernardo Bertolucci (via Os Sonhadores) correndo sob a chuva de mãos dadas a Charlotte Gainsbourg, minha nova musa. Sorry Scarlet but...
Meu fascínio por esta bella dona teve inicio ao assitir ao trailer de Science of Sleep (novo de Michel Gondry, ainda inédito por aqui) no qual Gael García Bernal interpreta um homem que oscila entre o mundo dos sonhos e a realidade, cuja musa inspiradora é a própria. Assim como ele, também para mim fora paixão a primeira vista.
Em seguida, fora a vez do belo disco 5:55. Produzido pelo exigente Nigel Godrich (parceiro de Beck, Paul McCartney, Thom Yorke e por aí vai) com o apoio do duo francês Air, que cria o tradicional clima "lounge étereo", e de Jarvis Cocker (ex - Pulp) nas composições, o álbum é uma das mais gratas surpresas de 2006.
Começa a faixa título e a voz de Charlotte vai sendo sorvida aos poucos e cria uma cama deliciosa de melodias, ideais para serem ouvidas em tardes chuvosas, debaixo de um edredom e preferência acompanhada de um bom livro (composto de belas passagens) ou alguém que lhe aqueça o coração. Um disco deveras apaixonante que emociona - me a cada adição.
Pena que tudo fora um mero sonho e, talvez, nem mesmo os famosos Six Degrees of Separation sejam capazes de nos colocarmos frente a frente para um cafezinho em uma viela qualquer parisiana. A realidade é algo que sempre dói e acordar para ela é necessário. Mas, enquanto ainda estou em estado de dormêmcia continuo junto a ela correndo freneticamente pela ruas da cidade que ainda almejo conhecer.

11 de novembro de 2006

Language. Sex. Violence. Other?

O título do último disco do Stereophonics, transcrito acima à guisa de epígrafe, resume muito bem o espírito do mais novo longo de Martin Scorsese, The Departed (Os Infiltrados).
Inspirado em Conflitos Internos (2002), o roteiro em síntese gira em torno da história de dois homens em lados opostos da lei: um é mafioso e se infiltra no departamento de polícia de Boston; o outro é policial e se aproxima secretamente da máfia irlandesa. Quando a violência aumenta e o derramamento de sangue é inevitável, crescem também as suspeitas. Assim cada espião-duplo tem a missão de correr contra o tempo para revelar a identidade do inimigo. Tudo de certa forma com cara do tipo "hummm... já vi este filme". Porém essa analogia na cabe ao filme de Scorsese.
Elementos como sexo e violência (tão trabalhados em outros de seus filmes) aqui são explorados de forma tão densa que faz Cabo do Medo, clássico também de sua autoria, conto da carochinha. A lingugem dos personagens também é carregada de palavrões dos mais variados tipos (que chocariam os puristas) e recheada de conotações sexuais da maneira mais suja possível. Aliás sujeira é que não falta.
A corrupção é o elemento chave da manipulção. Está por todos os lados. Seja por parte da polícia, seja por parte dos criminosos, traficantes etc. Em grande ambos os departementos trabalham de forma conjunta em busca de informações chave. Os ratos estão a solta e conduzem a película.
No campo da atuações, quem rouba a cena, mais uma vez, é Jack Nicholson. Seu personagem. o gangster Frank Costello é sem sombra de dúvida uma das melhores atuações de sua longa carreira. Em entrevista a Rolling Stone Nicholson revelou que o diretor havia idealizado um Costello maléfico, mas nem tanto. O ator resolveu intervir nas características de constiuição do mesmo e o clima esquentou e Nicholson quase pulou fora do barco. Mas no final tudo deu certo. Ponto para ele!
Leonardo DiCaprio e Matt Damon também estão bem em seus respectivos papéis. E isto é muito tratando - se de DiCaprio que, a meu ver, não obteve uma atuação contundente digna de louvor até hoje.
A trilha é um capítulo a parte. Composta por canções setentistas, estão lá os mais variados artistas que Scorsese e, o sempre bom, Howard Shore escolheram a dedo. Então você tem um Stones aqui ("Gimme Shelter" e "Let it Loose"), um Pink Floyd acolá (com a sublime "Comfortable Numb" em cena extremamente sensual) e alguns artistas "b - sides" como o Badfinger (que poderia ser o Beatles, mas a história não deixou) e os Allman Brothers.
A intertextualidade em citações de ícones literários como James Joyce, Freud (mesmo que de forma irônica), entre outros, é algo a se destacar.
Comparado a sua filmografia recente (que inclui os medianos Gangues de Nova York e O Aviador) The Departed está anos luz a frente e coloca novamente Scorsese no famoso Top 5 de filmes do ano. Porém não difere muito de seus trabalhos anteriores, pois dialoga, de forma direta, com a trajetória violenta da construção da América de ontem, hoje e sempre. Ainda bem!
P.S. Falando em "Let it Loose", faixa do clássico Stoneano Exile On The Main Street, em uma das cenas decisivas do filme a capa do disco fora utilizada para uma revelação bombástica. Será que alguém viu? Eu vi!

4 de novembro de 2006

Dois discos. Duas medidas. Ambos para lá de bons.

Dois dos álbuns mais comentados da atualidade são do Caetano Veloso e FutureSex / LoveSounds do Justin Timberlake .
Apesar da categórica distância musical de ambos, os discos trazem em sua gênese um elemento semelhante: “o sangue quente”. Porém, aqui isso se dá por razões distintas.
Como prova, faço uma análise “Chico Picadinha” (ou seja, parte por parte) do que são constituídos, justificando, talvez, o motivo de tanto comentário.

Temas

: Sexo e ódio. Em igual proporção.
FutureSex / LoveSounds: Sexo, mas cantado de forma sexy. Muito sexy.

Alvo

: O disco de Caê só tem, basicamente, um direcionamento: sua ex – mulher Paula Lavigne.
FutureSex / LoveSounds: Sua atual namorada Cameron Diaz.

Por quê?

: O fim de seu conturbado casamento. Daí tanto ódio. O sexo vem da vontade de Caetano mostrar que, como afirma o refrão de “Outro”, ele não se abateu, pois continua na ativa de “cara alegre, cruel, feliz e mau. Com o pau duro”.
FutureSex / LoveSounds: Ao que parece o que Britney Spears não “liberou”, ou custou para “liberar”, Cameron Diaz tem dado a rodo. O quê? Sexo é claro! Eis o motivo de o disco girar em torno basicamente do tema.

Sonoridade:

: Nunca Caetano soou tão rock em sua longa carreira.
FutureSex / LoveSounds: Em seu segundo álbum, Justin acende uma vela para pop de qualidade elevadíssima.

Top 5:

: “Outro”, “Rocks”, “Deusa Urbana”, “Odeio”, “Homem”... Sinto que deixe algumas de fora. Foda!
FutureSex / LoveSounds: “SexyBack”, “Lovestoned”, “Damn Girl”, “Losing My Way” e “Pose” entre tantos outras.

Importância

: Caê esfrega rock na cara do cenário mainstream e da crítica dando lição de como compor um belo disco a várias bandinhas que imperam no dial brasileiro.
FutureSex / LoveSounds: não vai mudar o mundo, mas com certeza rouba o cetro, que um dia já pertenceu a Michael Jackson e Prince. E injeta qualidade nas MTVs por aí. Afinal é o Justin né!

Por fim, é engraçado pensar que à bem pouco tempo odiava por razões inúmeras ambos. Agora basta criarem discos dignos de nota (que figuraram com certeza nas listas de melhores do ano) e tudo muda de figura. É o poder da música se confirmando!

2 de novembro de 2006

The idiot – Crônica de um babaca que sonha ser Beck

Uma das maiores virtudes do ser humano é o seu caráter mutante. De adotar máscaras. Transformar – se em outro. Desvirtuar o que está errado. Saber como virar o jogo na hora certa. Tudo isso em prol da superação dos problemas da vida que se leva.
Tempos atrás acredita eu ser deter este “dom”, pois a felicidade era o meu codinome. Se as coisas não iam bem fazia uso de certo jogo de cintura para que as agruras não me abalassem e seguia em frente sorridente e dançado conforme a música. Mas de uns tempos para cá parece que perdi meus “super poderes”. Parece que problemas do passado (que claro, sempre voltam) tornaram – se algo como vírus que é eliminado, mas ressurgem fortalecidos de tal forma que parecem imbatíveis. Aparentemente sem antídoto.
Nestas horas sonho em ser Beck Hansen, que pode não o cara mais feliz do mundo (afinal de contas ele pariu tempos atrás o disco tristonho, de dar dó, Sea Change), mas não há ninguém no meio musical tão mutante quanto ele. Seus discos são versáteis, poli temáticos, vigorosos, dançantes, belos... Um caminhão de adjetivos é cabível aqui.
Enquanto Bowie e Costello (considerados os camaleões da música) realizam discos focados num único estilo (se é R&B é R&B, se é eletrônico é eletrônico) Beck consegue a façanha de realizar o crossing-over (é assim mesmo que se escreve?) na mesma canção misturando country, rap, batidas electro e por aí vai. Não que ele não tenha realizado discos temáticos (o citado Sea Change, por exemplo, vai pela onda Nick Drakiana. Midinite Vultures é uma viagem pelo universo do funk e soul), mas ainda assim Beck cria álbuns sob a sua ótica. Ou seja: de forma diferenciada.
Prova mor disso é o seu último rebento: The Information. O que o multi instrumentista pretendia no disco anterior, o ótimo Guero, aqui fora alcançado em sua plenitude. Desde Odelay, clássico lançado há uma década atrás, Beck não soa tal genial. Para realização desse pequeno clássico, Beck utilizou uma gama enorme de instrumentos (de xilofones a pick – ups) em prol da criação de canções que refletem a sua personalidade: um tanto quanto atormentada, estranha, mas ainda sim com aquele frescor pop que todos adoram. O mundo agradece.
Não sei se estou certo por acreditar que Beck e sua versatilidade podem ser a soluções dos problemas que me afligem, mas gostaria muito de ser um cara assim, mutante, que sabe dar a volta por cima, de adotar personalidades para solucionar o que deve ser solucionado e depois abandona – lá para retornar a mim mesmo.
Ironicamente, o mais próximo que consigo chegar a Beck é me identificar com duas de suas canções emblemáticas: “Jack – Ass” e “Loser”. Mas hoje ele não é mais assim (acredito) enquanto eu continuo sendo aquele babaca, idiota que causa a irritação e magoa as pessoas que realmente se importam comigo e significam muito para mim.

14 de outubro de 2006

Always isn't always? Bullshit.

Você está em tudo o que vejo.
Você é tudo o que sinto.
Você está em todas as canções que amo.
Você está nas solitárias salas de cinema.
Você está nos filmes que aprecio.
Você é o meu vício.
Você é o motivo dos meus cigarros.
Você é a razão da minha vontade de beber todas as noites.

Você está em todos os lugares.

Você está nos corredores dos shoppings.

Você está nas esquinas escuras da cidade que nunca dorme.

Você está nos livros que admiro.
Você está nos versos que me inspiram.
Você, você sempre você.
Você é a desgraça.
Você é algo que eu odeio!
Você é algo que anseio deixar para sempre.
Mas você faz parte de mim.
E sempre fará.

12 de outubro de 2006

Canção da semana

Sei que este espaço está em estado de coma, mas aos poucos pretendo entrar nos eixos.
Enquanto não volto a escrever de forma plena, para não perder o costume, cito aquela que é a canção da semana: "Knights of Cydonia" peróla de encerramento do já comentado discaço Black Holes and Revelations. Detentora de um caratér épico(quanto a sonoridade) e político (quanto a letra), a canção é uma obra - prima por si só. Um retrato perfeito da Era Bush que vai chegando ao fim, mas que deixará marcas eternas na trajetória americana e do mundo. Infelizmente de forma negativa.

Knights Of Cydonia
Muse
Composição: Matthew Bellamy

Come ride with me
Through the veins of history
I'll show you how god
Falls asleep on the job

And how can we win
When fools can be kings
Don't waste your time
Or time will waste you

No one's gonna take me alive
The time has come to make things right
You and I must fight for our rights
You and I must fight to survive

No one's gonna take me alive
The time has come to make things right
You and I must fight for our rights
You and I must fight to survive

No one's gonna take me alive
The time has come to make things right
You and I must fight for our rights
You and I must fight to survive

1 de outubro de 2006

All that I need is...

Eu preciso de escrever ensaios, projetos e resumos. Sobre a importância dos Beastie Boys para a música pop; a necessidade do mundo ouvir a trilha de About A Boy; o universo masculino, romântico, fragililizado e desiludido de Ryan Adams; Tom Petty, o sublime Astral Weeks de Van Morrisson ...
Eu preciso estudar para apresentações, provas, seminários...
Eu preciso ler livros inacabados: Crime e Castigo, O Caçador de Pipas, Dylan: A Biografia...
Eu preciso ouvir discos que estão empilhando cada vez mais em minha prateleira.
Eu preciso agradecer (sempre) as pessoas que muito fazem por mim (vocês sabem quem são).
Eu preciso mudar de emprego, de vida.
Eu preciso de "um tiro no braço".
Eu preciso dormir mais. Eu preciso "não dormir" para fazer, pelo menos, metade do que pretendo.
Eu preciso pensar menos. Eu preciso agir mais.
Eu preciso de tempo. Eu preciso de que o dia tenha no mínimo 36 horas.
Eu preciso, por agora, dormir um pouco para mais uma terça - feira.