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24 de fevereiro de 2007

Never stop the music

Três anos após realizar sua despedida do showbussiness em uma grandiosa apresentação no Madison Square Garden (registrada no DVD Fade To Black) e jurar de pé junto que iria se aposentar, aproveitar a vida e coisa e tal, Jay - Z está de volta.
Os motivos reais, inicialmente, não saberia dizer, mas, talvez, temendo perder seu trono no universo hip - hop (ele é o artista rap solo que mais vendeu discos na história: 33 milhões nos EUA e 50 milhões em todo globo) no final de 2006 chegou as lojas Kingdom Come seu nono trabalho de estúdio.
O disco em si não difere de seus outros trabalhos clássicos. E não deveria. Em 12 anos de carreira construiu, a sua maneira, a sua musicalidade que somada a "mão cheia" como produtor (um verdadeiro Midas) influenciou o que veio depois e o que virá daqui para frente.
Sua volta fora precedida pelo single pungente de "Show Me What You Got" lançado em outubro de 2006 cuja letra celebra o seu retorno de forma grandiosa.
Outros momentos dignos de aplauso são "Hollywood" que conta com a participação de Beyoncé e a belíssima "Do U Wanna Ride" que conta com a voz divina de John Legend, velho parceiro de Kanye West que também participa do álbum produzindo a faixa.
Talvez pensando melhor existe uma razão óbvia para a volta de Jay (ou Shawn Corey Carter seu verdadeiro nome). E não seria o temor pelo perda do trono, pois nem de longe fora ameaçado nesse hiato. Sua volta está explicada no já citado Fade To Black. Durante o processo de gravação de seu, até então, derradeiro álbum The Black Album em um momento relax junto ao parceiro Pharell Willians (produtor e exímio músico) um dos excecutivos da Roc - A - Fella Records, gravadora do próprio Jay, invade o estúdio "pagando pau" ao próprio por não estar trabalhando e dizendo: nunca pare a música. Três anos mais tarde ele entendeu o recado. O resultado está aí. Firmão!

11 de fevereiro de 2007

Everything is broken

Após ler algumas curtas resenhas favoráveis em publicações Brasil a fora pensei que Pecados Intímos, novo filme de Todd Field (o mesmo do soberbo Entre Quatro Paredes), seria mais um, entre vários outros bons exemplos (Closer e Amor em Cinco Tempos são alguns), daqueles que desconstroem o universo, hoje, desastroso dos relacionametos amorosos. Já havia até idealizado um "pré - resenha" recomendando a casais apaixonados a passarem longe das salas de cinema onde o filme estivesse em exibição, mas fui pego de surpresa. O universo amoroso (ou do casmaneto no caso) é apenas um dos elementos trabalhados aqui. Em parte esse engano se deve ao título nacional e ao poster acima postado (que mostra o casal adultero nu). Para inicio de conversa fique com o título em inglês (Little Children) e construa a sua reflexão a partir daí.
Baseado no livro de Tom Perrota, roteiro utiliza do recurso "cobra coral", agora popular e que fora criado por Robert Altman em Short Cuts, o filme não apresenta um núcleo central e sim uma gama variada de personagens. E como não poderia deixar tudo se entrelaça de forma meticulosa e brilhante.
Sarah (interpretada por Kate Winslet) é uma mãe que abandonou temporariamente suas ambições acadêmicas para cuidar da filha pequena. Freqüentando o parque próximo à sua casa, ela observa suas reprimidas e alienadas amigas enquanto estas emitem julgamentos preconceituosos sobre tudo e sobre todos, numa rotina que torturante. É então que ela conhece Brad (Patrick Wilson), um bacharel em Direito que, sem conseguir passar na prova da Ordem dos Advogados, permanece em casa cuidando do filho enquanto sua esposa (Jeniffer Conelly) trabalha como documentarista de uma rede de televisão. Aos poucos, Sarah e Brad se tornam próximos e passam a construir um relacionamento amoroso, que poderia destruir a existência relativamente tranqüila que levam e que só é perturbada pela preocupação com a notícia de que Ronnie McGorvey (Haley), um ex-presidiário condenado por se masturbar em frente a uma garota menor de idade, está de volta a cidade.
Para retratar as histórias vividas pelos personagens Field faz uso do louvável recurso do narrador oculto que, logicamente, não participa de forma direta da trama, mas osberva, narra e analisa de forma profunda tudo que envolve a trama.
E mais do que tudo isso, ambos (diretor e roteirista) constroem de forma direta uma crítica perfeita a sociedade relatando várias histórias que tem como fio condutor o desgaste das relações humanas no mundo contemporâneo das mais variadas formas.
A relação com título remete a maturidade alcançada pelos personagens centrais que se isolam da visão sonhadora da vida e se aproximam dura realidade que terão que enfrentar por todo e sempre: ninguém (ou nada) foi ou será perfeito em nossas vidas.
Melhor que desenvolver críticas filosóficas ao filme é melhor você caro leitor assistir e se impressionar com esse grande filme, pois como Dylan cantou é duro, mas necessário, reconhecer:

9 de fevereiro de 2007

Por um mundo mais sujo: a volta dos Stooges



Após várias apresentações históricas ao redor do globo (que felizmente assisti em 2005 no Rio de Janeiro) os Stooges estão definitivamente de volta e com disco novo pintando por aí.

Para se ter uma noção do que está por vir "My Idea Of Fun", nova música dos patronos do punk que, como não poderia deixar de ser, soa como Stooges clássico está disponível no myspace do grupo.

Num cenário onde bandas indie dance e novas ondas musicais, como a "new rave" dos Klaxons, surgem por aí, ouvir a sujeira infernal de Iggy Pop e seus aseclas deixa este mundo um tanto menos careta e muito mais enérgico. O aguardado novo disco, intitulado The Weirdness, saí em março e conta com produção de Steve Albini (PJ Harvey, Pixies, Nirvana). Eis o track list:

1. Trollin'

2. You Can't Have Friends

3. ATM

4. My Idea Of Fun

5. The Weirdness

6. Free & Freaky

7. Greedy Awful People

8. She Took My Money

9. End Of Christianity

10. Mexican Guy

11. Passing Cloud

12. I'm Fried

Baixe aqui "My Idea of Fun" e comprove.

28 de janeiro de 2007

When Did You First Fall In Love With Hip Hop?*

Escrever sobre os grandes ícones da longa história da música é uma tarefa que, ao mesmo tempo, é um tanto quanto difícil e redundante. A dificuldade mora no fato de que tudo o que se poderia dizer sobre Van Morrison ou Bob Dylan, por exemplo, já foi aparentemente dito. E como se não bastasse mesmo que alguém ouse a realizar tal tarefa, ainda que você não tenha lido nada sobre ambos, soa, por muitas vezes, familiar a outros tantos trabalhos. Deixarei os Deuses em paz.
Porém, escrever é um vício incorrigível. Então sinto me obrigado a escrever sobre o que muitos críticos brasileiros ortodoxos torcem o nariz e/ou fingem ignorar: o atual rap norte – americano, mais especificadamente sobre Kanye West e o soberbo disco Late Registration.

Breve histórico:

Kanye West nasceu no dia 08 de junho de 1977 e é natural de Atlanta, Geórgia, EUA. Antes de ingressar a carreira como rapper West estudou na The American Academy of Art, de Chicago, e trabalhou como produtor de uma infinidade de artistas como Mos Def, Alicia Keys, Eminem, entre tantos outros.
Depois de elogiadas (e premiadas) parcerias junto a Jay – Z (o Midas do Hip Hop), West, com o incentivo do próprio Z, em 2004, lançou o seu debut The College Dropout que contou com as participações de alguns parceiros com quem já havia trabalhado, como Mos Def, e abriu novas portas para seu trabalho.
The College Dropout foi bastante elogiado por toda a crítica mundial e fora nomeado em várias categorias do Grammy daquele ano (incluindo melhor gravação do ano) e venceu nas categorias de melhor disco de rap e melhor canção de rap por “Jesus Walk”.

Late Registration

Lançado em 2005 Late Registration, seu segundo álbum, colocou definitivamente o nome de Mr. West em voga.
Produzido por Jon Brion (famoso pelo ótimo trabalho realizado a cantoras pop como Fiona Apple e Aimee Mann) e o próprio West, o disco é um grande trabalho e leva o rap a patamares louváveis que não eram alcançados há alguns anos.
Diferenciado de outros produtores como Missy Elliot e Timbaland (cujos trabalhos foram esmiuçados de forma grandiosa pelo crítico musical Simon Reynolds no livro Beijar o Céu) que criam batidas quebradas e geniosas em prol da revolução, West opta por dialogar com velha geração através de samplers como bem fez Moby em Play.
Logo no início "Someone That I Used To Love" de Natalie Cole conduz de forma “manhosa” “Wake Up Mr. West” e “Heard ‘Em Say” canção que nasceu perfeita.
Em “Gold Digger” nada mais, nada menos que Ray Charles (via Jamie Foxx em Ray) e sua “I Got a Woman” criam um blues – rap de primeira linha.
“My Funny Valentine” (na versão de Etta James) contribui na percusiva e melodiosa “Addiction”.
“Diamonds From Sierra Leone” conta a presença de Jay – Z e Shirley Bassey é sampleada através do tema que compôs para 007, “Diamonds Are Forever”.
Curtis Mayfield e Otis Reading são alguns dos outros homenageados no decorrer do álbum.
West faz parte do seleto grupo no meio hip – hop os chamado de gangsta que basicamente versam sobre quatro coisas específicas: dinheiro, mulheres vagabundas, carros e drogas. A vida, ao ouvir canções compostas por este gueto, se assemelha há festas intermináveis. E claro essas referências estão todas lá, mas não somente desse tema gira em torno do álbum.
Politicamente correto, West “dispara” suas rimas também a George W. Bush e Ronald Reagan em “Crack Music”. “Diamonds From Sierra Leone” versa sobre a guerra civil instaurada há anos no país.
“Roses” (cuja base é construída na bela “Rosie” de Bill Withers) o rapper chora a perda de uma amigo homossexual vítima de AIDS. Sua mãe é também homenageada em “Hey Mama” cuja sonoridade se assemelha a uma canção infantil reflexo da letra no qual West retorna a sua infância, aos tempos felizes em que sua mãe o levava para a escola.
A repercussão do álbum perante a crítica fora superior ao anterior. Prova disso a Rolling Stone e seu tradicional Top 50 anual agraciou com o primeiro lugar o disco que, novamente, concorreu ao Grammy nas categorias melhor álbum do ano e melhor disco de rap do ano, sendo vencedor na segunda categoria.Voltando e fechando o que me propus a escrever no início do texto, ignorar a relevância de artistas como Kanye West é uma grande estupidez. É certo que tudo o que de maravilhoso a música fora produzido a décadas atrás. Mas se faz necessário se reeducar quanto a produção atual. O mundo não vive somente de artistas pop fabricados. Volte e meia surge alguém, mesmo no mainstream, que quebra esse estigma. E Mr. Kanye West é a prova.
Então deixe o preconceito de lado e se renda ao que se produz hoje. Você pode se surpreender. Late Registration é um caminho possível.
*Frase síntese do filme Brown Sugar, incursão maravilhosa no universo da cultura hip hop.

23 de janeiro de 2007

The Man Who Doesn’t Know How to Smile*

Quase diariamente ele a observava a passar pelo espesso vidro que os dividia. Desde então começou a cultivar e a colecionar em seu imaginário tudo o que admirava nela: sua beleza jovial, seu sorriso espontâneo, seus longos cabelos negros, suas curvas suntuosas, suas roupas.
Certa vez estava ela passando ao seu lado e ao ouvir de relance a sua tímida voz a conversar distraidamente com um amigo em comum percebeu que algo mudara em si. Mas o quê?
Como se bastasse idealizou passar horas a fio a conversar sobre todas as coisas com ela. Sobre os amores de verão, sobre o passado que não deve ser esquecido e sobre a velocidade do tempo presente. Mas ainda não havia nada além de projeções de um futuro incerto para ambos.
Até que certo dia o “amigo em comum”, após breve conversa, resolve romper as barreiras existentes entre eles e abre caminho para que, talvez, algo grandioso possa acontecer. Ele descobre que seu nome era Daniele.
Após a resposta positiva, mesmo que ainda não tenham se conhecido pessoalmente, o mundo ganhou novas cores. Assim cessara o silêncio na cidade. O céu nublado de dias atrás tornou - se ao azul grandioso veraneio, de forma misteriosa, no dia seguinte.
Agora o homem que não sabia como sorrir descobrira o outro lado. Mas que lado seria esse? Ainda não sabia do que se tratava. Mas ao ouvir Josh Rouse cantar mais uma de suas belas canções encontra a resposta que pendulou durante todo o tempo a sua frente e ele temia não mais reconhecer:
It Looks Like Love
Sends has a little photograph that she shot in the nude
She doesn't wear a conscience
She doesn't play by rules
So turn me on baby everynight and in the daytime too
I feel like flyin'on an airplane
Like some clueless fool
There goes that melancholy feeln' again
It looks like love is gonna find a way
Hey, hey, hey
And when you start believn' in it
It looks like love is gonna show it's face
Hey, hey, hey, heyy
I got some things to show her
I take her to my room
She likes to eath that chocolate
She likes the scent of it too
She turns me on baby everynight
And in the daytime too
I feel like flyin' on an airplane
Like some clueless fool
There goes that melancholy feeln' again
It looks like love is gonna find a way
Hey, hey, hey
When you start believn' in it
It looks like love is gonna show it's face
Hey, hey, hey, heyy
And when you start believn' in it
It looks like love is gonna show it's face
Hey, hey, hey, heyy
* Texto profudamente inspirado (e expirado) em Subtítulo, disco apaixonante de Josh Rouse lançado em 2006.

20 de janeiro de 2007

Esquesitices invejáveis

Existem na minha vida várias coisas que, num misto de inveja e admiração, gostaria de ter herdado ou até mesmo ter participado de seu processo de criação.
Gostaria de ter criado pelo menos metade das canções de Jeff Tweedy. De ter a sensibilidade (e a ironia) de Nick Hornby e Cameron Crowe. Uns 10% da genialidade de Woody Allen também não fariam mal. A versatilidade do Beck... E por aí vai.
Bom e fora com essa gama de sentimentos que abandonei a sala de cinema maravilhado com Mais Estranho Que a Ficção de Marc Forster (diretor cujo filme Em Busca da Terra do Nunca, cinebiografia do autor de Peter Pan, me fez chorar bastante durante horas a fio). Mas aqui a história e os elementos trabalhados são outros.
O filme retrata a história de Harold Crick (interpretado brilhantemente por Will Ferrell que ganhou muitos pontos a favor após sua magistral interpretação em Melinda, Melinda), um auditor da Receita Federal, protagonista de uma vida muito metódica (presa a números e horários) e, conseqüentemente, repetitiva. Em suma, o típico personagem que a literatura nos ensinou a odiar. Mas a rotina maçante de Crick é quebrada quando ele começa ouvir uma voz feminina narrando os fatos de seu dia a dia. Essa é Karen Eiffel (Emma Thompson vivendo seu melhor papel em todos os tempos), romancista britânica que está há dez anos enfrentando um "bloqueio criativo".
Na tentativa de descobrir o que seria essa misteriosa voz Harold é surpreendido por uma indagação aterradora da narradora na qual ele iria morrer em breve. E, justamente, quando isso ocorre sua vida havia mudado drasticamente: Harold descobre que o amor que, ironicamente, manifesta - se por uma padeira anarquista (interpretada por Maggie Gyllenhaal). A partir daí se inicia a busca desenfreada pela vida. Com o auxílio de um professor de literatura (Dustin Hoffman) Crick descobre ser personagem de Eiffel que tem como característica mor de sua escrita a morte dramática de seus personagens.
Estranho, mas surpreendente como os clássicos roteiros de Charlie Kaufman, Zach Helm (roterista) cria um magistral e invejável exercício metalinguístico no qual quem sai ganhando é o espectador tornado assim Mais Estranho Que a Ficção um dos filmes obrigatórios dessa primeira temporada de 2007 e por toda a vida.
P.S. A trilha sonora também é sensacional e versátil. Vai de The Jam a Vangelis passando por Maximo Park.
Durante uma das melhores passagens do filme Will Ferrell pega o vilão e toca a única canção que aprendeu a tocar, "Whole Wide World", e conquista o coração de sua amada. Mas também com uma letra dessa quem não de renderia?

16 de janeiro de 2007

The Last Song

Lá pelos idos de 2000 o Oasis passava pelo seu período de transição. A saída turbulenta de dois integrantes somada as críticas negativas a Be Here Now e o uso de cocaína em escalas inimagináveis quase culminaram no fim daquela que será lembrada como a banda que foi a cara da Inglaterra na década de 90.
Na tentativa de correr atrás do tempo perdido Noel e Liam contrataram os serviços de Andy Bell (ex - Ride) e Gem Archer para a criação do incompreedido, até mesmo pelo próprio Noel, Standing On The Shoulder Of Giants. Lançado em 2000 o álbum é um coaglomerado de grandes canções que vão desde a essência do "rock tradicional"(que seria explorada de forma consistente no disco seguinte Heathen Chemistry) como na ótima "Put Yer Money Where Yer Mouth Is" e "I Can See A Liar" ou, para não perder o costume, levar o ideário beatle adiante em "Who Feels Love". Liam também compôs sua primeira música, a singela "Little James". Mas o apíce desse disco é uma canção que bateu fundo dias atrás e fez com que eu me relembrasse o por que de minha admiração pelo disco. Seu nome? "Where Did It All Go Wrong?".
Há tempos tenho procurado álguem que entendesse o que se passa nessa cabeça (a minha no caso) que parece, assim consta no primeira estrofe da canção, estar "mais velha que o tempo". E eu me pergunto? Seria eu esse personagem que está aí nessa canção? Os versos para mim me soam tão familiares que parece que Noel tocou realmente no ponto certo. Posso estar errado, mas no fim fica a pergunta:

Where Did It All Go Wrong?
Oasis

You know that feeling you get

You feel you're older than time
You ain't exactly sure
If you've been away a while

Do you keep the receipts
For the friends that you buy
And ain't it bittersweet
You were only just getting by

But I hope you know
That it won't let go
It sticks around with you until the day you die
And I hope you know That it's touch and go
I hope the tears don't stain the world that waits outside
Where did it all go wrong?

And until you've repaid
The dreams you bought for your lies
You'll be cast away
Alone under the stormy skies

But I hope you know
That it won't let go
It sticks around with you until the day you die
And I hope you know that it's touch and go
I hope the tears don't stain the world that waits outside
Where did it all go wrong?