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24 de fevereiro de 2008

A subversão

Assistir a American Gangster, nova obra de Ridley Scott, foi como diria Woody Allen sobre Fyodor Dostoievsky "uma refeição completa", mas semanas depois a mesma se tornou um pouco indigesta.
Antes de mais nada não mudarei minha opinião sobre o filme. Sim, ele é grandioso. O elenco atua de forma competente. A fotografia é fiel ao período retratado (os anos 70). A trilha sonora é deliciosa. Até mesmo a parte fantasiosa (leia-se: exagerada) da vida do traficante Frank Lucas passa batido. Porém, faltou um pouco da direção.
Que Scott é um grande diretor isto Blade Runner e Alien já comprovaram, mas há algo de estranho. Afinal, a obra em nada se parece com qualquer outra de sua autoria. Se a mesma fosse vendida, para leigos, como de autoria de Martin Scorsese passaria batida tamanha a semelhança com o universo retratado na mente do diretor de Infiltrados, Caminhos Perigosos e tantos outros. Em suma: faltou pulso para Scott.
Essa máxima se faz valer para vários dos aclamados novos diretores que seguem o encalço do Scorsese. Porém, David Cronenberg é a exceção. E não é pelo fato de ambos serem da mesma geração. A grande diferença pode ser percebida em suas duas últimas obras: Marcas da Violência e a que presto à escrever agora, Senhores do Crime, onde o diretor se "aventura", mais uma vez, na ótica do gênero gângster/máfia, mas com uma grande diferença: sob a sua ótica.
A máfia russa está lá, travestida na pele do personagem Kirill (interpretado por um Vincent Cassel como a gente gosta: insano), seu pai Seymon (Armin Mueller-Stahl) e Nikolai (Viggo Mortensen). Porém, a maneira que Cronenberg a trabalha no filme é impressionante e ousada.
Assimilando a visão romântica de Coppola (via O Poderoso Chefão) e adicionado a já tradiconal violência de seus filmes (e por que não também de Scorsese), estes dois fatores, que aqui estão muito bem doados, já fariam do filme o seu diferencial. Porém, ainda não seria uma obra de Cronenberg. Então o que o faz ser diferente dos outros você se pergunta? Bom, para os conhecedores da filmografia de Cronenberg existe fundamental em seus filmes e que aqui está soberdo: o perfil psicológico oscilante dos personagens trabalhado as minúcias. Cada detalhe, cada pensamento, cada ação é transposta a tela sem mazelas. Da ternura ao ódio. E a indicação de Mortensen é mais do que justa ao Oscar, pois o domínio de um personagem dessa natureza impressiona e prova o quão rendosa está sendo sua parceira junto ao diretor.
Qualidades somadas, Senhores do Crime é um grande trunfo na longa carreira de David Cronenberg, pois ele não só realizou um grande filme como também subverte o gênero que tendia a desgastar. Mas nas mãos dele se torna novidade.

10 de fevereiro de 2008

Paranoid Park Forever

"Paranoid Park é o primeiro filme de Gus Van Sant 100% bom": lembro de ter lido isso em algum lugar antes mesmo de ver a nova obra do diretor. Mas será que esta isolada frase teria realmente sentido? E o que faria dele ser algo superior a Elefante ou a Gênio Indomável? Essas foram as questões que se passaram pela minha mente horas antes de assisti-lo. Tendo - o feito vejo que várias são razões para tal afirmação.
Em primeiro lugar, sim, esta é mais uma incursão pelo universo adolescente já trabalhada em películas anteriores. Porém, aqui ela está diluída de maneira diferenciada e abrangente.
Baseado no livro de mesmo título escrito por Blake Nelson, vários dos conflitos oriundos deste período marcante para grande parte dos seres humanos são colocados e discutidos de forma primorosa: a tentativa de se estabelecer em algum grupo, o primeiro amor, a primeira vez, desilusões, separações, o vazio de uma era carente de ideais a seguir (ou com zilhões deles dependendo da ótica)... tudo muito bem "amarrado", sem os buracos no roteiro que possivelmente poderiam aparecer.
O crescimento do diretor, tecnicamente falando, é visível. Utilizando e ampliando recursos utilizados em filmes anteriores, tidos como "experimentais", surgem aqui de maneira natural. As cenas em filme Super 8 (típicas de documentários sobre skatistas tal como o protagonista) são de rara beleza chegando inclusive ao ato inimaginável de imprimir um certo ar poético as imagens. O já tradicional usufruto do flashback (utilizado à exaustão em Elefante) surge de maneira sutil em momentos pertinentes na narrativa.
A trilha chega assustar tamanha a qualidade e diversidade. Oscilando entre o pop e o clássico, a seleção vai dos doces trinados de Elliot Smith (o grande mote de Gênio Indomável), passa pelo gênio Nino Rota, fiel escudeiro do não menos genial Federico Fellini, e utiliza da Nona Sinfonia de Beethoven. Tudo impresso de forma surpreendente nas telas.
O elenco, mais uma vez formado por atores amadores, brilha em atuações dignas e extremamente fidedignas a essência dos personagens.
Mas melhor que ficar escrevendo sobre os fatos, tal como o personagem central (Gabe Nevins) é tentar entender que tal como o "crime" cometido , o sentimento de culpa e as imagens que irão segui-lo por toda vida Gus Van Sant, de maneira histórica, criou um filme que não irá figurar listas de melhores de todos os tempos, nem lhe renderá premições inúmeras (opa! Cannes o fez). Porém, o mesmo não deve ser esquecido. Grande obra.

6 de fevereiro de 2008

You've got to be strong, if you want to survive


"Por que a canção de Bobby Womack, 'Across 110th Street', está presente em quase todos os filmes de gangsters?". Esta pergunta ecoou em minha cabeça por dias. Quentin Tarantino, por exemplo, a utiliza em Jackie Brown. Ridley Scott também a utiliza no recente American Gangster...
Seria devido à melodia funk? Ou seria pelo simples fato dela ser ótima mesmo? A dúvida perdurou por um bom tempo até o dia em que prestei atenção a letra e encontrei a.possível resposta: lá está a frase emblemática de qualquer "malandro" que almeje enfrentar os desafios da vida do ghetto adota para si: You've got to be strong, if you want to survive (você tem de ser forte, se você almeja sobreviver).
Tempos atrás, essa máxima somente poderia ser adota por esse seleto grupo que vivia à margem da sociedade e encarava o cotiano violento no front, buscando meios para a sua sobrevivência nos subúrbios. Mas isso foi há tempos atrás... Hoje ela vale também para todos nós que dia após dia vivemos num mundo cada vez mais sujo e dominado por personagens que antes só ouvíamos falar, visualizávamos nas telas da TV/cinema ou em livros de Elmore Leonard.
A violência tomou dimensões tão grandiosas e desenfreadas no século XX (o pior dos séculos para muitos) que mal avançamos para o de número XXI e o que se vê nos jornais não é um recrudescimento de mortes causadas por atos violentos de qualquer tipo e sim um acréscimo elevado no contingente.
Bom, ai você viu logo acima o pôster de Onde os Fracos não tem Vez (No Country For Old Men no original), novo filme dos irmãos Coen, e se pergunta: em que hora esse imbecil vai falar do filme? Se for isso que você quer caro leitor ai vai: o filme é sem sombra de dúvida o melhor dos Coen desde sempre. O roteiro baseado na obra de Cormarc McCarthy está fidedigno à obra. Javier Bardem está soberbo em atuação digna de Oscar no papel do louco assassino Anton Chigurh. Mas isso você já sabe, leu por ai e é o de menos.
A intenção da película é chocar o espectador. E não com as cenas sanguinárias que permeiam toda a obra. Afinal de contas Onde os Fracos não tem Vez é real e está em todo lugar. Está em frente a sua janela. Está enquanto você perde o seu tempo lendo este texto. E nós estamos estarrecidos, pois, aparentemente, não há nada a fazer.
Nessas horas vêm a consciência as palavras de Lennon: "How do you sleep?". Eu confesso que meu caro amigo que não sei como.

20 de janeiro de 2008

The day after the revolution*

"You say you want a revolution
Well you know
We all want to change the world"

Beatles em "Revolution"

A vida inteira buscamos por realizações. Buscamos revoluções em nossas vidas, mudar o mundo ao nosso redor. Mas o que vem depois de conquistarmos nossos sonhos? Esse é o mote conflituoso de Amantes Constantes de Philippe Garrel.
O filme, que funciona, de forma indireta, como continuação ao soberbo Os Sonhadores de Bernardo Bertolucci, volta à mesma França de 1968 aonde a revolução estudantil eclode de forma violenta. A juventude tomou às ruas adotando a ideologia da "liberdade individual para todos". E não obstante é datado também nesse período o início da revolução sexual que iria culminar no verão de 1969. Todos esses fatos históricos são filtrados pela ótica de Garrel que imprimi de forma primorosa a visão de quem somente vivenciou tudo com seus próprios olhos poderia fazê-lo.
Acima comentei sobre a ponte entre Os Sonhadores e Amantes Constantes e a mesma acontece justamente por duas razões: primeiramente pelo início já que a película de Garrel começa aonde Bertolucci termina, no conflito armado entre a polícia armada e os estudantes. Segundo, pela presença de Louis Garrel, filho do diretor, que atua também no filme do diretor italiano.
Filmado totalmente em preto e branco, utilizando de técnicas oriundas da década de 60 (seja através de closes focando o rosto e as expressões dos personagens e/ou o silêncio como forma de demonstrar a angústia daqueles tempos), o diretor trás nas suas três horas de duração um filme grandioso que os acostumados aos padrões hollywoodianos de hoje nunca irão se acostumar.
Obrigatório para fãs e apaixonados pela sétima arte que permanece viva na obra de alguns diretores e Philippe Garrel é um deles.

* Dupla referência. Primeira: título de uma canção do extinto Pulp, do carismático Jarvis Cocker, que versa sobre a mesma temática do filme. Segunda: antítese ao filme de Bernardo Bertolucci Antes da Revolução. Durante uma passagem do filme a personagem Clotilde Hesme indaga ao primo de Antoine (Nicolas Bridet), um pintor, se já assistiu “Antes da Revolução”, vira-se para a tela e solta num suspiro soturno: “Bernardo... Bertolucci”.

6 de janeiro de 2008

I was there!*

Marina da Glória/RJ: 26 de outubro de 2007 - Tim Festival



Eu estava lá! Eu a vi. Renovada, elétrica e extremamente feliz. Em sua melhor fase. Eu a vi como a muito tempo não acreditava vê-la. Me emocinei a cada segundo de sua presença. Por ela qualquer esforço parece em vão. Cat Power. É por ela que meu coração "musical" bate no momento. E não poderia dizer nada mais do que estas parcas linhas do que fora o show dela para mim. Um dos pontos altos de minha vida concretizada em forma de sonho/realidade em três dias de puro êxtase carioca? Com certeza sim.
E para coroar/selar a nossa renovada paixão chegará as lojas no dia 22 de janeiro seu mais novo trabalho: Jukebox álbum onde, mais uma vez, revisita clássicos e obscuridades de artistas de sua predileção como também recria canções do seu próprio repertório.
Como de praxe, o disco já está por ai na web para quem quiser ouvir. E como diz a o título da canção de Bob Dylan: "Tomorrow Is A Long Time". Então o download já fora efetuado a título de necessidade mor.
Considerações: mais um vez, como desde Covers Record , Chan Marshall acerta em cheio graças a seleção grandes canções que graças a sua plácida voz, sua interpretação diferenciada das versões originais e uma exímia banda de apoio (o Dirty Delta Blues colabora novamente tal como no grandioso The Greatest) se destacam de forma primorosa.
O hino clássico/clichê à cidade de New York ("New York, New York", claro, famoso na voz de Frank Sinatra e Liza Minelli) é recriado de forma inimaginável: vigoroso e cadenciado, acrescetando assim, uma nova e esplendorasa visão/interpretação da canção.
A canção country de Hank Willians "Ramblin' (Wo)man" torna-se um blues do primeiro escalão.
"Lost Someone", de James Brown, vira uma delicosa e pulsante valsa tal como a maravilhosa versão de "I Found the Reason" do Velvet Underground cometida por ela no já citado Covers Record.
Bob Dylan está lá de forma dupla: na elétrica versão de "I Belive in You" e na singela/comovente homenagem ao mestre em "Song To Bobby" única canção própria inédita no álbum.
Por fim, destaca-se a trinca final dedicada a cantoras: a versão de "Don't Explain" de Billie Holiday (apresentada em primeira mão nos shows do Brasil), "A Woman Left Lonely" famosa na voz de Janis Joplin e a belíssima "Blue" de Joni Micthell.
Eu estava lá e estarei quantas vezes me for necessário, pois ao contrário de Feist que me "deixou na mão" ao não comparecer ao nosso "encontro" no Tim Festival, Cat Power apagou qualquer ausência sentida e continua a arrebatar corações seja no palco ou em discos como o maravilhoso Jukebox que já desponta como um dos melhores de 2008.
*Qualquer antítese traçada com I'm Not There, filme de Todd Haynes, que tem em sua trilha sonora a própria Cat Power está no caminho certo. Agora, se você se lembrou da frase emblemática de "Losing My Edge" do LCD Soundsystem também está.

4 de janeiro de 2008

That 70's show*

Os anos 70 foram a glória para muitos. Fora a época que nem almejava em nascer, mas gostaria. Foi um período mágico por infinitas razões. E, musicalmente falando, década das mais propícias para a produção de grandes álbuns.
A beatlemania havia estagnado com fim da banda de Liverpool. Então o mundo respirava ares mais amplos enxergando e dando espaço para muita gente boa. E como era dificil não gostar dele nesse tempo... A fatídica era foi a fase mais promissora de sua carreira.
Afirmar que não gostava de Rod na época seria o mesmo que achava Pelé um jogador mediano fato que, como todos sabemos, é inconcebível.
Foram tantos álbuns e canções históricas que fica dificil destacar apenas um(a), mas por hora fico com o meu predileto do momento, que também figura na lista do Rolling Stone de 500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos, tem a predileção de Cameron Crowe e também dos caras do Manic Street Preachers: Every Picture Tells A Story.
Lançado em 1971, o disco catapultou a carreira até então sub-oscura de Rod que estava recém saído do seminual Faces e do Jeff Beck Group. Estão neste álbum vários de seus clássicos presentes até hoje no repertório como "Maggie May", "That's All Right (Mamma)" (famosa também na voz de Elvis Presley) e a faixa título.
Dono de uma das melhores vozes do período e performances eletrizantes Rod Stewart tinha o cetro em mãos e seguiu a década conquistando público e crítica, mas não o manteve por muito tempo. A década de 80 veio, os excessos de quem levou uma vida Rock & Roll ao extremo também, e, consequentemente, a veia criativa afrouxou em prol do que eu chamaria de Roberto Carlos Sindrome , pois uma interminável fase baladeira vingou e não tardou mais.
O cantor versátil e ousado de outrora agora aposta no caminho "fácil" de gravar standars de jazz para agradar em cheio o público norte - americano e o mercado agradece mais um volume da série American Songbook que chega a seu quarto. Um pena. A meu ver desperdício de talento de um dos maiores perfomers que o rock já viu e influenciou tanta gente boa como a "tia" Rita Lee confessou recentemente em entrevista a Rolling Stone.
Saudades do tempo em não vivi nem viverei. Nostalgia pura ocasionda por textos de Lester Bangs, para muitos o maior crítico musical de todos os tempos que retratou como poucos e efervecência dos anos dourados do rock.
Enquanto isso Almost Famous volta para a prateleira de filmes a serem vistos essa semana.
Detalhe: a trilha do filme de Cameron Crowe tem, como de praxe, vários atrativos. Entre eles a faixa "Every Picture Tells A Story" que fora minha primeira incursão ao universo de Rod Stewart.
*Série televisiva recente que revelou o talento de atores como Topher Grace e Ashton Kutcher.

11 de novembro de 2007

REQUIEM POUR UNE ARTIST

Pela primeira vez em quase três anos deste espaço publico algo que não seja de minha autoria. E, para começar bem, tenho a honra de postar as considerações de Juan Fiorini (poeta, escritor, agitador cultural e, nas horas vagas, meu grande amigo) sobre o obra prima de Silvie Simmons, Um punhado de Gitanes, que esmiuça a vida e a obra do gênio Serge Gainsbourg.



“Il y a une trilogie dans ma vie. Un triangle, dirons-nous, équilateral que est la fummé enfin, les Gitanes – l’èthylisme, et la fille. Je n’ai pás dit isocèle, j’ai dit équilateral. Mais tout ça avec um background me mec initié à la beauté, à la peinture.”*

Em Um punhado de Gitanes – Serge Gainsbourg, Sylvie Simmons, jornalista de rock renomada procura definir e falar um pouco sobre Serge Gainsbourg, o mito e ícone pop francês, um artista tão versátil quanto polêmico.
Compositor, escritor, diretor / roteirista de cinema, cantor, fotógrafo, intelectual, artista plástico, ator, bêbado, provocador, amante e fumante exacerbado de cigarros Gitanes (cinco maços por dia!!!), este misto de Bukowski com Barry White apresentou a elegante e ímpar chanson française ao mundo pop, namorou beldades (Brigitte Bardot e Jane Birkin, só para citar as mais conhecidas), criou o pop francês – até então a música francesa era motivo de chacota pelo resto da Europa, principalmente entre os ingleses, numa época em que os Beatles e os Rolling Stones eram referências mundiais – e foi o autor / cantor do talvez maior hino musical kitsch e sexy do planeta: “Je T’aime, moi non plus”, uma verdadeira “Stairway to Heaven” das camas redondas.
Dona de uma maneira deliciosamente descolada de escrever, que permite uma leitura objetiva e com poder de entretenimento excelente, Sylvie aborda desde o nascimento de Serge (cujo nome verdadeiro era Lucien Ginsburg, filho de judeus russos), sua juventude, suas primeiras aparições no mundo artístico – iniciando nas artes plásticas e logo após nos pianos dos clubes parisienses –, sua crescente fama, suas manias, suas crises, até a degeneração, encarada com uma classe que só um francês sabe como, bien sûr. O livro também aproveita para expor fatos como suas parcerias musicais com verdadeiras divas chansonniers como Juliette Greco e Françoise Hardy, seus sucessos e insucessos, fatos pitorescos advindos da excentricidade do artista, renomado ainda que tardiamente (o sucesso só viria a brilhar para ele em 1969, embora seu primeiro álbum tenha sido lançado em 1958).
E tudo não pára por aí: no final do livro há também um apêndice com várias citações do enfant térrible, uma discografia pra lá de completa, uma relação de todos os trabalhos feitos para a televisão e cinema e sugestões de referências (ótimas) para gainsbourgólogo nenhum se queixar.
Serge morreu em 1991. Mas para muitos não morreu. Uma inscrição na parede da casa número 5 da Rue de Verneuil, no bairro de Saint Germain, em Paris, diz que “Serge não morreu. Ele está no céu, trepando”. A única e melhor conclusão é a de que este livro é um passeio delicioso pela vida de um dos raros homens que soube talhar a grife da polêmica de maneira fatalista-niilista, um homem que sabia que “la mort est toujour présent, si on n’est pas con”(“A morte está sempre presente, se não formos bobos”), mas que estava igualmente convencido de que por algum motivo isso não aconteceria com ele. Un suicide optimiste, enfin.

*“Há uma trilogia na minha vida, um triângulo eqüilateral, por assim dizer, de Gitanes, alcoolismo e mulheres. Repare que eu não disse isósceles, disse eqüilátero. Mas tudo isso é fruto da formação de um homem que foi iniciado na beleza através de arte.”

Por Juan Fiorini