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17 de julho de 2007

Bye Bye Mr. Ocean


Ao deparar com mais uma sequência de Ocean's 11 (agora Ocean's Thirteen) os puristas não aprovam. Puristas reclamam em alto e bom som: prefiro a primeira versão. Bom, em suma, puristas serão sempre puristas e retrológos... e não sabem o que estão perdendo.
Ok! A versão orginal dos anos 60 com Frank Sinatra é clássica. É perfeita. Mas há de se vangloriar o trabalho de Steven Soderbergh e o grandioso elenco que, no decorer desta trilogia (que aqui "parece"findar) realizaram um grande trabalho.
A história começa com Reuben Tischkoff (Elliott Gould), aquele homem que bancou financeiramente o assalto triplo aos cassinos de Terry Benedict (Andy Garcia) lembra? Então, Reuben foi traído por Willie Bank (Al Pacino), dono uma rede cassinos premiados. Esta traição fora quase fatal para Reuben. Em tom de vingaça Danny Ocean (George Clooney), Rusty Ryan (Brad Pitt) e sua trupe mais uma vez se reúnem para iniciar um plano no qual o objetivo é derrotar Bank na noite de inauguração de seu mais luxuoso cassino, chamado The Bank, derrotando-o financeiramente e também atingindo sua reputação. A partir daí o desenrolar das tramóias em Ocean's Thirteen é semelhante as tramas anteriores, mas sem sombra de dúvida este é o mais engraçado deles. A canastrice dos personagens criados por George Clayton Johnson e Jack Golden Russell está aflorada. Chegando a pontos culminates como a cena final que, claro, não irei revelar.
No campo das atuações faltou o glamour do elenco feminino (Julia Roberts e Catherine Zetta-Jones), mas o masculino continua impecável. O destaque mesmo ficou para Al Pacino que rende interpretação elogiosa ao inescrupuloso Mr. Bank fato que não ocorria há um bom tempo (alguém aí falou Advogado do Diabo? Pois é...)
A trilha criada por David Holmes, mais uma vez, se destaca pela qualidade ao mesclar batidas eletrônicas com percussão humana.
Para pontuar de forma final esta resenha resumida e preguiçosa deixo uma mensagem aos puristas lá de cima: existe de forma explicíta uma homenagem a versão orginal em duas falas específicas do filme. Confira lá e depois me conta se valeu ou não.

23 de junho de 2007

The Concept


Há anos o Radiohead lançava o, até hoje maravilhoso e difícil, disco que rachou o conceito sobre música: Kid A. Estranho aos ouvidos e construído em detalhes sinuosos, o álbum perdurou na cabeça de muita gente por anos a fio e muito se debateu acerca do mesmo no seu ano de lançamento (2000). A pergunta daquele ano para qualquer fã de música pop foi: “você ouviu o disco novo do Radiohead”?
Aí você se pergunta o porquê de tanto alarde? E eu respondo: o conceito. Ok! Assimilar a ideologia empregada por Thom Yorke e cia. nunca fora das mais fáceis, mas no disco citado... Digo sem me envergonhar, mas demorei anos para compreender um pouco do universo criado e tão diversificado de Kid A. Se hoje não sou tão “analfabeto” quanto a ele devo dar crédito ainda ao jornalista Simon Reynolds que em ensaio publicado no livro “Beijar o Céu” esmiúça através de entrevistas e declarações pertinentes de sua parte o processo de criação que quase culminou no fim da banda, mas alcançou resultados nunca antes imaginados pela banda.
Introdução feita, venho agora falar do real “objetivo” deste texto: Era Vulgaris, novo álbum do Queens of the Stone Age. Mas, antes de qualquer coisa, é preciso pontuar: não vou traçar comparações entre ambos. Até porque uma única razão me induziu a juntar Radiohead e QOTSA num mesmo texto: o conceito. Mas se em Kid A o Radiohead desenvolveu o seu próprio (novo) conceito que desvencilhou seu próprio universo e se recriou num outro o mesmo não acontece em Era Vulgaris que soa como os quatro discos anteriores. Porém, entender o que se passa na cabeça de Josh Homme é preciso.
Desde os idos de 1998, quando o Kyuss (sua primeira banda) encerrou as atividades, Josh se viu impelido a ir em frente e o resultado disso foi o próprio QOTSA que debutou no mesmo ano. Agora entender o conceito desenvolvido pela “mente doentia musical” de Homme nunca fora algo dos mais fáceis de interpretar.
Herdando a essência pesada e psicodélica de sua ex – banda Josh foi assimilando os mais variados gêneros para construção sonora que hoje é influência para qualquer banda que se preste a tocar “rock” (Muse, Arctic Monkeys, Pitty...) juntando a essência do pop radiofônico (via Kinks), uma veia oscilante entre punk e o metal, guitarras estridentes, espaciais/chapadas (leia – se de riffs repetitivos), vocais quase sempre limpos, bateria marcante, pulsante e animalesca, um número imenso de convidados dos mais variados tipos (que em Era Vulgaris foram: Trent Reznor(NIN), Julian Casablancas(Strokes) e o velho parceiro Mark Lanegan, que comparecem de forma discreta), letras que versam sobre temas alucinógenos (drogas), sexo, confusões inúmeras, dão o tom, de forma resumida, do que Josh é capaz de assimilar, misturar e criar algo único.
E vêm 2007 e Era Vulgaris chega às lojas sendo tachado por alguns como um disco “chato”, “difícil” e, olha a blasfêmia, o “pior disco do QOTSA”. Calma, calma senhoras e senhores. Olha o exagero. O abuso. Contenha – se, por favor. Tal como Kid A, Era Vulgaris não irá lhe conquistar na primeira audição e talvez nem seguintes se você não entender o que volto a frisar: o conceito.
Até para velhos aficionados como eu o disco não “desceu” muito bem nas primeiras audições, mas perseverar é importante e resultado hoje é bem diferente. Tudo o que afirmei acima como parte constituinte do universo stoner (chapado em português) do grupo está lá diluído, salvo a sonoridade punk que, infelizmente, fora levada junto com Nick Oliveri (baixista e co–fundador). Mas isto não interfere.
O começo com a cadenciada “Turning on the Screw” assusta a quem já está habituado ao fato de que, geralmente, discos da banda começam de forma urgente, mas não se engane: a faixa é mais uma daquelas para entrar no seleto hall de “canções clássicas e enigmáticas”. Logo na seqüência a “coisa esquenta” com o primeiro single, a grudenta “Sick Sick Sick”, que muita bandinha nova venderia a alma para tê-la composto. Vêm “I’m Designer” e sua bateria marcante e precisa. “Into the Hollow” é Black Sabbath em câmera lenta. A baladinha “Make It Wit Chu” (oriunda da última Desert Sessions, projeto paralelo de Josh) é incrivelmente deliciosa dada sua melodia marcante e letra engraçadinha. E falando em letra, salvo a última canção citada, o resto do álbum retrata a tal Era Vulgaris, que nada mais é reflexo da nossa, uma geração totalmente confusa, obsessiva, paranóica. Além das 11 ótimas canções que compõem o álbum aos poucos vão pipocando por aí b – sides sensacionais como a singela “Running Joke” e a própria “Era Vulgaris” que, ironicamente, ficou fora do álbum.
Para finalizar, sempre gosto de lembrar da fatídica apresentação do QOTSA no Rock in Rio III no qual o grupo fora vaiado, injustamente, da primeira a última canção pelos fãs que aguardavam ansiosamente o Iron Maiden . Será que hoje isso aconteceria? Duvido. A banda de 2001 (ano do show) não mudou muito quanto à sonoridade hoje, mas tornou – se um “monstro” muito maior, elogiadíssimo e cultuado, lugar talvez nunca imaginado por Josh Homme. E isto faz do grupo uma das melhores bandas dos últimos anos.
Então não deixe se incluir na sua tradicional lista de melhores do ano Era Vulgaris e tente entender o conceito antes de sair falando mal por aí. O diabo mora nos detalhes.

15 de junho de 2007

Entrevista

Tive a honra de ser entrevistado por um meus hérois (o grande poeta e amigo Juan Fiorini) para um dos espaços mais respeitáveis on - line quando o assunto é cultura: o Nota Independente. Diversificado, como não poderia deixar de ser, o site é um deleite para os grandes admiradores das mais variadas formas de arte existentes no cénario nacional. Através desse link é possível acessar a entrevista na íntegra. Vai lá.

19 de maio de 2007

It beats for you



Tempos em tempos o cenário da cultura pop me surpreende. Anos atrás estava eu começando a desbravar o universo feminino da música (leia - se: PJ Harvey, Tori Amos, Fiona Apple...) quando me deparei com uma resenha na Bizz (se não me engano escrita pelo José Flávio Júnior) de uma, até então, desconhecida cantora que tinha acabado de ter sua dilacerante discografia lançada em solo brasileiro via Trama. Álias, dilacerante é a melhor palavra para descrever os efeitos que Cat Power (aka Chan Marshal) causou em meu coração. Paixão a primeira audição, Cat Power foi capaz de causar - me enorme comoção e até hoje ao ouvi - la a impressão de sentir meu coração em frangalhos ainda permanece viva e latente.


Após um hiato de anos, em 2006, Cat lançou seu até então último álbum The Greatest, e o álbum realmente é impressionante, não devendo em nada a suas obras anteriores. A maneira que ela conduz sua bela voz que somadas as singelas melodias entoadas por pianos, viollões; uma visão de mundo extremamente poética e um certo namoro com o som de Nova Orlenas fizeram do álbum um dos maiores feitos daquele ano. Porém caro leitor, o assunto em voga não seria basicamente este. O que fica circundando minha cabeça é a seguinte questão: o que seria do mundo sem a figura de Cat Power? E se um dia (como, claro irá acontecer) a moça (ok! Nem tão moça assim) partir "desta para uma melhor"? Ou se ela decidir parar de gravar como fez no fim da década 90? Quem irá alimentar esta porção delicada e tão necessária para caleijados ouvidos como o meu? Muitas perguntas ficam no ar e substítutas são de menos. Mas eis que surge lá no Canadá a possível, e talvez melhor, substítuta para vaga: Leslie Feist (aka Feist).


Nascida no Canadá no dia 13 de fevereiro de 1976, Feist faz parte do combo canadense Broken Social Scene e exporadicamente cria álbuns solo. E The Reminder, seu quarto trabalho solo, é o melhor deles.

Lançado em 2007, o disco prima pela sonoridade que popularizou Cat Power, mas, para não soar pastiche da mesma, vai além por dialogar com outras fontes. Utiliza de forma sutil a sonoridade alt. country (via Ryan Adams). Respira a obra viva de divas do country como Emmylou Harris e Lucinda Willians. Deixa - se levar por uma certa porção elétrica de sua sonoridade. E como se não bastasse compõe letras comoventes que permeiam o álbum como um todo.
Este pequeno diagonóstico talvez não ilustre a grandiosidade do trabalho realizado pela cantora, mas o passível exagero acerca do mesmo (já que o crítica internacional não o vê tão importante assim) justifica - se pelo misto de comoção e surpresa causada pela audição dos primeiros trinados de "So Sorry" que me deixaram petrificados pelos seus 3 minutos e 12 segundos de duração. E, sem deixar a "ideologia cair" Feist mantém a cadência delicada até o fim.
Me bastaram duas audições audições e já estou cá de joelhos, com o coração batendo de forma lenta, mas feliz com o resultado galgado pela cantora.
Agora posso dormir um pouco mais tranquilo e idelizando, de forma sonhadora, um possível dueto de Feist e Chan Marshal. Será que meu coração suportaria? Creio que não. Infarte fulminante na certa.

12 de maio de 2007

My idea of version


Na indústria fonográfica existem dois gêneros de álbuns que se destacam quando o assunto é prestar a homenagem ao artista(s) e suas respectivas canções. De um lado temos os castigados tributos que, salvo raras exceções, se destacam num emaranhado de reproduções que, em sua maioria, não acrescentam em nada e, geralmente, deixam uma enorme saudade da original. Nesse campo são tantos exemplos “clássicos” que listá – los é desnecessário.
De um outro lado temos ao que eu chamaria de “ousadia” que acontece quando o artista, literalmente, destrincha a versão original (alterando os arranjos, as letras ou ambos) e tenta aplicar, a sua maneira, as características que lhe agradam e o definem num tom misto de homenagem/versão. E essa é, sem sombra de dúvida, a trilha de maior de dificuldade, pois quando você foge do padrão Cifraclub (site especializado em tablaturas que, confesso, já utilizei por meses a fio quando tinha uma banda cover de Nirvana) periga não agradar tanto o artista homenageado e muito menos o público consumidor. Já ouvi milhares de tentativas frustradas dessa perspectiva. Porém, em toda regra existe uma (ou várias) exceções e uma das soluções ressentes a esse problema é o produtor Mark Ronson.
Deixando todas as dificuldades acima citadas de lado, Mark convocou um time de primeira para executar seu plano monumental de realizar releituras de canções dos mais variados campos da cena musical de ontem e de hoje em Version. Da ala do passado temos uma surpreendente “Stop Me” dos Smiths que, antes, era melancólica, angustiada, dramática... em suma: um clássico da dupla Morrissey/Marr que após a injeção de batidas dançantes e dos vocais de Daniel Merriweather você “quase” (eu disse quase) se esquece da tristeza latente da letra e sorri abertamente. Se até a dupla de compositores aprovou que sou eu para não discordar. E não para por aí. Lily Allen (a garotinha da vez) colabora na versão reggae de “Oh My God” da mais recente sensação do rock britânico, o Kaiser Chiefs. A delicada “Amy” de Ryan Adams vira algo extremamente suingado. A frenética “Just” do Radiohead ganha um naipe de metais sensacional. A electro – pop “Toxic” de Britney Spears vira rap com a honraria de contar com, o hoje falecido, Ol’ Dirty Bastard (ícone do Wu - Tang Clan). Comete logo na abertura uma versão funk instrumental para “God Put A Smile Upon Your Face” e por aí vai. Amy Winehouse, Robbie Willians, Kasabian entre tantos outros colaboram e abrilhantam e esse grande disco de 2007.
E é com um trabalho agradável aos ouvidos como este que Ronson, que já havia estreado bem no campo “solo” em Here Come the Fuzz, adentra a minha galeria de grandes produtores. Ele figura ao lado de ícones como o versátil Rick Rubin, o metódico Nigel Godrich, o especialista em sons sujos Steve Albini e Dave Fridmann (parceiro dos geniais Flaming Lips e Mercury Rev), mas com uma ligeira vantagem: ela dá a “cara à tapa” não somente produzindo álbuns (como disse no post anterior) como também compondo material próprio. Ponto para ele. E olhe que ele está só começando...

22 de abril de 2007

Baba, Joss Stone, baba!

Lá pelos idos de outubto de 2003 a, hoje celebridade mundial (por diversas razões, alcoolismo incluso), a inglesa Amy Winehouse lançava seu disco de estréia, Frank, e tinha tudo para conquistar o globo naquele período. O disco, soberbo por excelência, oscila sonoridades que vão desde a estética jazz ao hip hop, passando pelo soul e o pop sem deslizes. Precedido pelo single "Stronger Than Me", que passou desapercebido na parada inglesa amargando uma dolorosa 71º posição, o álbum foi ganhando força single por single e atingiu a marca de 1 milhão de cópias, mas poderia ter logrado sucesso maior se o fenômeno Joss Stone não tivesse varriado qualquer outra manisfestação feminina no campo musical.

Um mês após ao lançamento de Frank Joss debutou via The Soul Sessions e dominou as paradas daí em diante. E de forma justa. O disco revitaliza a soul music através de 10 covers sendo algumas inusitadas tal como "Fell In Love With a Girl" do White Stripes (convertida para "Fell in Love with a Boy") que verte o rock visceral do duo norte - americano em uma balada carregada em suingue. Isto agregada a sua bela voz, sua beleza jovial e a comparações com diva Aretha Franklin contribuíram para que o disco ganhasse espaço enorme nos meios mídiaticos (jornais, revistas, rádios etc.) e fizesse bonito nas paradas.

Catapultada pelo sucesso, já em 2004, Joss lança seu segundo álbum, o autoral Mind, Body & Soul e alcança a extraordinária marca de 4 milhoes de cópias em poucos meses graças a repercusão dos singles "You Had Me", "Right to Be Wrong" e "Don't Cha Wanna Ride". O álbum, quanto a sonoridade, não difere do disco anterior e é justamente aí que reside a sua força, pois o frescor de suas canções iriam permancer por um bom tempo.

E lá se foi o ano de 2005 e Joss colheu os frutos de seu trabalho e optou por aproveitá - los. E talvez esse tenha o seu maior deslize. O motivo? Os holofotes da impressa agora já elegeram a suas novas musas: a já citada Amy Winehouse e Lily Allen.

Amy que passou um período de ostracismo de três anos voltou a gravar e o resultado fora o já comentando em posts anteriores Back To Black disco que explora de forma grandiosa sua verve black em todos os sentidos que essa palavra possa se relacionar, seja pela sonoridade oriunda da música negra via soul, funk e pitadas de jazz, seja pela carga pesada das letras que giram em torno de relacionamentos fracassados e eternas bebedeiras. A produção, sempre primorosa, de Mark Ronson (Macy Gray) auxiliou ao novo direcionamento a carreira de Amy que agora conquistou reconhecimento por parte do público e o prestígio de gente como o mestre Paul Weller.

E falando em Mark Ronson, outro disco que fora produzido pelas suas mãos em 2006 fora Alright, Still disco de estréia de Lily Allen. Filha do comediante Tim Allen e doida varrida (causadora de inúmeras confusões) a cantora surgiu como fênomeno na internet graças a excecução maçica de "Smile", primeira música de trabalho, que fora baixada em sua página no my space por milhões de pessoas e a partir daí criou - se expectativa enorme acerca do álbum cheio que chegou às lojas em meados de julho de 2006. O disco, uma verdadeira delícia pop, é um dos grandes achados do ano passado graças a voz adocicada de Allen que somada a competência dos músicos presentes no álbum, a sonoridade que vai do reggae ao grime (o tradicional rap inglês no qual Mike Skinner do The Streets é o principal representante) e as letras extremamente irônicas (tente não rir com "Smile" ou "Friday Night").
Com isso ambas, Lily e Amy, são, agora, o centro das atenções por aí e seguem ao redor do globo conquistando platéias graças as muito elogiadas apresentações. E no meio desse turbilhão Joss Stone tenta correr atrás do "tempo perdido" via Introducing Joss Stone, seu recém lançado terceiro trabalho que se depender da crítica não vai conseguir alcançar novamente o posto perdido. E realmente o disco não implaca. Na tentativa, talvez, de se aproximar ainda mais do mercado americano (tal como Nelly Furtado realizou de forma aprofundada em Loose) o álbum oscila de forma, em sua maioria, errônea no campo minado do hip hop e resultado alcançado, ironicamente, não fora explosivo. Quando aposta sua verve black como em "Put Your Hands On Me" acerta em cheio, mas quando aposta em outras o resultado fica aquém do que já fora produzido nos discos anteriores e soa por vezes insosso. Prova disso está na faixa "Music" na qual nem mesmo a participação da sumida, mas grandiosa, Lauryn Hill ajuda. Em suma, Joss, e seus longos cabelos vermelhos assemelhando - se a um palito de fósforo, digamos, pensa em acender o pavio, mas receia em acender. Uma pena.

1 de abril de 2007

No computador, no discman, em qualquer lugar

Avalanche de discos que tenho ouvido ultimamente:

Black Rebel Motorcycle ClubBaby 81: Unindo a urgência jovial da estréia (B.R.M.C) com a beleza poética do penúltimo trabalho, Howl, o trio norte – americano, após um período conturbado que quase culminou no fim do grupo, ainda respira e coloca no mercado mais belo disco. Ouça: “Window”

Klaxons – Myths of near future: Da série muito barulho por nada, o disco de estréia do Klaxons é uma decepção. Após um EP elogiado a expectativa acerca de um álbum cheio fora enorme. Mas o resultado soa insosso com poucas faixas dignas de nota. E a tal da new rave talvez, se depender de discos como este, nem vá para frente. A salvação talvez esteja no Simien Mobile Disco, banda de James Ford produtor desse disco. E esperar para ouvir. Ouça: "Two Receivers".

The Good, The Bad and The Queen - The Good, The Bad and The Queen: A super banda formada por Damon Albarn (Blur/Gorillaz), Simon Tong (ex – Verve), Paul Simonon (ex – Clash) e Tony Allen (lenda viva do dub) assina um trabalho diversificado por oscilar sonoridades. Dub, neofolk, pop, ska... tudo muito bem misturado pelo requisitado produtor Danger Mouse. Ouça: "80's Life".

Norah Jones: Not Too Late: O terceiro disco da cantora é seu trabalho mais autoral. Com sonoridade voltada muito mais para folk do que para o jazz e letras do mais puro romantismo Not Too Late é o remédio para corações impuros. Ouça: “Be My Somebody”.


The Stooges – Weirdness: A volta do Stooges fora muito celebrada, até por eu mesmo. Mas ao ouvir Weirdness o hype não se justifica. Tal como os Rolling Stones (para não falar de outras bandas) Iggy Pop e seus comparsas pararam no tempo. Continuam compondo como se a ideologia dos distantes anos 70 ainda prevalecesse. A letra de “My Idea of Fun” é a confirmação dessa constatação já que Iggy versa sobre um homem cuja “a idéia de diversão está matando todo mundo”. Não desejava que a banda fizesse um disco eletrônico ou qualquer coisa que o valha, mas comparado a Skull Ring, último disco solo de Pop, Weirdness é muito inferior pois em Skull Ring o cantor se renovava ao buscar novas parcerias como o Green Day, o Sum 41 e a Peaches. Em suma, como diria Renato Russo “sempre mais do mesmo. Não era isso que queria ouvir”. Ouça: “My Idea of Fun”

The Roots – Game Theory: Um dos melhores e mais sinceros grupos de hip hop dos últimos tempos está de volta. Como bem descreveu Ahmir Thompson (aka "?uestlove", baterista do grupo) Game Theory é um disco "very mature, serious, and very dark”. Diferente de outros trabalhos, mas ainda mantendo o “padrão de qualidade Roots”. Ouça: "Atonement".

Wilco – Sky Blue Sky: O fantasma daquele Wilco experimental e genioso (via A Ghost Is Born) ainda assombra Jeff Tweedy, mas nem tanto. Um tanto introspectivo e voltado para a fase folk clássica de Neil Young, Sky Blue Sky é, desde já, um dos álbuns mais importantes e belos desse ano. E que fique bem claro: Jeff Tweedy é Deus. Depois eu explico. Ouça: “Either Way”.

16 de março de 2007

Eu recomendo

Após ofuscada estréia a cantora Amy Winehouse está de volta. Apostando novamente em sua verve negra, Back To Black é um verdadeiro deleite para fãs de funk, soul e jazz com ares setentistas. Ouça: "Rehab"






Enquanto Silent Alarm, primeiro álbum dos ingleses do Block Party, a sonoridade era oitentista, alegre e jovial o mesmo não acontece em A Weekend In The City que opta pela temática tristonha nas letras, mas ainda mantém de forma balanceada a energia da ótima estréia. Ouça: "I Still Remenber"




Em um dos álbums mais aguardados do ano os canadenses do Arcade Fire surpreendem mais uma vez. O que era assutador e ao mesmo tempo de rara beleza em Funeral, disco de estréia lançado em 2005, em Neon Bible essas características são elevadas a enésima potência graças a competência e grandiosidade das 11 canções que compõem este pequeno clássico de nossa era. Ouça: "My Body Is A Cage"

11 de março de 2007

O próximo U2. Se o Coldplay deixar.

Passaram- se dois anos para que o segundo álbum do Killers desse o ar da graça. De lá para cá muita coisa aconteceu. Eis aqui um resuminho: a banda alcançou o status de "grande", vendeu 5 milhões de cópias de Hot Fuzz (disco de estréia), Brandon Flowers (o frontman) comprou briga com o Green Day, o Bravery... conquistou a crítica e fãs famosos (Bono incluso). Álias é com a banda de Bono (o U2 é lógico, banda com que o Killers já dividiu o palco) que Sam's Town traz muitas semelhanças. A começar pela dupla de produtores (Alan Moulder e Flood) que foram os grandes responsáveis pela guinada na carreira dos irlandeses via Acthung Baby de 1992.
Quanto a sonoridade as canções do álbum ainda mantém um pé nos revitalizados anos 80, mas respirando de outras influências: saem as batidas indie-dance de grupos como o The Cure e entram a força e pungência de canções capazes de levantar estágios inteiros, de causar comoção de milhares de pessoas, tal como Tom Petty & The Heartbreakers, Queen, Bruce Springsteen & E Street Band e, claro, o próprio U2, protagonizaram na fátidica década e ainda o fazem. E é realmente nesse fator que reside a diferença no grupo. Ao que parece o grupo de Las Vegas decidiu por conquistar o mundo. Se depender de canções (maravilhosas por sinal) como "When You Were Young" (cujo belo videoclipe fora dirigido por Anton Corbjin fotográfo e parceiro de quem? Do U2!), "Bones", "For Reasons Unknown" entre outras o objetivo será alcançado. E nem mesmo o bigode rídiculo de Brandon Flowers parece impedir. A única ameaça reside do outro lado do oceano: os ingleses do Coldpaly que também está seguindo a cartilha do Killers seja trabalhando também Corbjin, que dirigiu o videoclipe de "Talk" (canção cujo fraseado da guitarra se assemelha, e muito, com os protagonizados por The Edge) e contratando os serviços de Brian Eno (produtor do vocês sabem quem) para coordenar as gravações do próximo disco.
O vencedor dessa briga ainda não é possível determinar, mas com certeza quem ganha algo nessa competição de imediato é o ouvinte. E que vença o melhor! Enquanto isso o placar informa: The Killers 1 x Coldplay 0.

24 de fevereiro de 2007

Never stop the music

Três anos após realizar sua despedida do showbussiness em uma grandiosa apresentação no Madison Square Garden (registrada no DVD Fade To Black) e jurar de pé junto que iria se aposentar, aproveitar a vida e coisa e tal, Jay - Z está de volta.
Os motivos reais, inicialmente, não saberia dizer, mas, talvez, temendo perder seu trono no universo hip - hop (ele é o artista rap solo que mais vendeu discos na história: 33 milhões nos EUA e 50 milhões em todo globo) no final de 2006 chegou as lojas Kingdom Come seu nono trabalho de estúdio.
O disco em si não difere de seus outros trabalhos clássicos. E não deveria. Em 12 anos de carreira construiu, a sua maneira, a sua musicalidade que somada a "mão cheia" como produtor (um verdadeiro Midas) influenciou o que veio depois e o que virá daqui para frente.
Sua volta fora precedida pelo single pungente de "Show Me What You Got" lançado em outubro de 2006 cuja letra celebra o seu retorno de forma grandiosa.
Outros momentos dignos de aplauso são "Hollywood" que conta com a participação de Beyoncé e a belíssima "Do U Wanna Ride" que conta com a voz divina de John Legend, velho parceiro de Kanye West que também participa do álbum produzindo a faixa.
Talvez pensando melhor existe uma razão óbvia para a volta de Jay (ou Shawn Corey Carter seu verdadeiro nome). E não seria o temor pelo perda do trono, pois nem de longe fora ameaçado nesse hiato. Sua volta está explicada no já citado Fade To Black. Durante o processo de gravação de seu, até então, derradeiro álbum The Black Album em um momento relax junto ao parceiro Pharell Willians (produtor e exímio músico) um dos excecutivos da Roc - A - Fella Records, gravadora do próprio Jay, invade o estúdio "pagando pau" ao próprio por não estar trabalhando e dizendo: nunca pare a música. Três anos mais tarde ele entendeu o recado. O resultado está aí. Firmão!

11 de fevereiro de 2007

Everything is broken

Após ler algumas curtas resenhas favoráveis em publicações Brasil a fora pensei que Pecados Intímos, novo filme de Todd Field (o mesmo do soberbo Entre Quatro Paredes), seria mais um, entre vários outros bons exemplos (Closer e Amor em Cinco Tempos são alguns), daqueles que desconstroem o universo, hoje, desastroso dos relacionametos amorosos. Já havia até idealizado um "pré - resenha" recomendando a casais apaixonados a passarem longe das salas de cinema onde o filme estivesse em exibição, mas fui pego de surpresa. O universo amoroso (ou do casmaneto no caso) é apenas um dos elementos trabalhados aqui. Em parte esse engano se deve ao título nacional e ao poster acima postado (que mostra o casal adultero nu). Para inicio de conversa fique com o título em inglês (Little Children) e construa a sua reflexão a partir daí.
Baseado no livro de Tom Perrota, roteiro utiliza do recurso "cobra coral", agora popular e que fora criado por Robert Altman em Short Cuts, o filme não apresenta um núcleo central e sim uma gama variada de personagens. E como não poderia deixar tudo se entrelaça de forma meticulosa e brilhante.
Sarah (interpretada por Kate Winslet) é uma mãe que abandonou temporariamente suas ambições acadêmicas para cuidar da filha pequena. Freqüentando o parque próximo à sua casa, ela observa suas reprimidas e alienadas amigas enquanto estas emitem julgamentos preconceituosos sobre tudo e sobre todos, numa rotina que torturante. É então que ela conhece Brad (Patrick Wilson), um bacharel em Direito que, sem conseguir passar na prova da Ordem dos Advogados, permanece em casa cuidando do filho enquanto sua esposa (Jeniffer Conelly) trabalha como documentarista de uma rede de televisão. Aos poucos, Sarah e Brad se tornam próximos e passam a construir um relacionamento amoroso, que poderia destruir a existência relativamente tranqüila que levam e que só é perturbada pela preocupação com a notícia de que Ronnie McGorvey (Haley), um ex-presidiário condenado por se masturbar em frente a uma garota menor de idade, está de volta a cidade.
Para retratar as histórias vividas pelos personagens Field faz uso do louvável recurso do narrador oculto que, logicamente, não participa de forma direta da trama, mas osberva, narra e analisa de forma profunda tudo que envolve a trama.
E mais do que tudo isso, ambos (diretor e roteirista) constroem de forma direta uma crítica perfeita a sociedade relatando várias histórias que tem como fio condutor o desgaste das relações humanas no mundo contemporâneo das mais variadas formas.
A relação com título remete a maturidade alcançada pelos personagens centrais que se isolam da visão sonhadora da vida e se aproximam dura realidade que terão que enfrentar por todo e sempre: ninguém (ou nada) foi ou será perfeito em nossas vidas.
Melhor que desenvolver críticas filosóficas ao filme é melhor você caro leitor assistir e se impressionar com esse grande filme, pois como Dylan cantou é duro, mas necessário, reconhecer:

9 de fevereiro de 2007

Por um mundo mais sujo: a volta dos Stooges



Após várias apresentações históricas ao redor do globo (que felizmente assisti em 2005 no Rio de Janeiro) os Stooges estão definitivamente de volta e com disco novo pintando por aí.

Para se ter uma noção do que está por vir "My Idea Of Fun", nova música dos patronos do punk que, como não poderia deixar de ser, soa como Stooges clássico está disponível no myspace do grupo.

Num cenário onde bandas indie dance e novas ondas musicais, como a "new rave" dos Klaxons, surgem por aí, ouvir a sujeira infernal de Iggy Pop e seus aseclas deixa este mundo um tanto menos careta e muito mais enérgico. O aguardado novo disco, intitulado The Weirdness, saí em março e conta com produção de Steve Albini (PJ Harvey, Pixies, Nirvana). Eis o track list:

1. Trollin'

2. You Can't Have Friends

3. ATM

4. My Idea Of Fun

5. The Weirdness

6. Free & Freaky

7. Greedy Awful People

8. She Took My Money

9. End Of Christianity

10. Mexican Guy

11. Passing Cloud

12. I'm Fried

Baixe aqui "My Idea of Fun" e comprove.

28 de janeiro de 2007

When Did You First Fall In Love With Hip Hop?*

Escrever sobre os grandes ícones da longa história da música é uma tarefa que, ao mesmo tempo, é um tanto quanto difícil e redundante. A dificuldade mora no fato de que tudo o que se poderia dizer sobre Van Morrison ou Bob Dylan, por exemplo, já foi aparentemente dito. E como se não bastasse mesmo que alguém ouse a realizar tal tarefa, ainda que você não tenha lido nada sobre ambos, soa, por muitas vezes, familiar a outros tantos trabalhos. Deixarei os Deuses em paz.
Porém, escrever é um vício incorrigível. Então sinto me obrigado a escrever sobre o que muitos críticos brasileiros ortodoxos torcem o nariz e/ou fingem ignorar: o atual rap norte – americano, mais especificadamente sobre Kanye West e o soberbo disco Late Registration.

Breve histórico:

Kanye West nasceu no dia 08 de junho de 1977 e é natural de Atlanta, Geórgia, EUA. Antes de ingressar a carreira como rapper West estudou na The American Academy of Art, de Chicago, e trabalhou como produtor de uma infinidade de artistas como Mos Def, Alicia Keys, Eminem, entre tantos outros.
Depois de elogiadas (e premiadas) parcerias junto a Jay – Z (o Midas do Hip Hop), West, com o incentivo do próprio Z, em 2004, lançou o seu debut The College Dropout que contou com as participações de alguns parceiros com quem já havia trabalhado, como Mos Def, e abriu novas portas para seu trabalho.
The College Dropout foi bastante elogiado por toda a crítica mundial e fora nomeado em várias categorias do Grammy daquele ano (incluindo melhor gravação do ano) e venceu nas categorias de melhor disco de rap e melhor canção de rap por “Jesus Walk”.

Late Registration

Lançado em 2005 Late Registration, seu segundo álbum, colocou definitivamente o nome de Mr. West em voga.
Produzido por Jon Brion (famoso pelo ótimo trabalho realizado a cantoras pop como Fiona Apple e Aimee Mann) e o próprio West, o disco é um grande trabalho e leva o rap a patamares louváveis que não eram alcançados há alguns anos.
Diferenciado de outros produtores como Missy Elliot e Timbaland (cujos trabalhos foram esmiuçados de forma grandiosa pelo crítico musical Simon Reynolds no livro Beijar o Céu) que criam batidas quebradas e geniosas em prol da revolução, West opta por dialogar com velha geração através de samplers como bem fez Moby em Play.
Logo no início "Someone That I Used To Love" de Natalie Cole conduz de forma “manhosa” “Wake Up Mr. West” e “Heard ‘Em Say” canção que nasceu perfeita.
Em “Gold Digger” nada mais, nada menos que Ray Charles (via Jamie Foxx em Ray) e sua “I Got a Woman” criam um blues – rap de primeira linha.
“My Funny Valentine” (na versão de Etta James) contribui na percusiva e melodiosa “Addiction”.
“Diamonds From Sierra Leone” conta a presença de Jay – Z e Shirley Bassey é sampleada através do tema que compôs para 007, “Diamonds Are Forever”.
Curtis Mayfield e Otis Reading são alguns dos outros homenageados no decorrer do álbum.
West faz parte do seleto grupo no meio hip – hop os chamado de gangsta que basicamente versam sobre quatro coisas específicas: dinheiro, mulheres vagabundas, carros e drogas. A vida, ao ouvir canções compostas por este gueto, se assemelha há festas intermináveis. E claro essas referências estão todas lá, mas não somente desse tema gira em torno do álbum.
Politicamente correto, West “dispara” suas rimas também a George W. Bush e Ronald Reagan em “Crack Music”. “Diamonds From Sierra Leone” versa sobre a guerra civil instaurada há anos no país.
“Roses” (cuja base é construída na bela “Rosie” de Bill Withers) o rapper chora a perda de uma amigo homossexual vítima de AIDS. Sua mãe é também homenageada em “Hey Mama” cuja sonoridade se assemelha a uma canção infantil reflexo da letra no qual West retorna a sua infância, aos tempos felizes em que sua mãe o levava para a escola.
A repercussão do álbum perante a crítica fora superior ao anterior. Prova disso a Rolling Stone e seu tradicional Top 50 anual agraciou com o primeiro lugar o disco que, novamente, concorreu ao Grammy nas categorias melhor álbum do ano e melhor disco de rap do ano, sendo vencedor na segunda categoria.Voltando e fechando o que me propus a escrever no início do texto, ignorar a relevância de artistas como Kanye West é uma grande estupidez. É certo que tudo o que de maravilhoso a música fora produzido a décadas atrás. Mas se faz necessário se reeducar quanto a produção atual. O mundo não vive somente de artistas pop fabricados. Volte e meia surge alguém, mesmo no mainstream, que quebra esse estigma. E Mr. Kanye West é a prova.
Então deixe o preconceito de lado e se renda ao que se produz hoje. Você pode se surpreender. Late Registration é um caminho possível.
*Frase síntese do filme Brown Sugar, incursão maravilhosa no universo da cultura hip hop.

23 de janeiro de 2007

The Man Who Doesn’t Know How to Smile*

Quase diariamente ele a observava a passar pelo espesso vidro que os dividia. Desde então começou a cultivar e a colecionar em seu imaginário tudo o que admirava nela: sua beleza jovial, seu sorriso espontâneo, seus longos cabelos negros, suas curvas suntuosas, suas roupas.
Certa vez estava ela passando ao seu lado e ao ouvir de relance a sua tímida voz a conversar distraidamente com um amigo em comum percebeu que algo mudara em si. Mas o quê?
Como se bastasse idealizou passar horas a fio a conversar sobre todas as coisas com ela. Sobre os amores de verão, sobre o passado que não deve ser esquecido e sobre a velocidade do tempo presente. Mas ainda não havia nada além de projeções de um futuro incerto para ambos.
Até que certo dia o “amigo em comum”, após breve conversa, resolve romper as barreiras existentes entre eles e abre caminho para que, talvez, algo grandioso possa acontecer. Ele descobre que seu nome era Daniele.
Após a resposta positiva, mesmo que ainda não tenham se conhecido pessoalmente, o mundo ganhou novas cores. Assim cessara o silêncio na cidade. O céu nublado de dias atrás tornou - se ao azul grandioso veraneio, de forma misteriosa, no dia seguinte.
Agora o homem que não sabia como sorrir descobrira o outro lado. Mas que lado seria esse? Ainda não sabia do que se tratava. Mas ao ouvir Josh Rouse cantar mais uma de suas belas canções encontra a resposta que pendulou durante todo o tempo a sua frente e ele temia não mais reconhecer:
It Looks Like Love
Sends has a little photograph that she shot in the nude
She doesn't wear a conscience
She doesn't play by rules
So turn me on baby everynight and in the daytime too
I feel like flyin'on an airplane
Like some clueless fool
There goes that melancholy feeln' again
It looks like love is gonna find a way
Hey, hey, hey
And when you start believn' in it
It looks like love is gonna show it's face
Hey, hey, hey, heyy
I got some things to show her
I take her to my room
She likes to eath that chocolate
She likes the scent of it too
She turns me on baby everynight
And in the daytime too
I feel like flyin' on an airplane
Like some clueless fool
There goes that melancholy feeln' again
It looks like love is gonna find a way
Hey, hey, hey
When you start believn' in it
It looks like love is gonna show it's face
Hey, hey, hey, heyy
And when you start believn' in it
It looks like love is gonna show it's face
Hey, hey, hey, heyy
* Texto profudamente inspirado (e expirado) em Subtítulo, disco apaixonante de Josh Rouse lançado em 2006.

20 de janeiro de 2007

Esquesitices invejáveis

Existem na minha vida várias coisas que, num misto de inveja e admiração, gostaria de ter herdado ou até mesmo ter participado de seu processo de criação.
Gostaria de ter criado pelo menos metade das canções de Jeff Tweedy. De ter a sensibilidade (e a ironia) de Nick Hornby e Cameron Crowe. Uns 10% da genialidade de Woody Allen também não fariam mal. A versatilidade do Beck... E por aí vai.
Bom e fora com essa gama de sentimentos que abandonei a sala de cinema maravilhado com Mais Estranho Que a Ficção de Marc Forster (diretor cujo filme Em Busca da Terra do Nunca, cinebiografia do autor de Peter Pan, me fez chorar bastante durante horas a fio). Mas aqui a história e os elementos trabalhados são outros.
O filme retrata a história de Harold Crick (interpretado brilhantemente por Will Ferrell que ganhou muitos pontos a favor após sua magistral interpretação em Melinda, Melinda), um auditor da Receita Federal, protagonista de uma vida muito metódica (presa a números e horários) e, conseqüentemente, repetitiva. Em suma, o típico personagem que a literatura nos ensinou a odiar. Mas a rotina maçante de Crick é quebrada quando ele começa ouvir uma voz feminina narrando os fatos de seu dia a dia. Essa é Karen Eiffel (Emma Thompson vivendo seu melhor papel em todos os tempos), romancista britânica que está há dez anos enfrentando um "bloqueio criativo".
Na tentativa de descobrir o que seria essa misteriosa voz Harold é surpreendido por uma indagação aterradora da narradora na qual ele iria morrer em breve. E, justamente, quando isso ocorre sua vida havia mudado drasticamente: Harold descobre que o amor que, ironicamente, manifesta - se por uma padeira anarquista (interpretada por Maggie Gyllenhaal). A partir daí se inicia a busca desenfreada pela vida. Com o auxílio de um professor de literatura (Dustin Hoffman) Crick descobre ser personagem de Eiffel que tem como característica mor de sua escrita a morte dramática de seus personagens.
Estranho, mas surpreendente como os clássicos roteiros de Charlie Kaufman, Zach Helm (roterista) cria um magistral e invejável exercício metalinguístico no qual quem sai ganhando é o espectador tornado assim Mais Estranho Que a Ficção um dos filmes obrigatórios dessa primeira temporada de 2007 e por toda a vida.
P.S. A trilha sonora também é sensacional e versátil. Vai de The Jam a Vangelis passando por Maximo Park.
Durante uma das melhores passagens do filme Will Ferrell pega o vilão e toca a única canção que aprendeu a tocar, "Whole Wide World", e conquista o coração de sua amada. Mas também com uma letra dessa quem não de renderia?

16 de janeiro de 2007

The Last Song

Lá pelos idos de 2000 o Oasis passava pelo seu período de transição. A saída turbulenta de dois integrantes somada as críticas negativas a Be Here Now e o uso de cocaína em escalas inimagináveis quase culminaram no fim daquela que será lembrada como a banda que foi a cara da Inglaterra na década de 90.
Na tentativa de correr atrás do tempo perdido Noel e Liam contrataram os serviços de Andy Bell (ex - Ride) e Gem Archer para a criação do incompreedido, até mesmo pelo próprio Noel, Standing On The Shoulder Of Giants. Lançado em 2000 o álbum é um coaglomerado de grandes canções que vão desde a essência do "rock tradicional"(que seria explorada de forma consistente no disco seguinte Heathen Chemistry) como na ótima "Put Yer Money Where Yer Mouth Is" e "I Can See A Liar" ou, para não perder o costume, levar o ideário beatle adiante em "Who Feels Love". Liam também compôs sua primeira música, a singela "Little James". Mas o apíce desse disco é uma canção que bateu fundo dias atrás e fez com que eu me relembrasse o por que de minha admiração pelo disco. Seu nome? "Where Did It All Go Wrong?".
Há tempos tenho procurado álguem que entendesse o que se passa nessa cabeça (a minha no caso) que parece, assim consta no primeira estrofe da canção, estar "mais velha que o tempo". E eu me pergunto? Seria eu esse personagem que está aí nessa canção? Os versos para mim me soam tão familiares que parece que Noel tocou realmente no ponto certo. Posso estar errado, mas no fim fica a pergunta:

Where Did It All Go Wrong?
Oasis

You know that feeling you get

You feel you're older than time
You ain't exactly sure
If you've been away a while

Do you keep the receipts
For the friends that you buy
And ain't it bittersweet
You were only just getting by

But I hope you know
That it won't let go
It sticks around with you until the day you die
And I hope you know That it's touch and go
I hope the tears don't stain the world that waits outside
Where did it all go wrong?

And until you've repaid
The dreams you bought for your lies
You'll be cast away
Alone under the stormy skies

But I hope you know
That it won't let go
It sticks around with you until the day you die
And I hope you know that it's touch and go
I hope the tears don't stain the world that waits outside
Where did it all go wrong?

31 de dezembro de 2006

The Best of 2006: Shows

2006 não fora um ano de atrações internacionais para mim. Salvo a antológica de Gang of Four e o fofinho Cardigans, nada mais aconteceu. Vontade de assistir aos Beastie Boys, a Patti Smith, ao TV On The Radio (isto só para ficar no TIM Festival) não faltou. Faltou mesmo foi o duplo tempo (financeiro e cronológico). Em compensação, assisti a apresentações soberbas no cenário nacional. Eis as minhas cinco favoritas:

Chico Buarque – Palácio das Artes
“Carioca” - 09/12/2006: Já escrevi sobre o mesmo então ainda está valendo à mesma opinião.

Caetano Veloso – Chevrolet Hall
“Cê” – 25/11/2006
: Também já escrevi sobre o show, mas agora virá uma ressalva inédita: a passagem de Caetano em BH foi o melhor show desse ano e uma das melhores que meus olhos presenciaram. E se vier novamente estou lá! Fantástico.

Skank - Chevrolet Hall
“Carrossel” – 08/10/2006: Fechando a trilogia iniciada em Maquinarama, a turnê de Carrossel é dividida em dois momentos distintos: o primeiro composto pelas pérolas (que não são poucas) do novo álbum mais o supra sumo dos dois discos anteriores. No segundo ocorre a entrega do caminhão de hits de outras eras. Na dúvida fique com os dois. Isto sem falar que visualmente essa nova turnê é espetacular. Não deve a ninguém da gringolândia. É o Skank do novo milênio e cada vez melhor.

Nando Reis - Chevrolet Hall
Sim e Não” – 08/07/2006: E o folk/rock/abrasileirado do cantor continua funcionado bem. Escudado pelo ótimo novo disco, a apresentação é recheada de emoção e romantismo reflexo da atual fase que passa a vida do cantor.

Mombojó – “Homem Espuma” - Parque Municipal: A Conexão Telemig Celular esse ano caprichou em sua programação trazendo Pato Fu, Cordel do Fogo Encantado, Arnaldo Antunes, entre tantas outras agradáveis apresentações. Mas a melhor delas fora a dos pernambucanos do Mombojó. A primeira vez que assisti ao grupo fora no pequeno teatro da Biblioteca Pública onde, apesar da ótima acústica, não foi possível perceber a grandiosidade desse octeto fantástico. Mas a apresentação a céu aberto, junto a um enorme séqüito de fãs somada ao performance incendiária dos componentes é infinitamente melhor. Perfeita.

E para 2007 começar feliz temos Marisa Monte no Palácio das Artes e a Orquestra Imperial no Chevrolet Hall ambos em fevereiro. Prepare o bolso e acerte os relógios, pois o ano que vêm promete.

27 de dezembro de 2006

The Best of 2006: Films

Dando inicio a tradicional retrospectiva anual começo pelas salas de cinema que, neste ano que se passou, fora visitada por 34 vezes (segundo consta meu vício de guardar os ingressos). E não fora de todo mal. Para tanto fujo, como no ano passado, do tradicional “Top 5” e engato um “Top 10” sem ressentimentos.
Antes citar quais estão dentro comento os que ficaram de fora. Apesar de assistir nesse ano deixei de fora os ótimos Crash, O Jardineiro Fiel e Syriania pela razão de que os mesmos foram produções realizadas em 2005 e inclusive premiadas na cerimônia do Oscar desse ano.
No âmbito do “quase” estão lá Paradise Now, Caché, Beijos e Tiros, Lemming, Factotum e O Amor Não Tira Férias que bateram na trave por razões distintas, mas vale a pena (e muito) assistir.
Detalhe: sou fã de Pedro Almodóvar, mas não encarei Volver até hoje. Por quê? Não tenho a menor idéia. Porém algo me diz que não deve assisti-lo porque toda vez que me prontifico para tal tarefa algo dá errado. Vou aguardar o DVD pacientemente. Sem mais delongas estão aí os meus 10 melhores filmes de 2006 (sem ordem de preferência):

Flores Partidas – Jim Jarmusch
O Grande Truque – Christopher Nolan
Fonte da Vida – Darren Aronofsky
Os Infiltrados – Martin Scorsese
Vôo 93 – Paul Greengrass
Obrigado Por Fumar - Jason Reitman
Separados pelo Casamento - Peyton Reed
V de Vingança - James McTeigue
O Plano Perfeito – Spike Lee
Amor em 5 Tempos – François Ozon

21 de dezembro de 2006

Dyslexic Heart – Crônica do adeus a “era dourada”

Em mais uma manhã de café da manhã frente a TV fui pego desprevenido por algo inimaginável: o vídeo de “Dyslexic Heart” de Paul Westerberg (da trilha de Singles – Vida de Solterio e dirigido por Cameron Crowe) que causou em mim um flashback inesperado. Voltei a 1999, ano em que fora dado inicio da minha “era de ouro”.
Mesmo com fim do advento grunge em 1994, o movimento ainda ganhava (e ainda ganha) asseclas e eu seguia junto. Tive minha primeira (e única) banda que tocava covers de Nirvana. Não éramos os melhores, mas até que tocávamos bem. Acredito que não fomos em frente basicamente porque éramos um trio, logo depois um quarteto, de fanfarrões. Não ensaiávamos muito. Nossos fins de semana eram ocupados demais, regados a festas “rocker”(no Lapa Multishow), noitadas em botecos (no extinto Bar Rocho), shows e mais shows (de Mudhoney, Pearl Jam Cover...). Tinha a garota mais bela da escola a meu lado. Noites antológicas que perduraram por dois anos. Porém, tal como o filme de Crowe, a idade adulta chega e eu fiquei velho rápido demais. Não tenho pique para noitadas. Festas na casa de amigos abandono cedo. Shows? Assisto sentado.
Ao preparar – me para sair para mais um dia de trabalho deparo com a minha blusa xadrez “empoeirada” na guarda – roupa e resolvo lhe dar mais uma chance. Retiro os Cd’s do Caetano da bolsa e coloco alguns dos Screaming Trees, Temple of The Dog e, claro, a trilha de Singles. Tudo para tentar sentir aquele frescor daquela época.
Fico feliz ainda em saber que me arrepio da mesma forma nos primeiros acordes de “Nearly Lost You” dos Screaming Trees. Que ainda consigo ouvir Alice in Chains. Que sustento a idéia de ir algum dia ao show Pearl Jam. Mas os tempos são outros.
As obrigações da era moderna me deixam dia após dia ainda mais distante dessa era que se foi e não volta mais. Os amigos daquela época se foram. Estão ocupados demais. Quase tudo se foi. All Grow Up. Unfortunelly.

17 de dezembro de 2006

The legacy: the world domination of Gainsbourg family

Nunca o sobrenome Gainsbourg fora tão comentado como neste ano que passou. O falecido Serge Gainsbourg (que partiu em 1991) deixara uma herança sobre a terra e isto não há dúvida. E tão versátil quanto o próprio Serge, 2006 fora o ano que sua honrosa família “atacou” por diversas as vertentes. Tributos, cinema e discos – solos da prole foram alguns deles.
Para celebrar seu 50º aniversário, o tributo Monsieur Gainsbourg Revisted traz nomes de peso do cenário musical atual (e algumas de suas amantes/cantoras) para recriação de algumas de suas composições clássicas. O cartão de visita fica com Franz Ferdinand que junto a Jane Birkin (ex – esposa do mestre) executam a enérgica “A Song for Sorry Angel”. Cat Power e Karen Elson injetam sensualidade em grau máximo (marca registrada de Serge Gainsbourg) na mais famosa de suas canções “Je T’Aime Mon Non Plus” vertida aqui para “I Love You (Me Either)” executando o dueto que antes fora realizado pelo próprio Serge e Jane Birkin. O Portishead coloca as batidas do trip – hop a serviço de “Requiem for Anna” e o resultado é grandioso. Um dos melhores trabalhos realizados em sua homenagem. Michael Stipe (R.E.M), o andrógeno Brian Molko (Placebo), The Kills e Jarvis Cocker também contribuem e engrandecem o maravilhoso álbum, pois o resultado do tributo esta a altura do autor. O único porém é o fato de que o disco é todo em inglês. Detalhe: Serge, como dizem por aí, só não dominou o mundo porque era avesso ao inglês e por isso compunha somente em sua língua nativa: o francês.
Falando em Jarvis Cocker (o figura aí ao lado), se existe alguém no universo pop que chegue próximo a magnitude do clã de Gainsbourg é ele. Em Jarvis, o cantor faz uso de temáticas trabalhadas em exaustão no universo fantástico “gainsbourguiano” no qual amores dilacerados, perversões, traições e assassinatos dão o tom. Não se trata de uma obra – prima já que o disco alterna momentos brilhantes (“Don’t Let Him Haste Your Time”) e outros nem tanto (“Heavy Weather”), mas deixa em aberto o destino do cantor cujo passado fora de glorias quando era o frontman do Pulp .
Quem também lançou disco em 2006 fora uma das musas do mestre: a já citada Jane Birkin. Fictions rompe um hiato de anos sem gravar e mostra Birkin escudada por uma nova geração de compositores (Beth Gibbons é uma delas). E o tempo parece passar de forma lenta. Sua voz continua intacta. Serena. Diversificação é o lema musical do álbum que vai do jazz ao eletrônico passando pelo folk. Como são bastasse canções em francês e em inglês alternam – se e comovem os corações ao redor do globo. A versão de “Harvest Moon” (de Neil Young) não me deixa mentir.
E para finalizar escrevo sobre minha musa, Charlotte Gainsbourg (filha de Jane Birkin com Serge), que me fez passar por bobo dias atrás. Estava eu no cinema assistindo a Lemming (2005) e a cada vez que ela surgia na tela sorria feito uma criança quando ganha seu doce predileto. Sorte minha ninguém estar ao meu lado.
A presença dela era tão radiante que quase me esquecia do filme que é deveras bom. O roteiro da a falsa impressão de que se trata de um drama protagonizado por dois casais de estilos de vida antagônicos. Entretanto, o filme da uma virada e o que poderia ser um “dramalhão” torna – se um suspense de primeira linha.
Apesar de o título ser o nome de um animal (o Lemingue, natural da Escandinávia) o diretor realiza intertextualidade com um fato originário da via animal (a migração) que se relaciona diretamente com a história vivida pelas personagens. Somente vendo para crer.
Como o assunto é 2006 Charlotte esse ano lançou seu segundo disco 5:55, comentado em posts anteriores, e ainda continua com nota máxima por aqui. E o também já comentado, mas ainda não assistido, Science of Sleep que continua a sua saga de confundir o mundo. Protagonizado por Charlotte e Gael Garcia Bernal, o filme retrata a história de Stéphane Miroux (Bernal), um jovem excêntrico cujos sonhos constantemente invadem a sua vida. Com uma promessa de um bom emprego, Stéphane é coagido por sua mãe a voltar a sua cidade natal.O sujeito é bastante criativo. Enquanto dorme, ele é o carismático anfitrião do programa imaginário "Stéphane TV", onde explora a "Ciência do Sono" em frente a câmeras de papelão. Porém, na vida real, consegue um trabalho entediante em um local onde são publicados calendários. Lá, é obrigado a dividir uma pequena sala com três colegas, incluindo Guy (Alain Chabat), que é bastante faminto por diversão, e seu chefe. A decepção com o emprego, no entanto, acaba ao conhecer sua vizinha Stéphanie (Charlotte Gainsbourg) e Zoé (Emma de Caunes), uma amiga dela. Inicialmente atraído por Zoé, Stéphane passa a gostar de Stéphanie devido a imaginação dela bater bastante com a dele. Ele passa a colocar a garota em vários projetos criativos de sua mente. Stéphanie, de alguma maneira, acha a chave para o coração do rapaz. À medida que a relação dos dois floresce, o sujeito começa a deixar a sua imaginação interferir na sua vida real. E por aí vai. Equanto o filme não chega aos cinemas brasileiros, a trilha (graças a Karina) já chegou aos meus ouvidos, mas não irei cometar, pois sem assitir ao filme não muita tem graça.
Enquanto isso, na “sala de justiça”, Serge Gainsbourg segue observando, mesmo distante, que seu legado vai só aumentando. E com justiça, pois sua influente obra ainda é matriz para muito do que se produz no universo da cultura pop.