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19 de agosto de 2010

Qual o sabor da nostalgia?


Quais são os mecanismos que movem o passado? Por que sempre gostamos de retomar/reviver tempos já vividos? Quais são os sabores e desabores que a nostalgia nos trás? Essa gama de perguntas enevoaram minha mente após a leitura de Clube dos corações solitários obra de André Takeda.
Lançado em 2001, o livro traz à tona um história simples, contada de forma informal, desfragmentada e com personagens "fúteis". E se pensada dessa forma talvez a obra não tenha tantos atrativos literários já que se comparados a clássicos atemporais da literatura (quem nem cabe citar aqui) se torna uma obra menor. Mas muito se engana quem pensa desta forma.
No pós-segunda guerra mundial, a literatura (principalmente a norte-americana) ganhou outros contornos e estruturas que em quase nada se assemelham ao tradicional. Objetivando dialogar com o público se sua geração, um exemplo clássico dessa revolução é O apanhador no campo de centeio de J.D. Salinger cujo personagem central é um garoto desajustado e perdido num mundo cada vez mais confuso. Reside aí o mote central do livro do autor. Lá temos um grupo de jovens que procuram se encontrar em meio a diversas escolhas como carreiras, amores e amizades. Garotas e garotas que assim como eu nasceram na década de 80, cresceram vendo tv e na década de 90 passaram a consumir (ou foram consumidos) pela cultura pop via filmes, livros, canções fator este que faz com que a narrativa seja carregada de referências.
De maneira geral esse tipo de literatura (chamada de fast-food) tem a sua validade. Porém, não deve ser ignorada já que de certa forma a alimenta a saudosa nostalgia de um tempo bom que se foi e não volta mais.
P.S. Como consta na epígrafe do livro "Maturidade é uma fase, adolescência é para sempre" Jules Feiffer.

18 de agosto de 2010

Almost there


Dias atrás antes do lançamento deste The Suburds um crítico da BBC afirmou ser este 3º disco do Arcade Fire "uma obra prima". Até aí tudo bem, mas ele foi além e afirmou que (pasmem!) este seria melhor que OK Computer do genial Radiohead. Logicamente, tal análise gerou comentários em todo mundo, pois o status imaculado do disco da trupe de Thom Yorke é enorme e qualquer comparação é tida como blasfêmia/heresia. Deixando observações externas de lado, o fato é que a banda canadense realmente surpreende em sua nova guinada sonora. O universo tristonho das letras (caracterítica habitual) não fora deixada de lado, mas as doces melodias ensolaradas tomaram corpo e enchem os olhos. O "susto" já vem desde o 1º play quando a faixa título vem à tona: um piano conduzido com tamanha delicadeza e um refrão pegajoso permeiam o ar. "Ready to start" e "We used to wait" contagiam via melodias que lembram o passado da banda. "Month of May" surpreende pela crueza e rende comparações ao Queens of the Stone Age. A singela "Wasted Hours" é perfeita para embalar os mais belos sonhos. Por fim, o disco só não é a tal "obra-prima" por ser longo demais (16 faixas). Mas se você fã de música pop quer ouvir algo de uma banda que vai crescendo em qualidade disco a disco esse The Suburbs agrada a ouvidos e corações mundo afora.

8 de agosto de 2010

Pavement no Brasil!


Para celebrar a antes sonhada, e agora real, vinda do Pavement ao Brasil (novembro no festival Planeta Terra) relembro um texto meu publicado em Julho de 2004 no site Dying Days sobre o clássico "Slanted Enchanted":



Unindo influências de bandas como R.E.M, Velvet Underground e Sonic Youth, o Pavement surgiu no fim da década de 80 inicialmente como um projeto de estúdio idealizado por Stephen Malkmus (guitarrista e vocalista) e Scott "Spiral Stairs" Kannberg (guitarrista).

Após o lançamento de alguns EPs e definida a formação que perdurou até o fim, o grupo seguia sendo cultuado por meia dúzia de pessoas até que a Matador Records faz uma ótima proposta para gravação do 1º álbum.

Assim, no dia 20 de abril de 1992 nasce o clássico "Slanted and Enchanted". Gravado antes do "boom" do movimento grunge, o álbum tornou-se um clássico lo-fi (onde não se preza muito pela produção), obtendo ótima receptividade, tanto por parte do público quanto por parte da crítica, que não se cansava de elogiar o disco e transformar o Pavement na banda da vez. Stephen Malkmus, na época, não tinha a noção de que isso viria a acontecer. "Eu trabalhava como vigia no Whitney Museum de Nova York e pensava em, no máximo fazer um disco melhor que os do Sebadoh". As melodias simples, preguiçosas e cativantes, somadas às letras triviais/bobas tornaram-se a marca registrada da banda.

Músicas como "Summer Babe", "Trigger Cut", "No Life Singes Her", "In the Mouth a Desert", "Zurich is Stained" e "Here" falam por si mesmas e são obrigatórias em qualquer lugar onde Stephen Malkums (hoje em elogiada carreira solo) se apresente. O álbum ainda gera um número imenso de seguidores no meio alternativo.

O melhor é que hoje em dia "Slanted & Enchanted" pode ser encontrado no Brasil com extrema facilidade (vide a gravadora Trama) com o seguinte adesivo na capa: "clássico do rock". Ouça e comprove.

Bruno Lisboa

19 de maio de 2010

Once, twice and ever.


Havia declarado o falecimento deste espaço, mas a paixão pela vida me fez voltar. Os motivos são vários, mas por hora, é simples e belo: Once, filme lançado em 2007 e dirigido/escrito por John Carney.
A película chegou a causar certo burburinho no universo pop vide ao fato de ter concorrido e, merecidamente, ganhado o Oscar de melhor canção. Mas os atrativos desta película são muitos outros.
Dialogando com a máxima do ator Jeff Brigdes, via o recente Coração Louco, a essência do filme poderia ser assim dita: “quanto mais triste a vida, mais doce é a canção”.
O roteiro aborda a vida Glen Hansard e Marketa Irgova.”, músicos que buscam seu espaço num mundo cada vez mais complicado. Porém, mesmo com um passado aterrador, que não que conseguem ignorar, ambos acreditam que não importa o quão dura e aparentemente imutável a vida possa ser. A canção é o mote de sobrevivência e da realização do seus sonhos.
Rodado de forma manual (quase documental) em quase todas as tomadas, este recurso auxilia a exposição da veracidade histórica.
Em tempos de cifras milionárias para a realização de uma obra, assistir a um filme de baixo orçamento, mas de rara beleza me faz lembrar da celebra frase do falecido gênio François Truffaut que dizia que independente dos recursos financeiros o que garante a sobrevivência do cinema são as boas histórias. E Once de forma simples e apaixonada mantém viva a chama da cultura pop. Amém.

30 de março de 2010

The death is not the end ou é o fim do blog como conhecemos e eu me sinto bem.

Bom eu tentei por meses manter esse espaço vivo, mas infelizmente não deu...
Um bom blog exige dedicação que, como vocês podem ver, tem faltado bastante tal como tempo hábil para escrever algumas linhas sobre as minhas paixões.
Então sem mais delongas e choramingos fecho as portas deste espaço que por anos foi a minha razão pop de viver, que fez com que fosse entrevistado e gerasse boa discussões por aí.
Porém, atento a "modernidade" meu twitter (http://twitter.com/brunorplisboa) é ferramenta na qual, mesmo que de forma reduzida, irei destilar meu ar "subversivo" (como diz meu grande amigo André).
Abraços e até mais.
Bruno Lisboa

12 de janeiro de 2010

Este blog está em estado, mais uma vez, de "paradez" total. O último post tem data do ano passado é de setembro... mas espero nesta férias tentar voltar ao batente.
Por hora, para deixar a par dos assuntos, continuo sim ouvindo bastante música pop e irei gastar gastar algumas linhas com alguns discos do ano passado futuramente.
2009 foi um ano relativamente bom no cenário internacional graças a perólas de Norah Jones, o essencial Them Crooked Vultures, a fofinha parceria de Scarlett Johansson e Pete Yorn, o bons discos de veteranos como Dylan e Morrissey...
A ala nacional, surpreendente, se destacou. Por anos tive certa birra de algumas coisas, mas dos discos novos da cena feminina de Céu (ah Céu...), Mariana Aydar, Ana Canãs, Erika Machado e os novos petardos de Arnaldo Antunes, Otto e Eramos Carlos foram de encher os olhos.
No cinema destacaram - se o belo 500 dias com ela, a loucura sempre genial de Quentin Tarantino em Bastardos Inglórios, a viagem surreal de Avatar (viva James Cameron e seu cinema), o ignorado Inimigos Públicos de Michael Mann...
Faltaram palavras eu sei, mas eu volto já.
Aguarde e confie.

20 de setembro de 2009

Juan Fiorini: o poeta

Meu grande amigo e mestre Juan Fiorini irá lançar em Dezembro seu primeiro livro de poesia em parceria com a editora Tradição Planalto. Para os admiradores deste gênero literário fica a dica de um belo trabalho. Para maiores informações e como adquirir clique na imagem.