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9 de fevereiro de 2007

Por um mundo mais sujo: a volta dos Stooges



Após várias apresentações históricas ao redor do globo (que felizmente assisti em 2005 no Rio de Janeiro) os Stooges estão definitivamente de volta e com disco novo pintando por aí.

Para se ter uma noção do que está por vir "My Idea Of Fun", nova música dos patronos do punk que, como não poderia deixar de ser, soa como Stooges clássico está disponível no myspace do grupo.

Num cenário onde bandas indie dance e novas ondas musicais, como a "new rave" dos Klaxons, surgem por aí, ouvir a sujeira infernal de Iggy Pop e seus aseclas deixa este mundo um tanto menos careta e muito mais enérgico. O aguardado novo disco, intitulado The Weirdness, saí em março e conta com produção de Steve Albini (PJ Harvey, Pixies, Nirvana). Eis o track list:

1. Trollin'

2. You Can't Have Friends

3. ATM

4. My Idea Of Fun

5. The Weirdness

6. Free & Freaky

7. Greedy Awful People

8. She Took My Money

9. End Of Christianity

10. Mexican Guy

11. Passing Cloud

12. I'm Fried

Baixe aqui "My Idea of Fun" e comprove.

28 de janeiro de 2007

When Did You First Fall In Love With Hip Hop?*

Escrever sobre os grandes ícones da longa história da música é uma tarefa que, ao mesmo tempo, é um tanto quanto difícil e redundante. A dificuldade mora no fato de que tudo o que se poderia dizer sobre Van Morrison ou Bob Dylan, por exemplo, já foi aparentemente dito. E como se não bastasse mesmo que alguém ouse a realizar tal tarefa, ainda que você não tenha lido nada sobre ambos, soa, por muitas vezes, familiar a outros tantos trabalhos. Deixarei os Deuses em paz.
Porém, escrever é um vício incorrigível. Então sinto me obrigado a escrever sobre o que muitos críticos brasileiros ortodoxos torcem o nariz e/ou fingem ignorar: o atual rap norte – americano, mais especificadamente sobre Kanye West e o soberbo disco Late Registration.

Breve histórico:

Kanye West nasceu no dia 08 de junho de 1977 e é natural de Atlanta, Geórgia, EUA. Antes de ingressar a carreira como rapper West estudou na The American Academy of Art, de Chicago, e trabalhou como produtor de uma infinidade de artistas como Mos Def, Alicia Keys, Eminem, entre tantos outros.
Depois de elogiadas (e premiadas) parcerias junto a Jay – Z (o Midas do Hip Hop), West, com o incentivo do próprio Z, em 2004, lançou o seu debut The College Dropout que contou com as participações de alguns parceiros com quem já havia trabalhado, como Mos Def, e abriu novas portas para seu trabalho.
The College Dropout foi bastante elogiado por toda a crítica mundial e fora nomeado em várias categorias do Grammy daquele ano (incluindo melhor gravação do ano) e venceu nas categorias de melhor disco de rap e melhor canção de rap por “Jesus Walk”.

Late Registration

Lançado em 2005 Late Registration, seu segundo álbum, colocou definitivamente o nome de Mr. West em voga.
Produzido por Jon Brion (famoso pelo ótimo trabalho realizado a cantoras pop como Fiona Apple e Aimee Mann) e o próprio West, o disco é um grande trabalho e leva o rap a patamares louváveis que não eram alcançados há alguns anos.
Diferenciado de outros produtores como Missy Elliot e Timbaland (cujos trabalhos foram esmiuçados de forma grandiosa pelo crítico musical Simon Reynolds no livro Beijar o Céu) que criam batidas quebradas e geniosas em prol da revolução, West opta por dialogar com velha geração através de samplers como bem fez Moby em Play.
Logo no início "Someone That I Used To Love" de Natalie Cole conduz de forma “manhosa” “Wake Up Mr. West” e “Heard ‘Em Say” canção que nasceu perfeita.
Em “Gold Digger” nada mais, nada menos que Ray Charles (via Jamie Foxx em Ray) e sua “I Got a Woman” criam um blues – rap de primeira linha.
“My Funny Valentine” (na versão de Etta James) contribui na percusiva e melodiosa “Addiction”.
“Diamonds From Sierra Leone” conta a presença de Jay – Z e Shirley Bassey é sampleada através do tema que compôs para 007, “Diamonds Are Forever”.
Curtis Mayfield e Otis Reading são alguns dos outros homenageados no decorrer do álbum.
West faz parte do seleto grupo no meio hip – hop os chamado de gangsta que basicamente versam sobre quatro coisas específicas: dinheiro, mulheres vagabundas, carros e drogas. A vida, ao ouvir canções compostas por este gueto, se assemelha há festas intermináveis. E claro essas referências estão todas lá, mas não somente desse tema gira em torno do álbum.
Politicamente correto, West “dispara” suas rimas também a George W. Bush e Ronald Reagan em “Crack Music”. “Diamonds From Sierra Leone” versa sobre a guerra civil instaurada há anos no país.
“Roses” (cuja base é construída na bela “Rosie” de Bill Withers) o rapper chora a perda de uma amigo homossexual vítima de AIDS. Sua mãe é também homenageada em “Hey Mama” cuja sonoridade se assemelha a uma canção infantil reflexo da letra no qual West retorna a sua infância, aos tempos felizes em que sua mãe o levava para a escola.
A repercussão do álbum perante a crítica fora superior ao anterior. Prova disso a Rolling Stone e seu tradicional Top 50 anual agraciou com o primeiro lugar o disco que, novamente, concorreu ao Grammy nas categorias melhor álbum do ano e melhor disco de rap do ano, sendo vencedor na segunda categoria.Voltando e fechando o que me propus a escrever no início do texto, ignorar a relevância de artistas como Kanye West é uma grande estupidez. É certo que tudo o que de maravilhoso a música fora produzido a décadas atrás. Mas se faz necessário se reeducar quanto a produção atual. O mundo não vive somente de artistas pop fabricados. Volte e meia surge alguém, mesmo no mainstream, que quebra esse estigma. E Mr. Kanye West é a prova.
Então deixe o preconceito de lado e se renda ao que se produz hoje. Você pode se surpreender. Late Registration é um caminho possível.
*Frase síntese do filme Brown Sugar, incursão maravilhosa no universo da cultura hip hop.

23 de janeiro de 2007

The Man Who Doesn’t Know How to Smile*

Quase diariamente ele a observava a passar pelo espesso vidro que os dividia. Desde então começou a cultivar e a colecionar em seu imaginário tudo o que admirava nela: sua beleza jovial, seu sorriso espontâneo, seus longos cabelos negros, suas curvas suntuosas, suas roupas.
Certa vez estava ela passando ao seu lado e ao ouvir de relance a sua tímida voz a conversar distraidamente com um amigo em comum percebeu que algo mudara em si. Mas o quê?
Como se bastasse idealizou passar horas a fio a conversar sobre todas as coisas com ela. Sobre os amores de verão, sobre o passado que não deve ser esquecido e sobre a velocidade do tempo presente. Mas ainda não havia nada além de projeções de um futuro incerto para ambos.
Até que certo dia o “amigo em comum”, após breve conversa, resolve romper as barreiras existentes entre eles e abre caminho para que, talvez, algo grandioso possa acontecer. Ele descobre que seu nome era Daniele.
Após a resposta positiva, mesmo que ainda não tenham se conhecido pessoalmente, o mundo ganhou novas cores. Assim cessara o silêncio na cidade. O céu nublado de dias atrás tornou - se ao azul grandioso veraneio, de forma misteriosa, no dia seguinte.
Agora o homem que não sabia como sorrir descobrira o outro lado. Mas que lado seria esse? Ainda não sabia do que se tratava. Mas ao ouvir Josh Rouse cantar mais uma de suas belas canções encontra a resposta que pendulou durante todo o tempo a sua frente e ele temia não mais reconhecer:
It Looks Like Love
Sends has a little photograph that she shot in the nude
She doesn't wear a conscience
She doesn't play by rules
So turn me on baby everynight and in the daytime too
I feel like flyin'on an airplane
Like some clueless fool
There goes that melancholy feeln' again
It looks like love is gonna find a way
Hey, hey, hey
And when you start believn' in it
It looks like love is gonna show it's face
Hey, hey, hey, heyy
I got some things to show her
I take her to my room
She likes to eath that chocolate
She likes the scent of it too
She turns me on baby everynight
And in the daytime too
I feel like flyin' on an airplane
Like some clueless fool
There goes that melancholy feeln' again
It looks like love is gonna find a way
Hey, hey, hey
When you start believn' in it
It looks like love is gonna show it's face
Hey, hey, hey, heyy
And when you start believn' in it
It looks like love is gonna show it's face
Hey, hey, hey, heyy
* Texto profudamente inspirado (e expirado) em Subtítulo, disco apaixonante de Josh Rouse lançado em 2006.

20 de janeiro de 2007

Esquesitices invejáveis

Existem na minha vida várias coisas que, num misto de inveja e admiração, gostaria de ter herdado ou até mesmo ter participado de seu processo de criação.
Gostaria de ter criado pelo menos metade das canções de Jeff Tweedy. De ter a sensibilidade (e a ironia) de Nick Hornby e Cameron Crowe. Uns 10% da genialidade de Woody Allen também não fariam mal. A versatilidade do Beck... E por aí vai.
Bom e fora com essa gama de sentimentos que abandonei a sala de cinema maravilhado com Mais Estranho Que a Ficção de Marc Forster (diretor cujo filme Em Busca da Terra do Nunca, cinebiografia do autor de Peter Pan, me fez chorar bastante durante horas a fio). Mas aqui a história e os elementos trabalhados são outros.
O filme retrata a história de Harold Crick (interpretado brilhantemente por Will Ferrell que ganhou muitos pontos a favor após sua magistral interpretação em Melinda, Melinda), um auditor da Receita Federal, protagonista de uma vida muito metódica (presa a números e horários) e, conseqüentemente, repetitiva. Em suma, o típico personagem que a literatura nos ensinou a odiar. Mas a rotina maçante de Crick é quebrada quando ele começa ouvir uma voz feminina narrando os fatos de seu dia a dia. Essa é Karen Eiffel (Emma Thompson vivendo seu melhor papel em todos os tempos), romancista britânica que está há dez anos enfrentando um "bloqueio criativo".
Na tentativa de descobrir o que seria essa misteriosa voz Harold é surpreendido por uma indagação aterradora da narradora na qual ele iria morrer em breve. E, justamente, quando isso ocorre sua vida havia mudado drasticamente: Harold descobre que o amor que, ironicamente, manifesta - se por uma padeira anarquista (interpretada por Maggie Gyllenhaal). A partir daí se inicia a busca desenfreada pela vida. Com o auxílio de um professor de literatura (Dustin Hoffman) Crick descobre ser personagem de Eiffel que tem como característica mor de sua escrita a morte dramática de seus personagens.
Estranho, mas surpreendente como os clássicos roteiros de Charlie Kaufman, Zach Helm (roterista) cria um magistral e invejável exercício metalinguístico no qual quem sai ganhando é o espectador tornado assim Mais Estranho Que a Ficção um dos filmes obrigatórios dessa primeira temporada de 2007 e por toda a vida.
P.S. A trilha sonora também é sensacional e versátil. Vai de The Jam a Vangelis passando por Maximo Park.
Durante uma das melhores passagens do filme Will Ferrell pega o vilão e toca a única canção que aprendeu a tocar, "Whole Wide World", e conquista o coração de sua amada. Mas também com uma letra dessa quem não de renderia?

16 de janeiro de 2007

The Last Song

Lá pelos idos de 2000 o Oasis passava pelo seu período de transição. A saída turbulenta de dois integrantes somada as críticas negativas a Be Here Now e o uso de cocaína em escalas inimagináveis quase culminaram no fim daquela que será lembrada como a banda que foi a cara da Inglaterra na década de 90.
Na tentativa de correr atrás do tempo perdido Noel e Liam contrataram os serviços de Andy Bell (ex - Ride) e Gem Archer para a criação do incompreedido, até mesmo pelo próprio Noel, Standing On The Shoulder Of Giants. Lançado em 2000 o álbum é um coaglomerado de grandes canções que vão desde a essência do "rock tradicional"(que seria explorada de forma consistente no disco seguinte Heathen Chemistry) como na ótima "Put Yer Money Where Yer Mouth Is" e "I Can See A Liar" ou, para não perder o costume, levar o ideário beatle adiante em "Who Feels Love". Liam também compôs sua primeira música, a singela "Little James". Mas o apíce desse disco é uma canção que bateu fundo dias atrás e fez com que eu me relembrasse o por que de minha admiração pelo disco. Seu nome? "Where Did It All Go Wrong?".
Há tempos tenho procurado álguem que entendesse o que se passa nessa cabeça (a minha no caso) que parece, assim consta no primeira estrofe da canção, estar "mais velha que o tempo". E eu me pergunto? Seria eu esse personagem que está aí nessa canção? Os versos para mim me soam tão familiares que parece que Noel tocou realmente no ponto certo. Posso estar errado, mas no fim fica a pergunta:

Where Did It All Go Wrong?
Oasis

You know that feeling you get

You feel you're older than time
You ain't exactly sure
If you've been away a while

Do you keep the receipts
For the friends that you buy
And ain't it bittersweet
You were only just getting by

But I hope you know
That it won't let go
It sticks around with you until the day you die
And I hope you know That it's touch and go
I hope the tears don't stain the world that waits outside
Where did it all go wrong?

And until you've repaid
The dreams you bought for your lies
You'll be cast away
Alone under the stormy skies

But I hope you know
That it won't let go
It sticks around with you until the day you die
And I hope you know that it's touch and go
I hope the tears don't stain the world that waits outside
Where did it all go wrong?

31 de dezembro de 2006

The Best of 2006: Shows

2006 não fora um ano de atrações internacionais para mim. Salvo a antológica de Gang of Four e o fofinho Cardigans, nada mais aconteceu. Vontade de assistir aos Beastie Boys, a Patti Smith, ao TV On The Radio (isto só para ficar no TIM Festival) não faltou. Faltou mesmo foi o duplo tempo (financeiro e cronológico). Em compensação, assisti a apresentações soberbas no cenário nacional. Eis as minhas cinco favoritas:

Chico Buarque – Palácio das Artes
“Carioca” - 09/12/2006: Já escrevi sobre o mesmo então ainda está valendo à mesma opinião.

Caetano Veloso – Chevrolet Hall
“Cê” – 25/11/2006
: Também já escrevi sobre o show, mas agora virá uma ressalva inédita: a passagem de Caetano em BH foi o melhor show desse ano e uma das melhores que meus olhos presenciaram. E se vier novamente estou lá! Fantástico.

Skank - Chevrolet Hall
“Carrossel” – 08/10/2006: Fechando a trilogia iniciada em Maquinarama, a turnê de Carrossel é dividida em dois momentos distintos: o primeiro composto pelas pérolas (que não são poucas) do novo álbum mais o supra sumo dos dois discos anteriores. No segundo ocorre a entrega do caminhão de hits de outras eras. Na dúvida fique com os dois. Isto sem falar que visualmente essa nova turnê é espetacular. Não deve a ninguém da gringolândia. É o Skank do novo milênio e cada vez melhor.

Nando Reis - Chevrolet Hall
Sim e Não” – 08/07/2006: E o folk/rock/abrasileirado do cantor continua funcionado bem. Escudado pelo ótimo novo disco, a apresentação é recheada de emoção e romantismo reflexo da atual fase que passa a vida do cantor.

Mombojó – “Homem Espuma” - Parque Municipal: A Conexão Telemig Celular esse ano caprichou em sua programação trazendo Pato Fu, Cordel do Fogo Encantado, Arnaldo Antunes, entre tantas outras agradáveis apresentações. Mas a melhor delas fora a dos pernambucanos do Mombojó. A primeira vez que assisti ao grupo fora no pequeno teatro da Biblioteca Pública onde, apesar da ótima acústica, não foi possível perceber a grandiosidade desse octeto fantástico. Mas a apresentação a céu aberto, junto a um enorme séqüito de fãs somada ao performance incendiária dos componentes é infinitamente melhor. Perfeita.

E para 2007 começar feliz temos Marisa Monte no Palácio das Artes e a Orquestra Imperial no Chevrolet Hall ambos em fevereiro. Prepare o bolso e acerte os relógios, pois o ano que vêm promete.

27 de dezembro de 2006

The Best of 2006: Films

Dando inicio a tradicional retrospectiva anual começo pelas salas de cinema que, neste ano que se passou, fora visitada por 34 vezes (segundo consta meu vício de guardar os ingressos). E não fora de todo mal. Para tanto fujo, como no ano passado, do tradicional “Top 5” e engato um “Top 10” sem ressentimentos.
Antes citar quais estão dentro comento os que ficaram de fora. Apesar de assistir nesse ano deixei de fora os ótimos Crash, O Jardineiro Fiel e Syriania pela razão de que os mesmos foram produções realizadas em 2005 e inclusive premiadas na cerimônia do Oscar desse ano.
No âmbito do “quase” estão lá Paradise Now, Caché, Beijos e Tiros, Lemming, Factotum e O Amor Não Tira Férias que bateram na trave por razões distintas, mas vale a pena (e muito) assistir.
Detalhe: sou fã de Pedro Almodóvar, mas não encarei Volver até hoje. Por quê? Não tenho a menor idéia. Porém algo me diz que não deve assisti-lo porque toda vez que me prontifico para tal tarefa algo dá errado. Vou aguardar o DVD pacientemente. Sem mais delongas estão aí os meus 10 melhores filmes de 2006 (sem ordem de preferência):

Flores Partidas – Jim Jarmusch
O Grande Truque – Christopher Nolan
Fonte da Vida – Darren Aronofsky
Os Infiltrados – Martin Scorsese
Vôo 93 – Paul Greengrass
Obrigado Por Fumar - Jason Reitman
Separados pelo Casamento - Peyton Reed
V de Vingança - James McTeigue
O Plano Perfeito – Spike Lee
Amor em 5 Tempos – François Ozon