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27 de dezembro de 2006

The Best of 2006: Films

Dando inicio a tradicional retrospectiva anual começo pelas salas de cinema que, neste ano que se passou, fora visitada por 34 vezes (segundo consta meu vício de guardar os ingressos). E não fora de todo mal. Para tanto fujo, como no ano passado, do tradicional “Top 5” e engato um “Top 10” sem ressentimentos.
Antes citar quais estão dentro comento os que ficaram de fora. Apesar de assistir nesse ano deixei de fora os ótimos Crash, O Jardineiro Fiel e Syriania pela razão de que os mesmos foram produções realizadas em 2005 e inclusive premiadas na cerimônia do Oscar desse ano.
No âmbito do “quase” estão lá Paradise Now, Caché, Beijos e Tiros, Lemming, Factotum e O Amor Não Tira Férias que bateram na trave por razões distintas, mas vale a pena (e muito) assistir.
Detalhe: sou fã de Pedro Almodóvar, mas não encarei Volver até hoje. Por quê? Não tenho a menor idéia. Porém algo me diz que não deve assisti-lo porque toda vez que me prontifico para tal tarefa algo dá errado. Vou aguardar o DVD pacientemente. Sem mais delongas estão aí os meus 10 melhores filmes de 2006 (sem ordem de preferência):

Flores Partidas – Jim Jarmusch
O Grande Truque – Christopher Nolan
Fonte da Vida – Darren Aronofsky
Os Infiltrados – Martin Scorsese
Vôo 93 – Paul Greengrass
Obrigado Por Fumar - Jason Reitman
Separados pelo Casamento - Peyton Reed
V de Vingança - James McTeigue
O Plano Perfeito – Spike Lee
Amor em 5 Tempos – François Ozon

21 de dezembro de 2006

Dyslexic Heart – Crônica do adeus a “era dourada”

Em mais uma manhã de café da manhã frente a TV fui pego desprevenido por algo inimaginável: o vídeo de “Dyslexic Heart” de Paul Westerberg (da trilha de Singles – Vida de Solterio e dirigido por Cameron Crowe) que causou em mim um flashback inesperado. Voltei a 1999, ano em que fora dado inicio da minha “era de ouro”.
Mesmo com fim do advento grunge em 1994, o movimento ainda ganhava (e ainda ganha) asseclas e eu seguia junto. Tive minha primeira (e única) banda que tocava covers de Nirvana. Não éramos os melhores, mas até que tocávamos bem. Acredito que não fomos em frente basicamente porque éramos um trio, logo depois um quarteto, de fanfarrões. Não ensaiávamos muito. Nossos fins de semana eram ocupados demais, regados a festas “rocker”(no Lapa Multishow), noitadas em botecos (no extinto Bar Rocho), shows e mais shows (de Mudhoney, Pearl Jam Cover...). Tinha a garota mais bela da escola a meu lado. Noites antológicas que perduraram por dois anos. Porém, tal como o filme de Crowe, a idade adulta chega e eu fiquei velho rápido demais. Não tenho pique para noitadas. Festas na casa de amigos abandono cedo. Shows? Assisto sentado.
Ao preparar – me para sair para mais um dia de trabalho deparo com a minha blusa xadrez “empoeirada” na guarda – roupa e resolvo lhe dar mais uma chance. Retiro os Cd’s do Caetano da bolsa e coloco alguns dos Screaming Trees, Temple of The Dog e, claro, a trilha de Singles. Tudo para tentar sentir aquele frescor daquela época.
Fico feliz ainda em saber que me arrepio da mesma forma nos primeiros acordes de “Nearly Lost You” dos Screaming Trees. Que ainda consigo ouvir Alice in Chains. Que sustento a idéia de ir algum dia ao show Pearl Jam. Mas os tempos são outros.
As obrigações da era moderna me deixam dia após dia ainda mais distante dessa era que se foi e não volta mais. Os amigos daquela época se foram. Estão ocupados demais. Quase tudo se foi. All Grow Up. Unfortunelly.

17 de dezembro de 2006

The legacy: the world domination of Gainsbourg family

Nunca o sobrenome Gainsbourg fora tão comentado como neste ano que passou. O falecido Serge Gainsbourg (que partiu em 1991) deixara uma herança sobre a terra e isto não há dúvida. E tão versátil quanto o próprio Serge, 2006 fora o ano que sua honrosa família “atacou” por diversas as vertentes. Tributos, cinema e discos – solos da prole foram alguns deles.
Para celebrar seu 50º aniversário, o tributo Monsieur Gainsbourg Revisted traz nomes de peso do cenário musical atual (e algumas de suas amantes/cantoras) para recriação de algumas de suas composições clássicas. O cartão de visita fica com Franz Ferdinand que junto a Jane Birkin (ex – esposa do mestre) executam a enérgica “A Song for Sorry Angel”. Cat Power e Karen Elson injetam sensualidade em grau máximo (marca registrada de Serge Gainsbourg) na mais famosa de suas canções “Je T’Aime Mon Non Plus” vertida aqui para “I Love You (Me Either)” executando o dueto que antes fora realizado pelo próprio Serge e Jane Birkin. O Portishead coloca as batidas do trip – hop a serviço de “Requiem for Anna” e o resultado é grandioso. Um dos melhores trabalhos realizados em sua homenagem. Michael Stipe (R.E.M), o andrógeno Brian Molko (Placebo), The Kills e Jarvis Cocker também contribuem e engrandecem o maravilhoso álbum, pois o resultado do tributo esta a altura do autor. O único porém é o fato de que o disco é todo em inglês. Detalhe: Serge, como dizem por aí, só não dominou o mundo porque era avesso ao inglês e por isso compunha somente em sua língua nativa: o francês.
Falando em Jarvis Cocker (o figura aí ao lado), se existe alguém no universo pop que chegue próximo a magnitude do clã de Gainsbourg é ele. Em Jarvis, o cantor faz uso de temáticas trabalhadas em exaustão no universo fantástico “gainsbourguiano” no qual amores dilacerados, perversões, traições e assassinatos dão o tom. Não se trata de uma obra – prima já que o disco alterna momentos brilhantes (“Don’t Let Him Haste Your Time”) e outros nem tanto (“Heavy Weather”), mas deixa em aberto o destino do cantor cujo passado fora de glorias quando era o frontman do Pulp .
Quem também lançou disco em 2006 fora uma das musas do mestre: a já citada Jane Birkin. Fictions rompe um hiato de anos sem gravar e mostra Birkin escudada por uma nova geração de compositores (Beth Gibbons é uma delas). E o tempo parece passar de forma lenta. Sua voz continua intacta. Serena. Diversificação é o lema musical do álbum que vai do jazz ao eletrônico passando pelo folk. Como são bastasse canções em francês e em inglês alternam – se e comovem os corações ao redor do globo. A versão de “Harvest Moon” (de Neil Young) não me deixa mentir.
E para finalizar escrevo sobre minha musa, Charlotte Gainsbourg (filha de Jane Birkin com Serge), que me fez passar por bobo dias atrás. Estava eu no cinema assistindo a Lemming (2005) e a cada vez que ela surgia na tela sorria feito uma criança quando ganha seu doce predileto. Sorte minha ninguém estar ao meu lado.
A presença dela era tão radiante que quase me esquecia do filme que é deveras bom. O roteiro da a falsa impressão de que se trata de um drama protagonizado por dois casais de estilos de vida antagônicos. Entretanto, o filme da uma virada e o que poderia ser um “dramalhão” torna – se um suspense de primeira linha.
Apesar de o título ser o nome de um animal (o Lemingue, natural da Escandinávia) o diretor realiza intertextualidade com um fato originário da via animal (a migração) que se relaciona diretamente com a história vivida pelas personagens. Somente vendo para crer.
Como o assunto é 2006 Charlotte esse ano lançou seu segundo disco 5:55, comentado em posts anteriores, e ainda continua com nota máxima por aqui. E o também já comentado, mas ainda não assistido, Science of Sleep que continua a sua saga de confundir o mundo. Protagonizado por Charlotte e Gael Garcia Bernal, o filme retrata a história de Stéphane Miroux (Bernal), um jovem excêntrico cujos sonhos constantemente invadem a sua vida. Com uma promessa de um bom emprego, Stéphane é coagido por sua mãe a voltar a sua cidade natal.O sujeito é bastante criativo. Enquanto dorme, ele é o carismático anfitrião do programa imaginário "Stéphane TV", onde explora a "Ciência do Sono" em frente a câmeras de papelão. Porém, na vida real, consegue um trabalho entediante em um local onde são publicados calendários. Lá, é obrigado a dividir uma pequena sala com três colegas, incluindo Guy (Alain Chabat), que é bastante faminto por diversão, e seu chefe. A decepção com o emprego, no entanto, acaba ao conhecer sua vizinha Stéphanie (Charlotte Gainsbourg) e Zoé (Emma de Caunes), uma amiga dela. Inicialmente atraído por Zoé, Stéphane passa a gostar de Stéphanie devido a imaginação dela bater bastante com a dele. Ele passa a colocar a garota em vários projetos criativos de sua mente. Stéphanie, de alguma maneira, acha a chave para o coração do rapaz. À medida que a relação dos dois floresce, o sujeito começa a deixar a sua imaginação interferir na sua vida real. E por aí vai. Equanto o filme não chega aos cinemas brasileiros, a trilha (graças a Karina) já chegou aos meus ouvidos, mas não irei cometar, pois sem assitir ao filme não muita tem graça.
Enquanto isso, na “sala de justiça”, Serge Gainsbourg segue observando, mesmo distante, que seu legado vai só aumentando. E com justiça, pois sua influente obra ainda é matriz para muito do que se produz no universo da cultura pop.

14 de dezembro de 2006

Heaven knows I’m Miserable Now*

“What about the voice of Geddy Lee. How did it get so high? I wonder if he speaks like an ordinary guy”
Sthephen Malkmus, vocalista do Pavement, em “Stereo”

Não! Não serei a, mais uma vez, tirar sarro com Geddy Lee (vocalista do Rush), pois, como percebe – se na epígrafe, Malkmus já o fez maravilhosamente bem. A utilização da mesma se justifica ao fato de que, assim como Lee, Ryan Adams já foi, em sua melhor fase, um “ordinary guy”.
Em Heartbreaker, seu melhor disco solo (e não me venha dizer que prefere outro!) Ryan expõe, em tom confessional, um período conturbado de sua vida. Para se ter uma noção sua ex – banda, a elogiada Whiskeytown (uma das prediletas deste que vos escreve), entrava num período de férias que culminaram no fim da mesma. Seu relacionamento com Winona Ryder chegou ao fim de forma catastrófica. O uso de drogas atingiu escalas grandiosas... E foi de “cabeça cheia” que Ryan mais o produtor Ethan Johns (fiel escudeiro que viria posteriormente a trabalhar em outros discos de Adams) gravaram em poucos meses esta obra – prima.
Como já afirme Adams aqui canta, de forma tristonha, as mazelas de quem está à beira do abismo. Apresenta todas as suas chagas temendo a não recuperação. Tudo de forma bela e serena.
Em “Oh My Sweet Carolina” castiga o ouvinte ao convidar a musa country (e de Gram Parsons) Emmylou Harris para realização de um dos duetos mais comoventes dos últimos tempos.
Na belíssima “Come Pick Me Up” (utilizada brilhantemente por Cameron Crowe em Elizabethtown) é visível também certa carga de ódio no qual o cantor diz: “Me fode, roube meus discos, estrague todos os meus amigos”.
Ecos de Dylan (das antigas como nas garageiras “To Be Young” e “Shakedown On 9th Street”), Bruce Springsteen (fase Nebraska na gélida “To Be The One”) e Nick Drake (fase Pìnk Moon em “Don’t Ask For The Water”) são perceptíveis aqui e acolá.
Uma pena que esta fase “Poor Boy”** tenha durado apenas um disco. Mais tarde, no disco seguinte (o multiplatinado Gold) Adams dá a volta por cima e, a partir daí, nunca mais seria o mesmo só voltado a explorar o formato (sem repetir o brilho) no duplo Love is Hell.
Mais eu e Nick Hornby (que escreveu um ensaio muito bacana sobre Heartbreaker) ainda preferimos a fase “ordinária” do moço.
O disco em si é um convite ao universo de quem ama de forma zelosa e incondicional e sofre as agruras por isso. É o convite para o universo românico e sôfrego de Ryan Adams. É um convite irrecusável.

* O título da canção dos Smiths é perfeitamente justificável pelo fato de que a primeira de Heartbreaker é na verdade uma discussão entre Ryan Adams e os integrantes de sua banda sobre uma faixa de Morrissey. E pela temática do álbum também.
** “Poor Boy” é uma canção de Nick Drake presente em Bryter Later, seu melhor álbum que se você não tem vale aqui aquela máxima da Bizz: "compre, roube, copie, peça empretado (e não devolva), mas não deixe de ter esta obra em casa".

10 de dezembro de 2006

Perólas de uma vida composta por outros sonhos.

Num prazo curto de duas semanas duas das turnês mais comentadas do ano protagonizada, por dois ícones mor da nossa mpb (Caetano Veloso e Chico Buarque), passaram por Belo Horizonte e este que vos escreve foi conferir.
Dizendo de forma breve diria que se Chico emociona e Caetano surpreende.
O show de Caetano no dia 25 de novembro de 2006 fora um grande feito. Com casa cheia e com o repertório de(seu mais novo rebento) debaixo do braço o bom baiano realizou uma apresentação espetacular. Jovial como nunca, o cantor esbanjou vitalidade em todos os sentidos. Musicalmente falando, a nova fase de Caê é rock não só na sonoridade, mas também na postura. Acompanhado por um jovem e enxuto trio (composto por baixo, guitarra, bateria e um teclado ocasional) Caetano, mais uma vez, se reinventa. Quem, por exemplo, espereva os tradicionais hits surprendeu - se com a nova roupagem de hinos como "Sampa" (que ganhou um arranjo de caráter psicodélico) e com o set list composto por b - sides como "You Don't Know Me" e "Nine Out of Ten" (ambas do clássico Transa) que abrilhantaram e justificaram o porque de tanto alarde acerca deste novo "Caê" . Em poucos mais de duas horas o cantor mostrou mais uma de várias de suas facetas o que me faz apelidá - lo de "David Bowie dos trópicos" pelo seu aspecto mutante.
Se Caetano é Bowie diria que Chico é o nosso "Leonard Cohen". Digo isso pela gênese autoral de ambos que primam muitos mais, a meu ver, sobre o que está sendo cantado. E como Chico faz tão bem está tarefa...
Na turnê de Carioca a volta do cantor aos palcos é na verdade uma celebração ao formato canção que, ironicamente, ele havia decretado a morte em entrevista recente à Folha de São Pualo. Amarradas como um bom roteiro cinematográfico, as músicas vão se interligando umas as outras, ganhando texturas belíssimas que arracaram lágrimas do público presente.
Tudo começa com a dobradinha "Voltei a Cantar/Duro na Queda" e você já fica estático.
Cada palavra pronunciada por Chico parece ter um tom de súplica ao que está sendo dito e que somado ao desejo fervoroso do público presente conciliam - se num casamento perfeito.
Visuamente o palco é de rara beleza alternado cores e luminosidades, ilustrando em sua plenitudade o calculado set list que opta por não entregar sucessos ao léo, mas sim uma "malha fina" no que de melhor Chico produziu nesses seus 40 anos de carreira. Literamente aqui vale o dizer: Chico nessa sua, ao que dizem por aí, derradeira turnê joga "pérolas aos porcos".
E nós, meros mortais, agradeçemos a ambos que transformam nossos sonhos em canções e nos dar força para seguir em frente. Amém!

1 de dezembro de 2006

Os efeitos da Globalização Musical


O que seria globalização? Esse conceito basicamente todo mundo sabe e aprendeu naquela aula de Geografia. Se você não se lembra eu lhe refresco a mémoria num texto surrupiado lá da Wikipedia:
"A globalização é um dos processos de aprofundamento da integração econômica, social, cultural e espacial e barateamento dos meios de transporte e comunicação dos países do mundo no final do século XX. É um fenómeno observado na necessidade de formar uma Aldeia Global que permita maiores ganhos para os mercados internos já saturados.
A rigor, as sociedades do mundo estão em processo de globalização desde o início da História. Mas o processo histórico a que se denomina Globalização é bem mais recente, datando (dependendo da conceituação e da interpretação) do colapso do bloco socialista e o conseqüente fim da Guerra Fria (entre 1989 e 1991), do refluxo capitalista com a estagnação econômica da URSS (a partir de 1975) ou ainda do próprio fim da Segunda Guerra Mundial.
As principais características da Globalização são a homogeneização dos centros urbanos, a expansão das corporações para regiões fora de seus núcleos geopolíticos, a revolução tecnológica nas comunicações e na electronica, a reorganização geopolítica do mundo em blocos comerciais regionais (não mais ideológicos), a hibridização entre culturas populares locais e uma cultura de massa supostamente "universal", entre outros."
Como vimos, este processo iniciou e se consolidou na década de 90. Mas os Beastie Boys, via Paul's Boutique, anteciparam essa "universalização".
Ainda na era do vinil, os Beastie Boys adetram no fatídico ano de 1989 ao estúdio junto aos Dust Brothers para realização de seu mais audacioso álbum. Até então o que se conhecia da cartilha do rap (assim como qulaquer outro gênero) era que um grupo nunca poderia "trair o movimeto" agregando outros elementos, quaisquer que sejam eles. Mas o trio nova - iorquino optou por ignorar esta regra e seguiu em frente.
Se alguma parcela do público ainda duvidava que a seria possível unir ritmos dispares (como Ill Comunication, o primeiro álbum, já avisava), o grupo provou que era humanamente possível. Agregando ritmos de todo globo como Rock, Jazz, Rap, Samba, Dub, Funk, Soul, Reggae, Country (utilizando mais de 100 samples, marca incrível até hoje) encontram se aqui no universo "beastie" de forma plena.
Elogiadíssimo pela crítica e subestimado pelo público, o disco obteve seu reconhecimento anos mais tarde quando os efeitos da globalização musical tornaram - se vísiveis a olho nu.
Um mundo sem Paul's Boutique não haveria versatildade na música. O rap não teria saido dos guetos para o resto para o globo.
O que seria da carreira de Beck, Moby, Fatboy Silm, DJ Shadow entre tantos outros sem o álbum eu não sei.
Conclamado pela crítica na época como o "Pet Sounds/Dark Side Of The Moon do Hip Hop" e cada vez mais influente, o álbum provou em versos (recheados de citações literárias veja só!) e sonoridades o quão diversificado a música poderia ser, fato que seria comprovado no disco seguinte (o maior, a meu ver, álbum de rap de todos os tempos) Check Your Head. Mas isto fica para depois.

17 de novembro de 2006

Last Night I Dreamt That I Was In Paris With Charlotte Gainsbourg


Sonhos. Projeções. Ilusões. Do que seriam compostas nossas miseráveis vidas sem os sonhos? Um completo disastre.
Noites atrás minha mente tramou algo realmente inacreditavel: idealizei que estava na Paris de Bernardo Bertolucci (via Os Sonhadores) correndo sob a chuva de mãos dadas a Charlotte Gainsbourg, minha nova musa. Sorry Scarlet but...
Meu fascínio por esta bella dona teve inicio ao assitir ao trailer de Science of Sleep (novo de Michel Gondry, ainda inédito por aqui) no qual Gael García Bernal interpreta um homem que oscila entre o mundo dos sonhos e a realidade, cuja musa inspiradora é a própria. Assim como ele, também para mim fora paixão a primeira vista.
Em seguida, fora a vez do belo disco 5:55. Produzido pelo exigente Nigel Godrich (parceiro de Beck, Paul McCartney, Thom Yorke e por aí vai) com o apoio do duo francês Air, que cria o tradicional clima "lounge étereo", e de Jarvis Cocker (ex - Pulp) nas composições, o álbum é uma das mais gratas surpresas de 2006.
Começa a faixa título e a voz de Charlotte vai sendo sorvida aos poucos e cria uma cama deliciosa de melodias, ideais para serem ouvidas em tardes chuvosas, debaixo de um edredom e preferência acompanhada de um bom livro (composto de belas passagens) ou alguém que lhe aqueça o coração. Um disco deveras apaixonante que emociona - me a cada adição.
Pena que tudo fora um mero sonho e, talvez, nem mesmo os famosos Six Degrees of Separation sejam capazes de nos colocarmos frente a frente para um cafezinho em uma viela qualquer parisiana. A realidade é algo que sempre dói e acordar para ela é necessário. Mas, enquanto ainda estou em estado de dormêmcia continuo junto a ela correndo freneticamente pela ruas da cidade que ainda almejo conhecer.